Hoje fui ao Sadhana. Voltei a acordar às 04h40, a sair de casa às 05h10 e a começar a prática às 05h30. [Sadhana é a prática espiritual diária que, quando feita em comunidade, é normalmente realizada durante a manhã e tem a duração de 2h30min].

Durante a prática, enquanto cantava e tocava um pequeno tambor, recordei-me da primeira vez que ousei pegar num instrumento durante o sadhana. E com isso, senti como é bom experimentar novas coisas e alargar, constante e diariamente, a minha zona de conforto.

Há uns tempos pensava: “Que dons/talentos estarei eu a desperdiçar por simplesmente nunca ter experimentado?” Por exemplo, quem sabe se não daria uma excelente surfista? Ou pianista? Ou praticante de mergulho? Ou sei lá eu. Tantas tantas coisas que existem à minha disposição e que, simplesmente, nunca experimentei. Sim, é certo que o que mais me chama e com o qual me identifico, tendo a experimentar. Mas ainda assim. Se nunca tivesse experimentado uma aula de Yoga podia nunca ter deixado o Yoga entrar na minha vida (e a minha vida no Yoga).

Hoje, enquanto tocava aquele pequeno tambor, senti-me grata pelo caminho que tenho feito. Recordei como as formações que fiz foram tão transformadoras da pessoa que sou. Como a timidez, aos poucos, quase sem dar conta, foi embora. Como aprendi, gradualmente, a abrir os braços ao desconhecido e a ousar experimentar. Recordei a importância da auto-iniciação. Da importância de nos colocarmos lá, de nos desafiarmos, de sermos nós os verdadeiros agentes da nossa vida. De termos a coragem para, humildemente, assumir que não sabemos mas que estamos dispostos a tentar, a aprender, a errar e a crescer.

Há uns tempos atrás seria-me mais difícil pegar num instrumento qualquer e começar a tocar. Teria vergonha de “estragar” o conjunto, de importunar o grupo. Teria medo de falhar. E hoje, senti tanta naturalidade naquele momento, que dei conta do quão integrado está em mim. Também sei que esta coragem existe porque não tenho vergonha nenhuma de rir de mim própria. Porque me respeito, porque sou gentil comigo, porque tento não ser demasiado exigente. Também sei que isto é facilitado num ambiente seguro, em que o julgamento não existe. O que existe é apoio, é incentivo, é irmandade. Dei conta também que muitos são os locais onde encontro esta segurança para ser quem sou. Para me permitir experimentar coisas novas e ser disparatada ou desengonçada, ou atrapalhada.

Mas é tão bom ver-me crescer. Crescer em consciência, crescer em idade, crescer no número de desafios que me coloco e que conquisto e ver-me crescer para os lados, aumentando sempre, mais um bocadinho, esta minha zona de conforto.

E tu? De que tamanho é a tua zona de conforto? É-te fácil experimentar novas coisas, ou não? Tens grupos de pessoas que te apoiem nessa experiência? Como és tu, contigo mesma, numa nova experiência? Incentivas-te ou boicotas-te e chamas-te “nomes”?

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