starting to spoonfeed Dr.Gonzalez

Tenho que admitir que quando o Dr. Carlos Gonzalez começou a falar, não sabia o tema que iria abordar.

Estava curiosa para o ouvir porque sei a importância que tem no mundo da Pediatria e da Amamentação, mas não sabia muito mais do que isto.

Em relação ao primeiro tema que abordou no “Humanos” – “Introdução à alimentação complementar”, tenho que dizer que sou mesmo muito leiga no assunto. Sou intuitiva em algumas coisas e pouco mais. É daqueles assuntos que sei que me vou debruçar imenso quando tiver filhos, mas para já, passam-me um bocadinho ao lado.

Por isso, tudo o que ouvi e aprendi com o Dr. Gonzalez foi mesmo útil!

De uma forma resumida, vou partilhar convosco os chavões que me ficaram da apresentação dele.

Primeiro, considerando que o bebé é amamentado até aos 6 meses exclusivo, a alimentação deve ser introduzida a partir desta altura. Um bebé que continue a ser amamentado para além dos 6 meses, tem quase tudo o que precisa através do leite materno, excepto ferro. E é por isso que é importante introduzir alimentos ricos em Ferro nesta altura.

Para além disso, a alimentação complementar é exactamente isto – COMPLEMENTAR. O que significa que não há nenhuma obrigação do bebé comer. Não tem de haver horas rígidas de refeições nem preocupações com as quantidades que come. A alimentação é introduzida quando o bebé mostra interesse nos alimentos. E aquilo que ele mais quer é experimentar. Sentir com as mãos, levar à boca, sentir o cheiro.

Como ainda não tem coordenação fina, o bebé não consegue fazer pinça com os dedos, como os mais crescidos. Por isso ele agarra com a mão toda. Assim, deve ter disponível uma colher própria para esta idade, cilíndrica e fácil de agarrar. Os alimentos devem ser apresentados em grandes palitos para que lhe seja fácil agarrar.

A água deve ser dada com copo. Isto foi algo que me marcou bastante – biberão SÓ com leite. Nada de água, de papas, de sumos no biberão. SÓ leite. E o biberão deve ser retirado ao bebé antes dos 12 meses. Não porque tenha algum efeito adverso, mas porque depois é mais difícil. E uma criança com 2 ou 3 anos que use biberão é alvo de humilhação “Tão grande e ainda com biberão.” “Pareces um bebé” “Que vergonha”.

E perante isto, o Dr. Gonzalez disse algo maravilhoso “Se deixas o teu filho usar biberão até quando quiser, então vais ter de defendê-lo como uma leoa. Se alguém o humilhar, tu terás de dizer “Sim, lá em casa todos bebemos no biberão.” E pegas no biberão e bebes à frente da pessoa! Porque se o teu filho ainda usa, é porque tu permitiste. E se o fizeste, agora defende-o.” (Tão bom!!)

Nada de levar o bebé para o berço com biberão e deixá-lo ficar enquanto adormece porque aumenta muito a probabilidade de cáries!

A partir dos 6 meses, não deve ser dado puré aos bebés, mas sim os alimentos esmagados. É normal e desejável que os bebés sintam a textura, o sabor. Não é preciso passar tudo com varinha mágica. Bem pelo contrário.

Enquanto o bebé come, deve estar sempre a ser vigiado, claro!

A água deve ser colocada num copo com asas para que seja o bebé a pegar e levar à boca (mesmo que entorne várias vezes. É água, seca.) E é importante para desenvolver autonomia e para o bebé saber que se tem sede, tem ali água, e se tem fome, tem ali alimentos.

O Dr. Gonzalez também defende que a comida deve ser a mesma para os adultos e para os bebés. Podemos cozinhar tudo junto, e no final, separar para a criança e acrescentar sal ou temperos mais fortes ao nosso.
O sal é evitado nos bebés não só pelo seu efeito adverso, mas principalmente para educarmos o paladar do bebé. Porque quanto mais salgado, mais queremos salgado. E quanto mais doce, mais doce queremos. É só para educar. Nada mais. Por isso, se um dia ou outro, a comida da criança for a mesma do adulto, exactamente igual, não tem mal. Ninguém morre por isso. (E pode ser uma boa forma de educar o paladar de todos lá em casa ;))

Outra coisa que achei interessante foi ele explicar as quantidades de carne recomendadas, por exemplo. Ele diz que se recomendam ingestão de 30 gr é porque, através de estudos e debates se percebeu que a quantidade ideal seria 23,8gr, então para ser mais fácil, arredondou-se para 30. Que não é de todo preciso andar a pesar as gramas. É mais ou menos. O Dr. Gonzalez levou um livrinho Irlandês para se guiar durante a apresentação e mostrou, por exemplo, que na Irlanda não dizem “30gr de carne de porco” ou “25gr de carne branca”. Dizem “carne”.

Em relação aos alimentos processados e prontos, disse o que já sabíamos: “É para usar numa urgência, em viagem, por exemplo.” Sempre que possível, cozinhar em casa! Controlamos nós a qualidade dos alimentos, do sal e do açúcar e é muito mais fresco, obviamente.

Os bebés devem continuar a beber leite. Não é por introduzir alimentos que a mama fica de lado. Se há alimentos ao almoço e/ou lanche, as outras 5/6 vezes que o bebé mama são para manter. Sempre que possível e sempre que desejável, claro.

No caso das crianças vegetarianas, é preciso ver os níveis de ferro para saber se é necessário suplementação.

Aqui o sugerido é que escolham pediatras que estejam familiarizados com a alimentação vegetariana para se sentirem confortáveis com a vossa escolha e para que o bebé esteja bem nutrido, claro.

E é isto. Em relação à introdução à alimentação complementar. Deixo-vos aqui o link para o livrinho Irlandês que o Dr. Gonzalez mostrou.

No próximo post falarei sobre a sua segunda palestra, sobre Parentalidade – “Autoridade e Limites”.