Olá, eu sou a

Sou doula de coração e por vocação. Sempre me deslumbrei com a gravidez, a maternidade e os bebés e quanto mais relembro os conhecimentos e a sabedoria que trago em mim, mais apaixonada fico por esta fase da vida em que doamos a vida.

Criação com quê? Apego? Uiiii

Descobri que, mais do que me preparar física, emocional e espiritualmente para receber um bebé em mim, mais do que querer uma doula para me apoiar na minha gravidez e parto, mais do que querer dar muuuuuuito colo e muiiiita mama e muito respeito e muita parentalidade positiva aos bebés que serão os meus filhos, vou seguir uma filosofia de vida (será?) que engloba TUDO isto.
Tudo isto se enquadra numa forma de criar e por isso eu a ter chamado de filosofia de vida, tal como o vegetarianismo ou a macrobiótica. O nome deste estilo de vida com foco na educação e criação é CRIAÇÃO COM APEGO ou ATTACHMENT PARENTING (Hoje em dia há nomes para tudo não é? :))

A Criação com Apego não é mais do que a criação de vínculos fortes com os nossos filhos e tem 8 princípios fundamentais. Cada um pode ser muito desenvolvido e desconstruído em vários pontos, no entanto e para uma primeira abordagem, vou trazer o resumo que li, feito pelo Thiago Queiroz do paizinhovirgula.
A criação com apego começa exactamente, como eu defendo, antes da gravidez!

