Esta é uma questão que pode surgir em muitas pessoas.

Se eu sou doula, se tenho informação baseada em evidências científicas será que preciso de ter acompanhamento de doula durante a gravidez?

Se estou disponível para as questões emocionais que vão surgindo, se tenho com quem falar sobre elas, será que preciso de ter doula?

A doula faz mais (muito mais) do que transmitir informação. A doula dá apoio emocional. A doula é o espelho para os medos que existem, para as dúvidas mais escondidas que não têm coragem de se assumir. A doula é o abraço disponível e amoroso. A doula é o elemento neutro que partilhar informação com a/o companheiro/a porque a doula grávida, nesse momento, é apenas grávida.

O que dizia esta semana a alguém que me colocou esta dúvida é: Podes fazer o caminho sozinha. Ninguém duvida que o consigas fazer. Mas com companhia pode ser muito melhor.

Quando era pequenina achava que a cabeleira cortava o cabelo a si própria, que a obstetra fazia o seu próprio parto (e faz ahah, como todas as mulheres :p), que a professora, se ensinava a si própria.

Agora com a questão da doula, volto a lembrar-me da minha ingenuidade da infância.

Acho que no parto as doulas até têm mais do que uma doula, se puderem. Pela energia feminina, pela irmandade, pelo espaço guardado e pela ajuda prática.

Na gravidez pode surgir esta questão. Será que é necessário?

Cada doula, antes de o ser, é mulher. Se está grávida então terá as mesmas dúvidas, os mesmos receios, os mesmos medos que outras mulheres. A informação existe, é certo. Mas as emoções estão cá na mesma. E é tão bom quando as podemos partilhar, sem julgamento, com alguém que está ali, disponível só para nós.

[fotografia de http://rlarroyd.com/]