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Sou doula de coração e por vocação. Sempre me deslumbrei com a gravidez, a maternidade e os bebés e quanto mais relembro os conhecimentos e a sabedoria que trago em mim, mais apaixonada fico por esta fase da vida em que doamos a vida.

Diabetes Gestacional – o complexo tema da gravidez

Bom dia!
Já não é a primeira vez que falo de Diabetes Gestacional aqui no blog. É de facto um tema tão complexo que há sempre por onde estudar e esclarecer 🙂 (Grata à A. por levantar questões!)
O que é DIABETES GESTACIONAL?

É a intolerância à glicose (açúcar) durante a gravidez e afecta cerca de 3 – 6% de mulheres grávidas. 
Segundo o Dr. Michel Odent esta é uma resposta fisiológica. De facto, todas as mulheres têm alterações metabólicas durante a gravidez que alteram a tolerância à glicose. No entanto, algumas experimentam maior intolerância e surge a diabetes gestacional.

Quais as consequências?
O maior estudo feito sobre diabetes gestacional é o  “Hyperglycemia and Adverse Pregnancy Outcomes” ou estudo HAPO. Neste estudo, foram observadas mais de 25.000 mulheres grávidas e o diagnóstico de diabetes feito segundo o teste de tolerância à glicose standard (75gr). 

Os investigadores concluíram que as mulheres com maiores níveis de glicose no sangue apresentaram:
> risco aumentado de bebés grandes para a idade gestacional
> risco aumentado de Cesariana
> risco aumento de Pré-eclâmpsia
> risco aumento de distócia de ombro do bebé ao nascer
> risco aumentado de lesões no parto
> risco aumentado de necessidade de Cuidados Intensivos Neonatais 
> risco aumentado de Icterícia neonatal
> risco aumentado de parto prematuro

Como se faz o diagnóstico de Diabetes Gestacional em Portugal?
O diagnóstico da Diabetes Gestacional envolve duas fases temporais distintas: glicemia em jejum na primeira consulta de vigilância pré-natal e prova de tolerância à glicose oral (PTGO) às 24-28 semanas de gestação.
> Um valor de glicemia plasmática em jejum <92 mg/dl (5,1 mmol/L) implica a realização, entre as 24-28 semanas de gestação, de PTGO com sobrecarga de 75 g de glicose.
> Um valor da glicemia plasmática em jejum ≥92 mg/dl (5,1 mmol/L) e <126 mg/dl (7,0 mmol/L) faz o diagnóstico de DG, não sendo necessário a realização de PTGO com 75 g de glicose às 24-28 semanas de gestação. 
* quadro retirado de Norma da Direcção-Geral da Saúde – Diagnóstico e conduta na Diabetes Gestacional
A prova de tolerância à glicose oral tem uma sensibilidade de 76% o que significa que detecta correctamente o diagnóstico de diabetes em 76 mulheres, de 100. E tem uma especificidade de 76% o que significa que em 100 mulheres SEM diabetes, 76 mulheres terão resultado NEGATIVO [e 24 mulheres NÃO TÊM diabetes, têm resultado POSITIVO].
Esta é a melhor forma de diagnosticar Diabetes Gestacional?
Dada a controvérsia em relação a este teste, a verdade é que os investigadores também têm algumas dúvidas. Não sabem, por exemplo, se é o melhor teste, não sabem se é feito na melhor altura gestacional, não sabem se é preciso jejum antes…
Há algumas alternativas em estudo mas os resultados ainda não apoiam totalmente o uso rotineiro destes testes. 
É “obrigatório” fazer  o teste?
As guidelines de diabetes gestacional de 2001 dizem que se a mulher grávida tiver baixo risco e < 25 anos, não pertencer a um grupo étnico com risco aumentado, IMC <= 25, não tiver história de intolerância à glicose ou macrossomia e não tiver parentes de 1º grau com Diabetes – Não precisa de fazer o teste.
É bom ter em conta que cuidados de rotina não é o mesmo que cuidados baseados em evidências científicas. E que muitas vezes o que se faz por rotina é protocolado, mas não tem necessariamente os melhores resultados.
De qualquer forma, receber um diagnóstico de diabetes pode ser um incentivo muito poderoso para mudar estilo de vida, mudar comportamentos alimentares e de exercício físico e melhorar bastante a vida da mulher grávida e do bebé. 
Que tratamentos existem?

O tratamento passa por aconselhamento nutricional e de exercício físico, medicação oral, monitorização da glicose e, se necessário, insulina. 
Quanto aos tratamentos também não há grandes certezas. Os investigadores não conhecem os efeitos a longo prazo dos tratamentos nem sabem qual é o melhor, se um deles ou a combinação de várias opções. 
Estudos mostram que mulheres que receberam tratamento para a diabetes ( alteração da dieta, medicação, monitorização da glicose ou insulina), comparativamente com mulheres com diabetes gestacional que não receberam qualquer tratamento, tiveram:
> diminuição de 35% do risco de pré-eclampsia
> aumento de 33% do risco de indução
> diminuição de 54% risco do bebé pesar > 4000 gr.
> diminuição de 72% do risco de outras morbilidades (distócia de ombro, fratura óssea, lesão nervo, ou morte infantil)
> igual risco de Cesariana, hospitalização pré-natal, intervenção no parto com fórceps ou ventosas, hemorragia pós-parto, internamento hospitalar, duração da gestação, hipoglicémia infantil.
Entre mulheres com diabetes gestacional que tomaram medicação e mulheres com diabetes gestacional que tomaram insulina, o estudo (114 pares mães/bebés) mostra que nas mulheres que tomaram medicação tiveram menos 54% de risco de Cesariana. As mulheres que tomaram insulina, os bebés tiveram 7,7% mais probabilidade de sofrer hipoglicémia após o nascimento.
Mais uma vez reforço a necessidade da mulher se informar, esclarecer as suas dúvidas junto dos profissionais de saúde, entender o que é a diabetes gestacional, que consequências tem para si e para o bebé, que tratamentos há, que alternativas existem. Este tema não é consensual, há muitas opiniões e as directrizes que existem não são bem fundamentadas pelas evidências científicas. 
Aqui fica mais informação que espero ser útil 🙂
[fonte: http://evidencebasedbirth.com/does-gestational-diabetes-always-mean-a-big-baby-and-induction/
http://evidencebasedbirth.com/gestational-diabetes-and-the-glucola-test/
file:///C:/Users/tecnico/Downloads/i015531.pdf]

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