Olá, eu sou a

Sou doula de coração e por vocação. Sempre me deslumbrei com a gravidez, a maternidade e os bebés e quanto mais relembro os conhecimentos e a sabedoria que trago em mim, mais apaixonada fico por esta fase da vida em que doamos a vida.

Epidural – são só vantagens?


A sério que vamos falar da Epidural antes sequer de falar no parto? Sim! Ontem em conversa com uma amiga, médica e anestesista, o assunto surgiu. Apaixonada como é por anestesia, diz que no momento do parto “quer ter toda a anestesia que puder” 🙂

Conversamos sobre as vantagens conhecidas da epidural e perguntei-lhe se tinha conhecimento das desvantagens. Só assim conseguimos e podemos fazer uma escolha consciente, certo? Sabendo os benefícios e malefícios e depois escolhendo de acordo com os nossos valores, prioridades, etc.

Sabiam que a epidural é dos fármacos mais usados em partos em Portugal? E porque a maioria das mulheres pede epidural assim que entram no hospital em trabalho de parto? 
A epidural é a anestesia local administrada à mulher durante o trabalho de parto, com o objectivo de reduzir a dor, mantendo alerta e consciente a mulher e com capacidade para “fazer força” durante o expulsivo.

E os riscos associados à administração de epidural?
  • diminuição da pressão sanguínea, acompanhada de vómitos, náuseas e tonturas
  • paralisia temporária ou permanente de 1 ou 2 membros inferiores
  • stress fetal – o ritmo cardíaco do bebé é afectado cerca de 10 a 15 minutos depois da administração, voltando depois ao normal
  • contracções uterinas irregulares ou anormais (que compromete seriamente o trabalho de parto uma vez que as contracções se tornam pouco eficientes)
  • atraso do trabalho de parto em cerca de 1hora
  • aumento taxa de parto instrumentalizado – fórceps e/ou ventosas
  • aumento da taxa de cesariana
  • alívio inadequado da dor – se não for dada na altura ou dose certa
  • infecções – meningite e outras
  • dor de cabeça
  • hipertermia
  • alergia
  • asma
  • ataque cardíaco 
  • recém-nascidos com mais dificuldades na amamentação
A anestesia pode ser necessária em alguns casos, sim, mas não é na maioria. Esta serve para reduzir a dor e não para comprometer a sensibilidade. Durante o trabalho de parto há elevados níveis de oxitocina (hormona produzida em níveis elevados durante o TP responsável pelas contracções uterinas e a vinculação mãe-bebé) que estimulam a produção de endorfinas, que são anestésicos naturais. 
É importante lembrar que a dor existe por várias razões, uma das quais, para permitir à mulher sentir a dilatação e arranjar mecanismos para atenuar essa dor. Por exemplo, enquanto o bebé desce o canal de parto, é fundamental que a mulher sinta essa dor para que possa adaptar a posição do seu corpo de forma a rodar o períneo e facilitar a descida da cabeça do bebé, evitando, por exemplo, rasgar a pele.

É fantástico como o nosso organismo sabe exactamente o que fazer, não é? Acredito que conhecendo a fisiologia do parto, entendemos melhor a razão pela qual a dor existe e isso mune-nos de estratégias para lidar melhor com ela 🙂

(imagem:http://onlinemidwife.hubpages.com/hub/What-is-an-Epidural
fonte: http://www.conceiveeasy.com/get-pregnant/what-happens-during-an-epidural/
http://www.conceiveeasy.com/get-pregnant/what-happens-during-an-epidural/)

Se gostaste deste post, também vais gostar destes: