Depois de olharmos para a Dor do Parto com outra visão, vamos ver que ferramentas temos disponíveis para lidar com ela. E falo de métodos farmacológicos e não farmacológicos. Não acho que devemos excluir nada à partida.

Vamos olhar para todas as ferramentas que existem, conectarmo-nos com o que faz mais sentido ou menos, conhecer as vantagens e desvantagens e depois, no momento do parto (e só nesse momento!), escolher e usufruir.

  • Epidural – já falei sobre ela num outro post > podem ler aqui. Aproveito para desmistificar que as doulas não são contra epidural. São a favor das escolhas das mulheres. Das escolhas informadas e conscientes 🙂 Se a epidural está ao teu dispor, se tu conheces as vantagens e as desvantagens e os efeitos secundários e queres usá-la, usa! Se há coisa que tenho aprendido com os partos que tenho acompanhado é que não há, no parto, certo e errado. Mesmo que te prepares para não usar, te munas te poder, determinação, vontade, ajuda física e tudo mais para não recorrer ao fármaco, e na altura, o teu corpo precisa de descansar e tu não consegues com dores, ou precisas de dormir e a tua mente não deixa, ou a dor é muito mais forte do que podias imaginar e tu queres usar esta ferramenta, USA! Ninguém te vai apontar o dedo por mudares de ideia e tu não devias fazê-lo a ti mesma. O parto é imprevisível. Prepara-te sim, mas mantém-te também disponível para seguir o fluxo do que vai acontecendo. Sê gentil contigo mesma 🙂
  • Hidroterapia – o duche direccionado para a zona lombar, barriga e ombros pode ajudar e muito. E o banho de imersão, numa fase inicial, pode ser muito relaxante também.
  • Calor e frio – Isto altera a tua sensibilidade à dor. Pode saber-te bem um saco de sementes na zona lombar ou ombros, ou, por outro lado, algo frio que, de certa forma, anestesia ligeiramente.
  • Massagem ou Toque de conforto – não é preciso ser nenhum expert na arte da massagem. O toque só por is aumenta a oxitocina, descontrai os músculos e alivia. Por isso, peçam massagem e digam a intensidade que querem. Pode saber bem algo intenso e forte, principalmente no cóccix durante a contracção, mas pode saber muito bem um toque suave e subtil.
  • Vocalização – Deixares sair som quando expiras ajuda a dissolver/dissipar a dor localizada. Para além disso, há relação directa entre a boca, garganta e vagina. Se relaxares o maxilar e deixares sair som, observa como a tua região pélvica se solta e abre. Experimenta 🙂
  • Mudança de posição corporal – Esta é muito instintiva. Quando nos magoamos, batemos com a mão em algum lado, a tendência é apertar o dedo ou abanar a mão. Certo? Também no parto isto acontece. O teu corpo vai pedir-te para mudares de posição para encontrares mais conforto. Para isto, é preciso estar com liberdade de movimentos durante o trabalho de parto.
  • Movimentos rítmicos – mexer o teu corpo de forma rítmica também ajuda a mente a focar-se no movimento e no ritmo e percepcionar menos dor. Podes fazer movimentos circulares com as ancas. Dançar com a bacia formando 8, para a frente ou para os lados. Andar com passos de elefante – com passos abertos, elevando os joelhos e abrindo a pélvis, por exemplo. Sentada na bola de pilates e rodar a bacia ou saltitar para cima e para baixo. Experimenta várias coisas. Tudo é possível e não há manuais de instruções. Há experiência. Há sentir.
  • Encorajamento – quantas vezes estás prestes a desistir e alguém te diz: “Boa, força. Isso mesmo!!” e tu aguentas mais um bocadinho? Sabe muito bem ter encorajamento e reforço positivo durante o parto. A mente gosta de ter feedback. Principalmente se for um primeiro parto e tu não souberes de todo para o que vais. É natural que esperes que os profissionais, ou as pessoas à tua volta que já têm experiência, te digam algo positivo. Que estás a fazer um bom trabalho e que é mesmo assim. Tu sentes-te empoderada e isso é um excelente antídoto para a dor 🙂 (Por isto, também, as doulas têm um efeito tão positivo durante o parto).
  • Visualizações – em vez de deixares a mente só focada na sensação física, pode ajudar mantê-la ocupada e a contribuir positivamente para este momento. Fazer visualizações pode ajudar. Podes concentrar-te numa flor a abrir e sentir esse paralelismo com o teu útero a dilatar. Ou podes ver as ondas do mar, como se formam, como chegam ao topo, como rebentam e como pacificam depois, e fazer o paralelismo com as contracções. Quando chega, aumenta, chega ao seu pico, diminui e vem o relaxamento a seguir.
  • Respirações  – claro. Coordenar a respiração com a contracção pode ajudar e muito. Em vez de prenderes o ar dentro ou fora, fazeres apneia e esperar que a contracção vá embora (como estás tensa, vais sentir mais dor), podes e deves inspirar profundamente, lenta e suavemente e expirar da mesma forma. Quanto mais suave, longa e lenta a respiração, melhor. No entanto, salvaguardo que não há, mais uma vez, respirações expectáveis. E se estás em contacto com o teu corpo e sentes necessidade de respirar mais rápido, mais lento, mais forte, mais suave…permite-te ir oscilando e sentindo o que melhor te serve em cada momento. (Sou suspeita, mas o Yoga ajuda muito nisto :))

E de uma forma geral, resumida e objectiva, estes são alguns dos métodos que temos para alívio da dor.

O propósito deste post é mostrar-te que há várias formas. Não apenas uma. Que não há certos nem errados. Se tens tantas ferramentas à tua disposição, usa todas as que quiseres.

O trabalho de parto é isso mesmo – um trabalho. Pode ser longo, desafiante, imprevisível. Por isso mesmo, mantém-te disponível para ir fluindo com o decorrer do trabalho de parto. Ouvindo o  teu corpo, sintonizando-te com o teu bebé e usufruindo do processo. Da melhor forma possível!

[fotografia de http://www.cradledcreations.com/]