Hoje a menstruação apareceu. Levezinha, sem grande evidência e assim foi chegando. Quando a vi chegar, olhei mentalmente para a minha agenda do dia e pensei “Dá para fazer tudo ou é melhor desmarcar já alguma coisa? Hmmm, ginásio ao final do dia provavelmente fica para amanhã.”

Depois do almoço começou a chegar o desconforto abdominal, a moleza, a vontade de deitar e ficar agarrada à barriga e nada mais.

Tinha compromissos e não quis adiar, por isso, lá fui. Felizmente o ambiente onde me insiro, na grande maioria das vezes, é consciente e atento, e recebi abraços carinhosos, massagem abdominal, uma faixa para colocar à volta do útero, um chá e um sofá para descansar.

E depois disto, teria babysitting, com um menino amoroso de 5 anos. Pensei logo “Vamos lá. Digo-lhe a verdade, e sempre a verdade, e dou-lhe a oportunidade de saber (mais) sobre a menstruação e a aprender a respeitar-me como mulher.”

E assim foi 🙂

Ele chegou da escola, entramos em casa, ele sentou-se no tapete da sala para brincar com os legos e comboios e eu, sentei-me no sofá agarrada à barriga. E disse-lhe:

-“Hoje estou sensível da barriga. Sabes o que é a menstruação? As mulheres, quando se tornam mulheres e já não são meninas, podem ter bebés a crescer na barriga. E o corpo das mulheres prepara-se sempre para receber um bebé. Torna-se um grande grande ninho. Mas se o bebé não chega, o corpo deita um bocadinho de sangue. E isso chama-se menstruação. Quando as mulheres estão menstruadas, principalmente nos primeiros dias, podem ficar sensíveis, com algumas dores de barriga e sem energia. Precisam de descansar. Por exemplo, eu agora vou brincar contigo, mas quero estar com o corpo quietinho e principalmente assim, encolhida.”

Ele não fez perguntas. Compreendeu o que eu lhe disse e respeitou o meu pedido. E eu sei que ele o respeitou, porque eu me respeitei primeiro.

Acredito que todos os momentos da nossa vida podem servir para contribuir para algo. Estejamos nós atentas e podemos educar sempre, com amor, adultos e crianças. Comecemos pelos que estão à nossa volta, no nosso dia-a-dia. De uma forma simples, directa e descontraída, posso educar os meninos com quem me cruzo para estas questões femininas. 🙂