No passado Sábado possibilitei um encontro para casais com o tema: “Dor do Parto e métodos não farmacológicos para alívio da dor” e foi tão bom!

Levantei algumas questões, relacionadas com a dor, que partilho convosco aqui.

  • O que fazes quando sentes dor?
  • Como lidas com essa sensação?

“Depende do local da dor, da intensidade, da causa….varia muito.” Responderam.

Exactamente. Quando sabemos a origem da dor torna-se mais fácil lidar com ela. Certo? Se eu sou pisada e me fica a doer o pé, eu tolero melhor do que se a dor surgir sem causa aparente.

Ou se os músculos me doem no dia seguinte a ter feito exercício intenso, eu tolero. Sei que faz parte. Neste caso até é um bom sinal. Sinal de que os músculos foram trabalhados e o treino teve efeito.

E a dor do parto? Porque é diferente? Porque é mais intensa? É das poucas dores que sentimos que significa que TUDO ESTÁ BEM. O trabalho de parto está a acontecer, o corpo está a preparar-se para abrir, para fazer nascer o teu bebé. Isso não é maravilhoso?

A percepção (mental) que temos da dor, altera a forma como a sentimos. Se souberes que é normal e desejável, torna-se mais fácil suportar. Não significa que aguentes firme, como se nada fosse. Não é nada disso. Mas a tua mente, sabendo que é natural que aconteça, não aumenta a intensidade através do medo ou da tensão. Simplesmente permite-te sentir.

Ao longo da história da Humanidade as mulheres deixaram de conseguir, com tanta facilidade, parir sozinhas. Se estivessem sozinhas, em pé, por exemplo, podiam não conseguir segurar com as próprias mãos o bebé quando este nascesse. Isto fez com que o medo do parto levasse as mulheres a pedirem ajuda, a prepararem-se com outras mulheres à sua volta. E isto foi muito útil para a nossa sobrevivência 🙂

A dor do parto, para além de permitir à mulher pedir ajuda e apoio físico, permite também que esta mergulhe bem fundo no seu próprio ser e nas suas próprias sensações corporais para ajudar o bebé a nascer. O parto é uma dança entre mãe e bebé. Se dói muito atrás, provavelmente é preciso mudar de posição corporal para que o bebé encaixe melhor na bacia. Se dói muito do lado direito, pode ser necessário orientar o corpo para a esquerda.

Imagina-te com dores menstruais, por exemplo. O que o teu corpo te pede quando sentes esse desconforto? A tua mente pode dizer-te imediatamente “um comprimido”. E o teu corpo? Talvez te peça uma posição mais fetal, trazer os joelhos para perto do peito?! Pede-te calor? Ajuda-te colocar saco de sementes ou água quente? Ajuda-te ficar deitada e dormir mais um pouco? Ou seres massajada?

No parto o teu corpo está a abrir e tem tudo o que precisa para isso acontecer. Esteve a preparar-se nos últimos meses, sabias? Por outro lado, tens o teu bebé a percorrer caminho. A sentir as contracções, a entrar em contacto com o desconforto e sentir a sua força vital para sair. Dentro do teu útero, o teu bebé está à procura da saída. A movimentar o corpo de maneira a alinhar-se para sair. Se tu não sentires nada, como podes ajudá-lo a encontrar esse caminho? Vocês são uma equipa. Se tu sentires desconforto, vais naturalmente procurar posições e movimentos que te aliviem. E isso faz com que caminhes, que aumentes a abertura pélvica. Que balances as tuas ancas num ritmo específico que te ajude a lidar com a sensação. E isso é extremamente útil.

Depois de entenderes que a dor ou a sensação (porque a dor não é mais do que uma sensação corporal. Sim, é intensa e forte! Mas continua a ser uma sensação.) tem um propósito, torna-se mais simples encará-la.

E quando a encaras, arranjas formas de lidar com ela. E é aqui que os métodos de alívio de dor entram. A tua perspectiva muda. Em vez de fugires da dor, tu aceitas que ela existe e arranjas formas de lidar com ela. E “só” isto, faz toda a diferença.

No próximo post escrevo sobre os métodos de alívio de dor. Farmacológicos e não farmacológicos.

Até já!

[fotografia de AMBER JONES/AT FIRST SIGHT BIRTH PHOTOGRAPHY]