Cada vez que partilho a história do nosso casamento com alguém, sinto uma vontade enorme de a escrever aqui. Sei que foge aos principais temas aqui abordados e ao grande propósito deste blog mas, faz parte da minha história e pode ser inspirador para alguém. Quanto mais não seja, ficam a conhecer um bocadinho mais de mim e do meu casamento 🙂

Este fim de semana fazemos 1 ano de casados. Vamos comemorar e por isso, o post sai hoje, algumas horas antes da efectiva comemoração (não creio que dê azar, por isso está tudo bem!).

O nosso casamento foi repleto de particularidades. Vou resumir ao máximo para não ser exaustiva (se bem que é difícil porque quero contar-vos tuuuuuuudinho. Ainda assim, treinarei a minha capacidade de síntese ;))

O Gonçalo pediu-me oficialmente em casamento (e digo oficialmente porque era raro o dia em que não nos pedíamos mutuamente em casamento) no dia 10 de Junho de 2016. Se calhar, para a maioria das pessoas, o dito “normal” seria agendar para o próximo ano. Mas nós não achamos que fizesse sentido. Por isso, começamos a ver datas em Setembro e falamos logo com o nosso músico preferido. Como Setembro não dava para ele, optamos por Outubro. Depois disso, era só (“Só”) encontrar espaço e tudo para fazer a nossa festa.

Sabíamos que queríamos algo bem simples, descomplicado e divertido. E assim começou a nossa odisseia:

1. O espaço do casamento

Sempre consideramos a hipótese de fazer o casamento em casa. Neste caso seria em casa dos tios do G. que têm relva e vista para a serra de Sintra e que, por acaso, é literalmente, ao lado de nossa casa. Queríamos manter a festa acolhedora, “caseira” e totalmente à nossa imagem. Bom, precisavamos de uma tenda para garantir a sobrevivência de todos à noite Sintrense e só isso encarecia taaaaanto que descartamos a hipótese.

Vimos imensas opções de espaço e visitamos uma quinta, pertíssimo de nossa casa, com as mesmas características que idealizamos, com relva por todo o lado, com vista para a serra, com tecto de madeira, com lareira, enfim. Na verdade, muito mais do que tinhamos pensado. Decidimos com muita facilidade e foi uma escolha absolutamente maravilhosa.

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2. O catering

Não comemos carne há muito tempo e decidimos que não queríamos qualquer animal morto na nossa festa. Por isso, decidimos que a ementa seria totalmente vegetariana.

Quando falamos com os nossos pais sobre esta decisão, levantaram-se algumas questões se não seria melhor ter pelo menos um prato de peixe, já que a maioria dos convidados não era vegetariano. Para nós estava decidido. Era a nossa festa e seria com alguns dos nossos ideais. Era um jantar, ninguém morreria por não comer carne ou peixe, certo?

Os responsáveis da quinta que escolhemos foram impecáveis e o chef criou um menu totalmente novo e só vegetariano. A comida estava maravilhosa, as pessoas adoraram e acredito que tenha ficado na memória de todos.

3. O vestido

Semanas antes de ficar noiva, lembrei-me de perguntar à minha mãe pelo seu vestido. Sabia que ainda o tinha e já não o via há muito tempo. Quando ela me mostrou, houve qualquer coisa em mim que se imaginou nele. E eu não estava minimamente à espera disso. Olhei para o vestido e senti-me lá. Fazia-me sentido. Algumas coisas podia alterar, mas a base estava lá toda. Fiquei emocionada com essa sensação e voltei a guardar o vestido. Quando o Gonçalo me pediu em casamento, resolvi experimentar o vestido da mãe porque nem sequer sabia se me servia ou não. Curto estaria de certeza, mas mais do que isso não sabia.

Quando o experimentei (às escondidas de todos) fiquei pasmada, porque o vestido caía-me mesmo bem. Estava curto, claro. As mangas teriam de sair, mas de resto, estava maravilhoso. Com a permissão e incentivo da minha mãe, resolvi alterá-lo e ficou mesmo bonito!

