Olá!

Hoje trago esta questão para reflectirmos:

“Quando é a melhor altura para dizer que estamos Grávidas? E a quem dizer?”
Ao longo do caminho que tenho feito, já fui mudando algumas vezes de resposta a estas perguntas.

Sei que é uma questão delicada e por isso proponho conversa sobre este assunto, para podermos partilhar perspectivas e poder decidir com consciência.

Sabemos que a gravidez, no seu início, é delicada e que a perda gestacional acontece. Costumamos esperar pelas 12 semanas de gestação para dar a boa nova, altura em que, as taxas de perda diminuem consideravelmente.

Quando comecei a pensar sobre isto e conhecendo-me como me conhecia na altura, achei que mal soubesse que estava grávida iria dizer ao mundo inteiro. Ou melhor, seria impossível não dizer porque eu estaria tão tão feliz que não seria possível esconder de ninguém.

Depois, ao ler sobre o assunto e saber que, energeticamente, esta é realmente uma altura muito crítica percebi que seria melhor contar apenas a quem deseje a gravidez tanto quanto nós. Energias negativas, preocupações ou maus agoiros não são, DE TODO, bem vindos nesta fase. O embrião que se está a implantar no útero, que está a desenvolver os primeiros alicerces e a agarrar-se com toda a sua força ao seu ninho, não precisa de projecções como

“E agora?

O que vão fazer?

Como vão ter dinheiro?

Têm a certeza que querem?

É uma grande responsabilidade.

E a casa?

E o trabalho?

E….E….E….”

Chega. Quem está, frágil, a agarrar-se à vida, não quer sentir hesitações ou ambivalências. Se é querido e desejado pelos pais é meio caminho andado para ter sucesso. Mas a energia projectada pelas pessoas à volta deles, sem ser intencional, claro, pode interferir nesta altura. Por isso, é sugerido guardar esta boa nova entre o casal ou no núcleo mais próximo mas, diria eu, só com pessoas que vão sentir entusiasmo e alegria e vão desejar tanto esta gravidez quanto nós.

Para além disto, guardar este segredo entre o casal reforça a relação, a cumplicidade, o amor. Por isso, tem vantagens reais!

Quanto ao próprio casal, sentir ou não a felicidade de estarem grávidos para prevenir uma desilusão ou tristeza caso as coisas não corram como esperadas, parece-me altamente injusto.

Se vivemos no momento presente, no aqui e no agora, podemos sentir tudo o que tivermos para sentir, aqui e agora. Se estou grávida, não vou sentir euforia, contentamento hoje, porque amanhã posso não estar?

E, considerando que a gravidez progride naturalmente, desperdiçamos 12 semanas de felicidade, por medo de sofrer desilusão? E o vínculo entre os pais e o bebé?

Falando de assuntos menos delicados, posso dar-vos alguns exemplos em que isto não faz sentido nenhum:

  • Vamos a um restaurante espectacular, estamos em pulgas antes de ir, no caminho para lá e quando chegamos já estamos a salivar só de imaginar a ementa. Quando o prato vem, eu recuso-me a sentir o prazer de comer, porque não tarda vai acabar.
  • Quando chego a praia, com um dia maravilhoso, em vez de aproveitar o momento, de sentir o sol e o mar, os sons e as brisas, é melhor nem aproveitar porque dali a umas horas vou embora.
  • Conheço o amor da minha vida, estou completamente apaixonada, mas é melhor bloquear a felicidade e a paixão porque pode não correr bem.
  • Aprendo a conduzir, desfruto imenso da sensação de pegar no carro, de me deslocar sozinha, ao meu ritmo, para onde quiser, mas, para o caso de ter um acidente, é melhor prevenir-me já e não andar de carro.

Enfim…

Sei que na gravidez, não é de todo com ânimo leve, que se decide isto e que, em relação às emocionais, existem padrões inconscientes que nos levam a aproveitar o momento ou a boicotar para evitar (mais) sofrimento.

É complexo e eu sei disso. Por outro lado, nunca passei por uma perda gestacional, e por isso, há aqui contornos que me podem escapar completamente.

No outro dia um amigo muito próximo dizia-me “Acho que vocês estão grávidos mas estão à espera dos 3 meses para me contar.”

Eu ri-me. Disse-lhe “Achas que conseguíamos não te contar? 3 meses? E quando estivermos grávidos vamos querer comemorar contigo. E se perdermos o bebé, vamos querer chorar contigo.”

E isto é muito honesto.

Nem todas as pessoas serão o nosso ombro preferido ou estarão capacitadas para nos apoiar nessa altura mas, deixar de viver a felicidade que é estar grávida com medo do que possa acontecer, parece-me muito injusto… Ao mesmo tempo estamos a dizer que apenas partilhamos as coisas boas. As coisas más são de evitar, de esconder, de não assumir. Não. Se há uma perda gestacional é para ser partilhada com quem fizer sentido. Não será com o mundo inteiro, claro, mas com o núcleo que nos apoia e suporta.

Sou defensora do aqui e do agora. Vivamos a vida em cada momento, permitindo-nos sentir o que for em cada momento. Se é a felicidade de estar grávida, que seja essa felicidade. Se é a tristeza desmedida de ter perdido um filho, que seja essa tristeza <3