Hoje em dia a depressão pós-parto é tão falada e conhecida que permite a quem precisa de ajuda pedir ajuda e a quem pode e quer ajudar, ajudar. Mas será que todas mulheres que sofrem depressão pós-parto sabem pelo que estão a passar e pedem mesmo ajuda? Não acharão elas que é hormonal e “normal” e com o tempo passa?

Este tema surgiu hoje quando me cruzei com uma mulher, mãe há 2 anos, que mostra agora sintomas físicos como – dormência nas mãos, sensação de aperto no peito e falta de ar. Conversando um bocadinho com ela e abrindo espaço para falar para além do físico acabou por me contar que se tem apercebido que grita muito com a filha, que anda irritadiça e qualquer coisa a incomoda. 
Uma das coisas fundamentais para a minha vida que aprendi durante os últimos meses foi que todos somos espelhos uns dos outros e portanto, se a filha a irrita é porque ela anda irritada. (Parece óbvio? :)) 
Se há esta necessidade de libertar esta raiva com gritos, com ralhar, é porque há desconforto e raiva dentro dela. E porquê? 
Esta mulher contou-me que quando a filha nasceu ela chorava muito. Não dava conta disso na altura, mas agora sabe que não saía de ao pé dela, não descansava, não dormia enquanto ela dormia (15 minutos seguidos em vez das 2/3horas)… Falamos do apoio que ela teve na altura e contou-me que com a sogra teve uma relação muito complicada. “A minha filha chorava e a minha sogra tirava-me a bebé dos braços.” Como uma mãe se sente com este tipo de atitudes? 
Há vários estudos que mostram as vantagens de ter uma doula na gravidez, parto e pós-parto. Uma delas é a diminuição dos índices de Depressão pós-parto. E porque será? Porque a mulher é empoderada! O trabalho emocional feito com a mãe vai no sentido de lhe dar poder, de a ajudar a sentir-se capaz de parir e cuidar do bebé que aí vem. E quando há pessoas à volta da mãe que fazem exactamente o contrário? Que lhe tiram poder e sabedoria?
Esta mulher é mãe há 2 anos e não teve apoio emocional nenhum. Como pode não ter sintomas agora? Como pode não estar zangada internamente? Esta mulher precisa de apoio.
Os quase 15% de mulheres que sofrem de Depressão Pós-Parto em Portugal precisam de apoio!
Existem doulas especializadas em pós-parto, disponíveis, mesmo para mulheres que foram mães há 10 anos! Porque o  trabalho emocional pode ser feito em qualquer altura. Estas mulheres MERECEM esta ajuda! Assim seja pedida 🙂
Alguns dos sintomas da depressão pós-parto são:
– afastamento de amigos e família
– alterações do sono
– alterações do apetite/mudança no peso corporal
– falta de concentração
– falta de desejo sexual
– falta de energia em geral
– sensação de incapacidade de tomar conta do bebé
– pânico exagerado com o que pode acontecer
– afastamento do bebé
Existem alguns do tratamentos alternativos:
– actividade física (30 minutos/dia)
– actividade de grupo onde a partilha seja possível
– fazer um diário para processar as emoções
– ter uma doula
– fitoterapia
– luz solar (>15 minutos)
Por isto, se se identificam com alguns destes sintomas e honestamente sentem que precisam de ajuda, peçam! Se têm uma amiga que apresenta alguns destes sintomas, apresentem-lhe estas opções. Quanto mais divulgarmos, mais mulheres conseguimos apoiar 🙂
Existe uma lista de Doulas disponíveis aqui (http://redeportuguesadoulas.weebly.com/encontra-a-tua-doula.html) 
O meu e-mail é uaumama.blog@gmail.com e está disponível 24horas por dia! 🙂
(imagem de http://www.pregnancy-yoga-resource.com/postpartum-depression.html
adaptado do “Manual de Doulas” da Doula Maria Luísa Condeço
e consulta https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/18465/3/Tese%20Mariana%20Marques.pdf
e https://ubithesis.ubi.pt/bitstream/10400.6/1163/1/Tese%20DPP%2029Maio.pdf)

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