  • P1: Preparando para a gestação, nascimento e criação
– Que tipo de pessoa sou? Estou resolvida? Tenho inseguranças? Traumas? Crenças? Eu acredito que é fundamental auto descobrirmo-nos e conhecermo-nos. Se há partes de mim que eu não conheço, que não são plenas nem felizes, como posso eu ser o exemplo para o meu filho? Aqui pode ser importante fazer trabalho emocional e ir à própria infância perceber que filhos fomos, que pais tivemos…
– Depois avaliar os tipos de parto que existem, o que mais se identifica comigo, por que procedimentos médicos vou passar, ou não, qual a forma que escolho para trazer ao mundo o meu filho?
– Escolher uma doula que me ajude neste processo, tanto a nível emocional como informativo
– Pesquisar também sobre cuidados ao recém nascido para me irs preparando para a chegada do bebé e para me sentir mais segura e capaz.
P2: Alimentando com Amor e Respeito
– Amamentação como primeira escolha
– Entender que o estômago do bebé é pequenino e aceita pequenas quantidades de leite de cada vez,. O bebé precisa de mamar não só porque tem fome e descomplicar este assunto – amamentar quando o bebé precisa e satisfazer a necessidade do momento – amamentação em livre demanda
– Criar vínculo com o bebé através da amamentação, trocar olhares. Os recém nascidos precisam que os olhos da mãe e do pai se centrem neles. Faz parte e é essencial para o seu desenvolvimento.
– Iniciar a alimentação sólida quando o bebé mostra sinais de que quer isso e não porque faz 4 meses ou 6 meses e dizem que está na altura. Estar atenta e respeitar as necessidades e as vontades do bebé!
P3: Respondendo com sensibilidade
– Estar sensível às necessidades do bebé, compreender que há bebés que precisam de mais contacto físico do que outros, que precisam de ajuda para se acalmarem, que o choro é a única forma que têm de mostrar desconforto e respeitar essa comunicação, atendendo com sensibilidade às necessidades dele
– Sermos também empáticos. Se o bebé ou a criança mostra zanga ou raiva ou medo para quê ralhar? Era isso que gostaríamos que fizessem connosco? Se procurarmos entender a razão que está por trás daquele sentimento e confortarmos a criança não é mais benéfico?
P4: Usando o contacto afectivo
– O toque é fundamental para todos nós e mais ainda quando somos crianças. O toque faz crescer, ajuda no desenvolvimento, desperta sensações e aproxima-nos uns dos outros
– Usar a amamentação, a massagem infantil, o colo, os abraços para nutrir o bebé e a criança
P5: Garantindo um sono seguro, física e emocionalmente
– A primeira pergunta que fazem aos pais “Já dorme a noite toda?”. É tão importante conhecer o ritmo de sono dos bebés, perceber que o acordar frequentemente é uma questão de sobrevivência! Falei do sono aqui, podem ler mais sobre este assunto. 
Cosleeping – o bebé dorme com os pais e isto pode ser na mesma cama ou no mesmo quarto, desde que haja proximidade – tem mostrado cada vez mais ser seguro e benéfico seguindo algumas regras. O que acontece nestes casos é que quando o bebé desperta ligeiramente tem ali uma presença, uma mão sobre o corpo, um shhhh, que o embala e lhe dá segurança. Ele sabe que não está sozinho e que é seguro dormir. Quando sente fome e começa a dar sinais disso, se a mama estiver próxima, o bebé pode até nem acordar e sente também que as suas necessidades são satisfeitas e mais uma vez que é seguro dormir.
– Não esquecer também que mesmo em adultos há quem tenha dificuldade para dormir e que não gosta de dormir sozinho. Então porque vamos obrigar um bebé a isso? Porque não confortar e ajudar sabendo que nos primeiros meses de vida, muitos bebés não têm maturidade para se acalmarem sozinhos? 
P6: Provendo cuidado consistente e amoroso
– Mais uma vez aqui a importância do vínculo. Se deixamos a criança com alguém que não os pais, o ideal é que entre a criança e o cuidador haja vínculo. É muito importante que a criança aprenda a confiar, sabendo que na sua rotina está ao cuidado daquela pessoa, de quem gosta e por quem é amado e respeitado.
– É na primeira infância que as crianças aprendem a criar vínculos. Se estão constantemente a mudar de cuidador ou se são desprezadas ou desvalorizadas espera-se que cresça dali um adulto que não confia nos outros porque as primeiras relações que teve na sua vida não foram exemplo de consistência nem amorosidade.
P7: Praticando a disciplina positiva
– Novamente aqui a importância de tratarmos os nossos filhos como gostaríamos de ser tratados. Colocar medo, manipular, chantagear não é bom para ninguém principalmente em crianças que não sabem ainda defender-se nem conhecem mecanismos para ultrapassar isso. Potenciar a vergonha, a humilhação a uma criança é terrível!! E pode acontecer com coisas simples e muitas vezes inconscientes (a avaliar pelo número de situações do género a que eu assisto no meu dia a dia).
Um exemplo: “não comes a sopa? fico triste contigo”.
Porque temos de manipular a criança? Porque ameaçamos assim? Porque não entender a razão pela qual a criança não quer comer a sopa? E negociar se for preciso – “Não te apetece toda, comes o que quiseres!” Não é mimo nem má educação! É compreensão, é explicar a importância da sopa, a importância de, por vezes, comermos alimentos que não gostamos tanto do sabor, que o sabor educa-se…etc.
(A Magda do Mum’s the Boss é perita nesta área!!! :))
P8: Mantendo o equilíbrio entre a vida pessoal e familiar
– Aqui o chavão “Pais felizes, filhos felizes”. Se não estou bem comigo como posso estar receptiva aos outros? Com sensatez, com equilíbrio arranjar formas de mantermos a nossa individualidade. Antes de sermos mães e pais já existiamos. Parece-me essencial manter este contacto com o nosso ser, que é só nosso e que para além de mãe é também mulher, esposa, filha, amiga, profissional, praticante de yoga, apaixonada pela praia e pelo sol….
– Arranjar formas de nos alimentarmos a nós próprios para podermos ser uma fonte saudável e feliz para os nossos filhos!!
(adaptado de http://paizinhovirgula.com/criacao-com-apego-aquele-resumo-que-voce-sempre-quis/)

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