Conheces?
Em modo resumo e com uma pitada de interpretação minha:
Era uma vez uma gaivota que nasceu e cresceu numa capoeira. Ela sentia-se diferente mas não sabia porquê. Ela sentia vontade de voar mas nunca tinha visto ninguém à sua volta fazê-lo. Mesmo quando lhe diziam que ela sabia voar, porque era gaivota, ela não acreditava.
Agora esta história veio-me à memória.
Falta menos de um mês para me despedir desta profissão que escolhi ter durante estes 4 anos.
Falta menos de três meses para me casar com o amor da minha vida.
E, sem ser de repente porque tudo foi pensado, sentido e conscientemente decidido, a minha vida vai dar uma nova volta. Uma nova volta. Mais uma volta.

Durante a infância e a adolescência senti-me várias vezes diferente. Às vezes parecia que falava outra língua que pouca gente compreendia. Lembro-me que sempre que falava de espiritualidade me sentia tremendamente incompreendida e muitas vezes gozada.
Eu própria desconhecia aquilo em que acreditava. Aquilo que visceralmente fazia parte de mim. Também me estava a descobrir e muitas vezes não sabia como expressar o que se passava cá dentro.
Sempre que me sentia incompreendida e sem me conseguir expressar, calava-me irritada. Chorava de irritação porque não conseguia articular em palavras o que sentia. Era intenso 🙂
Aos poucos fui aprendendo a olhar para mim, a conhecer-me, a estar com pessoas que falavam a mesma língua do que eu, a identificar-me com o exterior porque conseguia olhar e não duvidar do interior. Foi na formação de Doulas que me reencontrei com a minha alma, sem dúvida. Foi aí que tudo passou a fazer TODO O sentido. Até então havia sempre momentos (mais ou menos frequentes) em que me sentia presa, tensa, em que as coisas pareciam ser a metade, em vez de serem o todo. Em que me conhecia a metade, em vez de me conhecer totalmente. 
A sensação e memória que tenho dessa altura, agora que vejo mais amplamente a minha história, é como se houvesse uma névoa em mim. Às vezes via as coisas mais claramente, outras nem tanto.
E desde que me reencontrei é tudo tão mais claro! 😀
Um aspecto da minha vida em que ainda me sinto a gaivota dentro da capoeira é a minha ocupação profissional. Eu sempre soube que era uma gaivota aqui dentro. Não sabia era quando ia acreditar nas minhas asas e voar daqui para fora 😉
Pois bem, essa altura chegou! Com o trabalho que tenho feito como Doula, com as aulas de Yoga que dou sinto-me claramente a voar. Tão eu, tão alinhado com o meu propósito, com a minha missão. 
E sabes, quando voas umas vezes, custa voltar para a capoeira e para o ruído. Há momentos em que me sinto bem e outros em que é tão cansativo! Não é pelo trabalho em si, mas é por sentir estes limites à minha volta. Por estar fechada num sítio, a desempenhar tarefas que podiam ser desempenhadas por outra qualquer colega, quando eu podia e queria estar rodeada de grávidas e de bebés a tocar e, talvez, mudar vidas! 😀
Então hoje, a menos de um mês de fechar este capítulo da minha vida, eu olho com gratidão para a história que me trouxe até aqui e olho com tanto entusiasmo para esse voo no qual me vou lançar! 😀