O dia em que o tornado emocional/hormonal chegou à minha Gravidez

Não é que não estivesse à espera disto ou achasse que, de alguma forma, estaria imune mas, tenho vivido a gravidez tão estável emocionalmente que estes episódios apanharam-me desprevenida.
O primeiro aconteceu às 27 semanas, acabadinha de entrar no terceiro trimestre! (O Gonçalo até “me deu os parabéns” dizendo: “Uau, só agora….nada mau!” ahah)
Tinha combinado uma coisa com a minha mãe e acabamos por ter uma falha na comunicação. A verdade é que fiquei super ofendida com aquilo e terminei o telefonema com lágrimas nos olhos. Ao mesmo tempo que pensava e sabia (mental) que era uma parvoíce e completamente exagerada aquela reacção, sentia-me (emocional) muito fragilizada.
Os seguintes aconteceram no início desta semana (quase nas 29 semanas) em que, através de coisas mínimas, fui confrontada com a minha ferida emocional da rejeição/abandono. O facto do meu marido não fazer o jantar para nós ou pedir-me para arrumar qualquer coisa quando eu achava que não tinha de ser eu a fazer isso, trouxe-me, à tona, a sensação de desrespeito.
Novamente os olhos encheram-se de lágrimas e no meio do abraço que me acolheu, só dizia “Estou sensível! De certeza que é hormonal. Só me apetece chorar!!”
Escrevo sobre isto porque já sabia que a gravidez (e parto e pós-parto) é uma avalanche emocional que nos traz grandes oportunidades de cura, mas agora tenho a experiência.
Coisas pequeninas têm um impacto gigante e, se estivermos disponíveis para elas, podemos olhar com compaixão e constatar: “Ah sua marota (ferida, crença, padrão, insegurança, medo, etc) continuas cá.”
No meu caso, a ferida (memórias) de rejeição/abandono e desrespeito fazem parte do meu caminho. E quando menos esperamos, elas surgem para nos mostrar que ainda podemos curar mais um bocadinho. Pacificar, harmonizar e deixar ir.
Ajuda muito conhecermos as nossas emoções, sabermos falar sobre elas, expressar claramente o que sentimos, onde nos dói, o que nos faz doer. E ajuda também ter ao nosso lado alguém capaz de abrir os braços e, sem compreender ou sentir o mesmo que nós, dizer-nos “Está tudo bem. Eu respeito o que estás a sentir e eu amo-te, tanto.”
[fotografia de Tim Goedhart através do site https://unsplash.com/@nofilter_noglory]