Esta foi uma das experiências que mais me marcaram neste processo: estar envolvida na criação do vestido foi mesmo bonito. E depois, cada detalhe que precisavamos ajustar ou melhorar, melhorava mesmo todo o vestido. Por exemplo, com o vestido todo pronto e já depois de o termos descido ao máximo, continuei a achar que estava curto. Então, tínhamos de fazer uma alteração de última hora  (literalmente 1 semana antes do casamento) e a querida costureira lembrou-se de aplicar uma barra em cetim. A ideia pareceu-me estranha até porque imaginei logo um cetim brilhante e “piroso” mas aceitei a sugestão. Quando vi o que me dizia achei maravilhoso! O cetim era sem brilho e a cor igualzinha às rendas que aplicamos. O vestido ficou muito melhor e perfeito!

Ah, e nem considerei a hipótese de levar saltos altos. Comprei umas sabrinas no tom perfeito na Zara Home por 17€ e fui descalça na cerimónia. Queria sentir a relva e a terra por baixo dos pés e adorei ter feito isso.

4. Penteado e gancho

O meu cabelo é especial, com caracóis e muita personalidade e, nem toda a gente sabe pentear cabelos assim. Eu gosto muito do mais natural possível e resolvi que não iria ao cabeleireiro. Uma amiga, que tem alguma à vontade com penteados, ofereceu-se para experimentar alguns e eu aceitei. Fizemos um jantar semanas antes, experimentamos 2 ou 3 hipóteses e na manhã do casamento, deixei-a criar o que tínhamos falado. Ela super nervosa “Mas vê lá, gostas mesmo? E se cai? E se….?” Eu só me ria e dizia: “Está óptimo!!!”

O gancho de flores que usei foi inspiração Pinterest e outra amiga ofereceu-se para o fazer. Dei-lhe flores do meu bouquet e ela criou a maravilha que se vê.

Na manhã do casamento houve uma peripécia com o gancho e ainda nos rimos muito. O gancho, por engano, foi parar ao lixo e já estava com melão, pevides e casca em cima, quando foi descoberto. Uma das minhas madrinhas tratou logo de o passar por água e secar para eu não dar conta, mas eu dei e achei a maior piada!!

catarinaEgoncalo 145. Bouquet

O bouquet foi feito por mim e teve algumas particularidades também. Encomendei molhos de flores específicas na florista e depois, na véspera do casamento, fui para a quinta e comecei a experimentar. Não sabia que era tão desafiante fazer um arranjo. A Teresa (responsável da Quinta) deu-me algumas dicas realmente importantes.

Eu resolvi não levar bouquet desde a entrada na cerimónia mas sim ir “colhendo” as flores conforme ia passando pelas pessoas até chegar ao altar. Entreguei 5 mini bouquets a 5 mulheres especiais que me foram dando enquanto caminhava até ao Gonçalo. Com isto, quis simbolizar que sou também aquelas mulheres e recordar-me disso enquanto me tornava esposa e passava por aquele ritual.

No final, entreguei 2 dos mini-bouquets à minha mãe e sogra, fiquei com 1 e os outros 2 entregamos à sorte. O Gonçalo entregou às mulheres e eu aos homens.

6. Alianças

Fui a uma loja ver algumas alianças e não gostei de nenhuma. Achei demasiado brilhantes, ou muito grossas ou muito finas e caras para o que era. A minha mãe lembrou-se que tinha uma pulseira de ouro guardada que podia usar e falamos com uma amiga joalheira para saber orçamento. Como o ouro já era nosso, o trabalho saiu muito mais em conta e podemos escolher o tom do ouro, o tamanho e a forma.

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7. Os fotógrafos

A escolha dos fotógrafos também foi uma odisseia. Como entre o noivado e o casamento foram apenas 3 meses e meio, quase todos os fotógrafos que consideramos estavam ocupados.

