Olá!

Este é um assunto, por vezes, delicado por parte das grávidas. Pelo menos da experiência que tenho, mesmo que a mulher e o casal se informem, mesmo que saibam o que preferem e o que lhes faz mais sentido para o momento do parto e pós-parto imediato e mesmo que estejam confiantes em relação a essas escolhas e preferências, a aproximação da consulta com a médica e o falar sobre isto, nem sempre é fácil.

Vivemos numa sociedade em que os médicos são, quase, idolatrados, e que a sua palavra é verdade absoluta. E quando, de alguma forma, enquanto utentes, tomamos iniciativa de qualquer coisa, temos medo de ser mal interpretados, de acharem que nós é que sabemos, e até podem achar que estamos a tentar assumir o seu papel sem ter qualquer conhecimento, formação e experiência para isso.

Acho importantíssimo que trabalhemos no sentido de criar empatia com os médicos que nos assistem. Os médicos que nos assistem, normalmente – no caso da especialidade Obstétrica, foram escolhidos por nós. Por isso, à partida, são pessoas e profissionais em quem confiamos. Certo?

Para quem está sensibilizada para o parto humanizado e quer fazer o seu plano de parto é importante que, quando escolher o seu obstetra, saiba que tipo de profissional é. Se concorda com o parto humanizado, se está familiarizado com estes termos e com plano de parto, qual é o protocolo que segue e porquê, etc.

Se perceberem que as vossas ideias (baseadas em evidências científicas) são totalmente opostas às do médico que conhecem, procurem outros profissionais. Felizmente existe diversidade, e o que resulta para uns, não resulta para outros.

Por exemplo, se eu acredito que através da homeopatia posso cuidar determinado aspecto em mim, porque consulto um médico que é totalmente contra se existem médicos mais familiarizados com esta alternativa? Ou se eu acredito que a febre tem um propósito, porque escolho um médico que me diz para tomar medicamento na primeira hora de febre?

Porque na gravidez e parto deve ser diferente? 🙂

Quando forem à consulta falar sobre o vosso Parto e Plano de Parto lembrem-se que o médico está lá para vos ajudar, para vos acompanhar, para vos servir 🙂
Falem com o coração, perguntem, queiram saber com a humildade de quem não sabe, de facto.
Lembrem-se que no momento do parto vão ser uma equipa. Médicos, enfermeiras e auxiliares, todos vão estar presentes para vos ajudar, para vos servir da melhor maneira que puderem e que souberem. E com base nisto, iniciem a conversa 🙂

Às vezes, consciente ou não, iniciamos uma guerra aberta aos hospitais e aos profissionais de saúde por sabermos que alguns dos procedimentos podiam ser de outra forma, por sabermos que há intervenções desnecessárias, por sabermos que pode haver faltas de respeito e de cuidado para com a mulher durante o trabalho de parto e é com esta carga que vamos para as consultas. Claro que se vamos com esta energia, a comunicação com o médico vai ter esta energia. Vamos “atacar” o profissional ainda antes de o ouvir. E quando uma pessoa se sente “atacada”, reage certo? E é esta a base de conversa que queres?

Se entrarmos na consulta sabendo que aquela pessoa e profissional está ali para nós, para nos dar o que de melhor sabe (os seus conhecimentos, a suas experiência, o seu cuidado), nós assumimos automaticamente uma postura de gratidão e humildade. E assim sim, é possível conversar abertamente sobre o que nos inquieta, sobre o que preferimos (se for possível dentro daquele protocolo). E saber, de forma honesta, se aquela é a pessoa que queremos ao nosso lado durante o nosso parto!

[imagem http://esthershinn.blogspot.pt/2015/03/love-and-communication.html]