Bom dia!!
Nestes últimos dias, por vezes de forma indirecta, esta tem sido uma questão que tem vindo até mim de variadas formas.
Depois de mais um fim de semana de Kundalini Yoga e de uma caminhada na praia, sozinha, em oração, senti claramente que preciso de abrir espaço para permitir que o novo venha. Para permitir que tudo o que desejo aconteça. Para estar e ser disponível e para investir a minha energia no que me faz verdadeiramente sentido e me dá prazer.

Então o que hoje trago aqui é esta questão que te coloco:
“Como o teu lado profissional influencia a tua vida?”
Achas que as coisas são separadas? Como te sentes no teu trabalho? Quanto tempo passas no teu trabalho? Anseias pelos fins-de-semana? Andas em modo automático durante a semana? Sentes-te respeitada no teu trabalho? Valorizas o teu trabalho? Porque trabalhas? Com que objectivo?
Enquanto estava na faculdade e via pessoas que já trabalhavam fazer uma graaaande festa quando a Sexta-feira chegava pensava para mim “Mas porquê? O que será que fazem durante os 5 dias da sua semana para chegar o fim de semana e ser a alegria maior e o ALÍVIO?”
Pensava que quando fosse eu seria diferente. Que estaria consciente e a aproveitar cada bocadinho do meu trabalho e que a diferença entre fim de semana e dias de semana seria apenas, talvez, o descanso mental.
Até que comecei a trabalhar em part-time (não me cabia a ideia de trabalhar em full-time e estar 8 horas por dia enfiada num sítio a fazer sempre o mesmo) e a perceber que havia dias em que a motivação não estava presente, em que o olhar para o relógio para ver a hora de saída era mais frequente e dias em que o meu corpo estava no trabalho, mas a cabeça e a criatividade e a curiosidade, claramente estavam noutro lado.
Houve dias em que questionei muito o que estava a fazer, porque continuava a acordar tão cedo e a ir trabalhar para um trabalho que não me realizava. Estar com pessoas e de alguma forma cuidar delas faz parte de quem eu sou e por isso valia sempre a pena mas, não seria maior o desperdício de tempo e energia investidos num trabalho que me agradava apenas em vez de me realizar?
Sempre tive facilidade em adaptar-me aos contextos e circunstâncias e sempre dei mais ênfase ao lado bom. Se me mantinha no trabalho não me adiantava de nada auto-queixar-me. Se queria mudar, que mudasse. E houve um dia, no meio desta mini luta interior em que acordava a pensar: “Mas o que é que estás a fazer? Vais levantar-te para quê?”, em que acordei às 6h da manhã para ir para Évora, para o curso de Doulas e pensei: “É para isto que trabalhas. É o teu trabalho neste momento que te permite ir. Financeiramente podes investir neste curso, podes pagar as viagens. Então agradece o teu trabalho!”
Um dia, num encontro de Doula com uma querida mulher, falavamos exactamente disso. A motivação dela era baixa, a produtividade igualmente, a resistência era muito. Perguntei-lhe o que podia tirar de bom do seu trabalho. Era o dinheiro que recebia? Era as pessoas com quem se cruzava diariamente? Era as competências de líder que teria de desenvolver? O que era? O que a mantinha ali? Queria mudar? Podia mudar naquele momento? E o que podia mudar? De departamento? De funções? O que era?
Será que temos noção do que o nosso trabalho influencia o nosso dia a dia? Passamos tantas e tantas horas n’O TRABALHO. E quantas vezes estamos contrariados? E porque estamos contrariados? O que nos impede de experimentar outras coisas?
Acordamos já contrariados, arranjamo-nos contrariados, percorremos um caminho casa-trabalho contrariados e normalmente a correr, 8 horas do dia passam, e voltamos a casa cansados – claro, desperdiçamos TODA a nossa energia com queixas e resistência e corridas, e só queremos dormir para acordar no dia seguinte e passar por tudo de novo.
E queremos ensinar o quê aos nossos filhos? Queremos passar-lhe este exemplo? Queremos que meninos de 5 anos acreditem que o trabalho é algo que “tem que ser”?!
O que tu gostas realmente de fazer? Sem filtros! Vá, faz-te essa pergunta! O que te entusiasma de tal forma que não queres parar? O que tu fazes no teu dia a dia, ou fazias em criança, que não tem horas? Que quando acaba tu sentes “Oh, já??”
Sente-te! Escuta-te! Está atenta ao teu entusiasmo. É essa energia que te mostra o teu caminho. O entusiasmo é a expressão da alma. Então, onde tu vives entusiasmada? 🙂
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