Os primeiros com quem falamos foram os que efectivamente foram e adoramos a nossa escolha! Mas até sabermos que afinal podiam mesmo foram imensas conversas com várias pessoas, esperar por ver trabalho que achavamos que íamos gostar e afinal não gostarmos, termos plafon muito reduzido e acharmos os valores altos para as nossas possibilidades, etc.

Quando finalmente soubemos que a Filipa e o Nuno (https://www.galeriavideo.com/) podiam, ficamos mesmo contentes e aliviados! E depois, claro, corresponderam totalmente às expectativas (e ainda mais!).

Pedimos à minha cunhada Maria (http://deverdempoupa.blogspot.pt/) para filmar o que conseguisse e quisesse e pudesse e o resultado foi estrondoso (como não podia deixar de ser).

8. As músicas

As músicas foram escolhidas ao pormenor. Andamos a ver os momentos típicos dos casamentos, a ver se nos fazia sentido e resolvemos manter alguns, claro, mas dar-lhes o nosso toque. Então, por exemplo, entramos na sala do jantar com a música de José Cid “Como o macaco gosta de banana”. A dança dos noivos foi com uma música sugerida pelo músico que dava para dançar de forma mais formal mas tinha uma letra bonita e um toque italiano que nos agradou e de repente, entrava Kuduro com “A felicidade todos nós queremos”.  A música que acompanhou a minha entrada foi uma que o Gonçalo me “dedicou” uma vez da Diana Krall “Just the way you are” e a nossa música de fim de cerimónia foi de Dengaz e Marcelo D2 em que o refrão diz “Se é para conquistar o mundo estamos juntos, se é para dominar o mundo estamos juntos, se é para viver com orgulho estamos juntos”. Gostamos muito muito da nossa selecção musical, de facto compõe em muito a festa e se der para ter um carácter divertido e totalmente pessoal, melhor ainda.

9. O bolo

A nossa madrinha faz bolos divinais. Pensamos logo em pedir-lhe mas sabíamos que seria grande o desafio. Quando ela aceitou ficamos em êxtase. Não era pelo bolo em si, mas era pela oportunidade de termos um bolo de casamento da Sara, da nossa madrinha.

Sabemos que para ela foi super stressante, que jurou para nunca mais, que gostava mais que o bolo não tivesse descaído durante a noite, mas a verdade, é que nós vemos isso como memórias e características que contribuiram para a nossa história. A nossa, única e irrepetível, história.

10. A manhã do casamento

O nosso casamento foi à tarde, às 16h00. E eu quis ter um círculo de mulheres nessa manhã. Sabia que não ia demorar muito tempo a preparar-me e para mim fazia todo o sentido estar com mulheres, amigas, em círculo, nesse dia.

Queria ter presente e consciente o ritual pelo qual ia passar e queria sentir a minha energia feminina, espelhada em e de cada mulher que me acompanha. Para a maioria delas foi a primeira vez e a energia que ali se criou foi tão boa, tão elevada…Eu senti-me altamente mimada, honrada e lisonjeada por estar acompanhada por elas e por permitir-me acompanhá-las também. Foi muito muito bom! Depois do círculo fomos todas para a mesma casa, muitas delas pentearam-se juntas, vestiram-se juntas e foram juntas para o casamento.

11. A cerimónia

Sabíamos que seria pelo Civil e sabíamos também que corríamos o risco de ser informal e impessoal dado que iríamos ouvir um contrato e pouco mais. Ainda assim, conseguimos completar e personalizar algumas coisas. Uma delas foi o altar. Quis ter os 4 elementos presentes e tivemos ainda um mantra escrito numa folha que guardamos até hoje. Para além disso, eu escrevi os meus votos e disse-os e pedi antecipadamente ao meu padrinho que preparasse umas palavras/poema/música ou o que lhe fizesse sentido.

