O primeiro mês já passou e é, normalmente, o que traz os maiores desafios. Principalmente quando se trata de um primeiro filho.

A quantidade de mudanças que acontecem em tão pouco tempo é abismal e, muitas delas, nem conscientes são.

São as mudanças físicas no corpo da mulher mãe – ausência da barriga grávida mas presença de barriga mole/estranha, aumento do peito e sensações associadas, recuperação do parto – pélvis, períneo, costas, pós-cirurgia no caso de cesariana, etc.

São as mudanças hormonais e as alterações emocionais. São as mudanças psicológicas – agora temos um recém nascido que depende a 100% de nós e não vem com livro de instruções. E o estar sempre (SEMPRE) disponível é uma grande aprendizagem de serviço, humildade e altruísmo que nem sempre é fácil.

Para além disto, as mudanças no homem pai e as alterações na dinâmica familiar. O casal deixa agora de ser apenas o par e ter a exclusividade em si mesmo, para abraçar a tríade e tudo o que isso implica.

Enfim, esta fase tem tudo para ser realmente desafiante.

No nosso caso, o primeiro mês foi vivido de uma forma muito harmoniosa, natural e fluída. Intensa em amor e presença (porque um recém-nascido é assim mesmo!) e repleta de descobertas – de nós como mãe e pai, do nosso bebé – da forma como se expressa, das suas necessidades e das nossas capacidades para cuidar dele.

Sei que o meu à vontade com bebés ajuda bastante na nossa vivência. Sinto mesmo que nasci para isto e é como se fosse mãe desde sempre. Houve apenas 2 momentos (a segunda noite no hospital e a segunda noite em casa) em que olhei para o Vasco  e com toda a humildade e algum medo lhe disse “Não sei o que precisas!”

Bem, mas honestamente falando, estranho seria se soubesse sempre tudo! E uma coisa é certa, quanto mais cansada estou, mais difícil é ser intuitiva e estar totalmente disponível para ele.

Por isso mesmo, cuidar de mim (e deixar-me ser cuidada) no pós-parto tem sido fundamental!

1. A prioridade sou eu e ele (e não só ele)

Não há dúvida que, quando se cuida de um recém-nascido, a prioridade é ele. O que tenho feito também é não me esquecer de mim. Sei que ele está melhor quanto melhor eu estiver e isso é essencial. Tento cuidar-me ao máximo para me manter bem disposta, tranquila e confiante. Por exemplo, no quarto dia de vida dele apeteceu-me muito ir apanhar ar. Estava sol e eu não bebia café há umas semanas. Apeteceu-me mesmo. E fomos. Desde então temos saído praticamente todos os dias. Mesmo com chuva. Mesmo com frio. Aumentamos os agasalhos e tornamos possível. Eu gosto de estar em casa mas também gosto e preciso de sair. Adaptamos o que é preciso e mantemo-nos bem os dois.

Para além disso, não deixo que a roupa desarrumada, a loiça por lavar, o lixo por deitar fora, a areia dos gatos, etc, etc, seja mais importante do que nós. Por isso, tudo o resto espera e o meu foco mantém-se sempre onde deve estar.

2. Dormir o máximo possível

A privação de sono é dos maiores desafios do pós-parto. Há quem precise de dormir menos horas e tolere melhor esta privação e há quem precise mesmo de dormir bem e muito. Até agora, tenho lidado bem com isto. Gosto e preciso de dormir bem mas aguento-me com 6 horas de bom sono.  Durmo facilmente e em qualquer lugar mas, dormir durante o dia, deixa-me muitas vezes “molengona” e com energia em baixo. Então, percebi que arranjei uma estratégia que tem resultado – aproveitar o primeiro sono da noite do Vasco e o último da manhã. Ou seja, aproveito para dormir das 22h e as 00h e das 8h30 às 10h. Pode parecer pouca coisa mas, por noite, ganho 3h30 de sono. Nada mau! Para isso há que ser disciplinada e:

  • recusar jantares fora (ou dormir no sofá dos anfitriões ;))
  • não me estender no computador e/ou TV à noite
  • manter a sonolência da manhã e não me levantar da cama cedinho como gostava tanto, antes do Vasco nascer

3. Alimentar-me bem

Já na gravidez eu tive este cuidado. Agora ando mais gulosa, é certo. Mas continuo a ter cuidados com a alimentação. Não fico satisfeita com qualquer coisa e só me sinto realmente alimentada quando faço refeições completas, coloridas, ricas e nutritivas. Neste ponto, o Gonçalo tem cuidado muito bem de nós e garante sempre os jantares saborosos e amorosos.

 

4. Roupa, loiça e casa

Como já disse anteriormente, ter pilhas de roupa ou o lava loiças cheio é facilmente relativizado por mim. Ainda assim, preciso de ter o ambiente à minha volta minimamente limpo e organizado para a minha mente se manter descansada. Então, aceito ajuda! A minha mãe vem regularmente buscar a roupa suja e quando a traz já vem passada e dobrada (e mesmo assim fica por arrumar alguns dias seguidos!). A loiça, o Gonçalo tem tratado maioritariamente mas, também aproveito alguns bocadinhos do dia para manter as coisas organizadas – ao contrário de antes, faz-me sentir bem, produtiva e capaz. Por isso, sem expectativas nem pressões, dou o meu contributo quando possível. A casa é limpa semanalmente por uma senhora que já vinha antes e eu não me preocupo de todo com isso.

 

5. Visitas do Pós-Parto

Este ponto também pode criar alguma confusão e tensão nesta fase mas, connosco, isso não aconteceu. Naturalmente, mesmo sem dizermos nada, as pessoas à nossa volta respeitaram muito o nosso espaço. Não tivemos visitas inesperadas nem aborrecidas, nem tivemos de colocar limites constantemente para que isso não acontecesse. Não sei se por ter falado tanto disto antes do Vasco nascer ou se os nossos familiares e amigos já estão realmente educados neste aspecto (até por experiência própria), senti sempre o nosso espaço tranquilo e isso foi muito bom.

 

Sei que cada experiência é uma experiência e há bebés (e pais) mais exigentes do que outros. O Vasco é um bebé como tantos outros – é tranquilo a maioria do tempo, prefere dormir no colo ou no pano – do que sozinho na alcofa, dá-me, às vezes, 10 minutos para tomar banho e mesmo assim vai gemendo e ameaçando choro nos entretantos, mama durante 30/40 minutos, tem, pontualmente, desconfortos gastrointestinais e exige mais colinho, massagem e amor… Ou seja, sei que o nosso pós-parto harmonioso e tranquilo não tem só a ver com o nosso bebé.

Tem essencialmente a ver com a forma como nos temos cuidado enquanto família, com as prioridades que estabelecemos e com a preparação que fiz (no terreno e ao longo dos últimos anos) e partilhei com o Gonçalo antes de o vivermos.

P.S. O Pós-Parto pode ser altamente desafiante e por isso acho tão importante fazer preparação, desmistificar uma série de coisas e falar abertamente sobre estas dificuldades. Ter uma rede de apoio, outras mulheres e mães com quem partilhar dúvidas, sentimentos, sensações e desafios pode fazer toda a diferença.