Uma vez, o G. disse-me “Não estamos a tentar. Estamos a deixar acontecer. É diferente!”.

Na altura nem liguei muito ao que ele disse porque estava mesmo contente com a nova fase da nossa vida.

O momento pelo qual “esperei” tanto tempo, estava ali. Era real. Não precisavamos mais de evitar que a gravidez acontecesse porque estavamos os dois prontos para ela. E isso era MARAVILHOSO.

O primeiro passo estava dado. Se tomassemos contraceptivos, esta era a altura em que os deixavamos de lado. Como não era o caso, esta foi a altura em que deixamos de olhar para o calendário para evitar os dias fertéis e passamos a olhar para estes dias com entusiasmo.

E é aqui que surge o título deste post!

Quando ouvimos um casal dizer “Estamos a tentar engravidar.” – o que pensamos imediatamente?

Que estão sem contracepção?

Que estão a fazer amor todos os dias nos dias férteis? (E isto pressupõe que a mulher conheça o seu corpo e o seu ciclo para saber exactamente estes dias)

Que estão a fazer amor várias vezes por dia nos dias férteis?

Que estão a fazer amor todos os dias do mês?

O G. tinha razão. Estar a tentar é diferente de deixar acontecer.

Primeiro, só a expressão “Estou a tentar” remete-nos para a dificuldade, para o esforço. “Se estás a tentar é porque podes não conseguir.”

Por exemplo, o que sentes e pensas ao ler:

“Estou a tentar subir esta escada.”

“Estou a tentar jantar.”

“Estou a tentar arranjar emprego.”

” Estou a tentar encontrar um namorado.”

É só a mim que soa estranho?

Isto ajuda-me a realizar também que, por esta razão, tantas vezes omitimos que estamos em processo de Concepção. Porque se eu digo a alguém que “Estou a tentar”, há uma cobrança (que pode nem ser dos outros. mas de mim mesma!). Um prazo a cumprir.

“Então, ainda não conseguiram?” Para além de, para quem está “a tentar”, parece que há uma obrigação de fazer TODOS os possíveis para conseguir.

E que preço tem isto? Fazer amor só porque sim? Com o objectivo de conceber apenas e esquecendo a própria relação amorosa? Esquecendo o próprio corpo, o próprio prazer, a entrega ao outro, o companheiro? Hmmm…não é assim que gostaria de conceber.

Por isso, há ciclos em que há uma forte probabilidade de haver fecundação e há outros em que não.

Mais do que querer ter filhos, quero que sejam uma continuação do amor que os pais sentem um pelo o outro. Que sejam concebidos num ambiente amoroso, respeitado, prazeroso e divertido. Não um momento puramente físico em que existe um óvulo e um espermatozóide e que para se encontrarem, por acaso, é preciso relação homem/mulher.

Cada casal tem as suas prioridades e crenças, naturalmente.

A nossa, é deixar acontecer. Até porque existe um terceiro elemento (o filho) que pode não querer ser concebido com base em calendários e checks.