12. A lembrança de casamento

Andamos a pensar no que faria sentido oferecer aos convidados como agradecimento por terem estado na nossa festa e uma coisa sabíamos, queríamos que fosse algo útil, que realmente servisse de lembrança e que não encarecesse muito o orçamento. O Gonçalo desenha e pinta e por isso, foi muito rápido decidir que iríamos oferecer um desenho feito por ele. Criamos um círculo inacabado preenchido com o traço do Gonçalo para mostrar aos convidados que estamos todos ligados e que cada um deles era aquela peça que faltava para o nosso círculo ficar completo. O conceito agradou-nos e o resultado final também. As pessoas adoraram!

13. A mega surpresa

Isto realmente marcou o nosso casamento. Na despedida de solteiros, um mês antes, uma amiga do Gonçalo percebeu que ele gostava de um rapper que ela conhecia. Disse-lhe em tom de brincadeira que giro giro era ele cantar no casamento. O Gonçalo achou brutal mas nem valorizou. Depois disso ela veio falar comigo com esta possibilidade a perguntar-me o que achava. Eu disse imediatamente que sim, que seria lindo e completamente inesquecível. Ela ficou de falar com ele, de sabermos orçamento, se seria possível ou não e até Quarta feira antes do casamento não tínhamos qualquer resposta. Eu já nem pensava nisso quando soube que o valor que ele pedia era fazível, que ele tinha disponibilidade e vontade de se aventurar nisto. Fiquei histérica!!

Falei com ele, dei-lhe algumas das músicas preferidas do Gonçalo e combinamos que às 23h59 ele apareceria de surpresa.

Avisei o músico, avisei os fotógrafos e não disse a mais ninguém.

O Mike el Nite foi fazer o teste de som mais tarde do que era de esperar e não se cruzou com o Gonçalo por um triz. Até nisto, correu tudo bem!

E às 23h59, no meio da pista de dança uma música começou a encravar, o sistema de som desligou-se, as luzes apagaram-se momentaneamente e, voilá, Mike el Nite entra no nosso casamento. A reacção do Gonçalo foi impagável e valeu TUDO.

Ainda cantou umas músicas com ele e toda a gente vibrou muito. Foi inesquecível, arrepiante e eu não continha a alegria (como podem ver pelo meu sorriso gigante :D)

Um amigo nosso fazia anos no dia seguinte e como também era fã do Mike el Nite, pedimos-lhe que cantasse os Parabéns personalizados e também isso foi maravilhoso! Poder dar um miminho a quem gostamos, sabe mesmo bem.

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E já me estendi bastante! Mas acho que vale a pena partilhar histórias de amor. Principalmente no que diz respeito a casamento, que temos muito a ideia pré-formada do que é suposto ou não ser e muitas vezes não nos permitimos fazer diferente. E diferente fica tão mais especial.

Foi uma grande festa e uma grande prova de fé. Porque investimos o nosso dinheiro acreditando que íamos reaver a maioria, porque acreditamos que era possível planear tudo e bem em pouco tempo. Porque acreditamos que teríamos agenda para a cerimónia mesmo quando nos disseram que só era possível ao final do dia e já estava tudo marcado na quinta e com os convidados.  Porque neste vai-vém de fotógrafos tudo está certo e as pessoas encontram-se se assim tiver que ser.

Foi um dia muito feliz, com muitas das pessoas que nos são muito queridas. E saber que cada uma delas tirou do seu tempo para vir comemorar connosco o nosso amor, a nossa união é muito comovente. Eu fartei-me de chorar, claro. Mas realmente porque o amor era tanto, de tantos lados, que transbordava completamente!

Deixo-vos o vídeo também. Espero que gostem tanto quanto nós! <3

Vídeo do nosso casamento – Catarina e Gonçalo, por Maria Moleiro

P.S. É bom partilhar convosco estes momentos! Grata por estarem aí 😉

 

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