No passado Sábado fui à Organii – Concept Store para aprender sobre Fraldas Reutilizáveis. Foi a minha cunhada quem me mostrou o evento e inscrevi-me logo. Aliás, acabei por ter uma responsabilidade acrescida que foi ir aprender para as duas, já que o meu sobrinho nasceu e ela já não pode ir.

Primeiro, não conhecia a Rita e gostei imenso de a conhecer. Gostei muito da forma como transmite os conhecimentos e a sua experiência e abre espaço para que cada um tente à sua maneira, da forma que melhor se adaptar à sua rotina. Como ela disse “Não é certos nem errados.”

A verdade é que no fim do workshop e sem qualquer “pressão” da parte dela, fiquei completamente convicta de que as fraldas reutilizáveis vão ser uma prática regular nos nossos dias (E com isto não quer dizer que seja integral! Podemos ir alternando…)

Como já tinha partilhado aqui no blog, talvez não o seja nos primeiros meses (2/3 meses) mas depois disso sim! (Claro que esta é a minha visão de agora e depois vou poder experimentar e confirmarei ou não se assim é ;))  E a não ser nos primeiros meses tem a ver com duas coisas:

  1. O Pós-Parto já é exigente por si só, com todas as novas rotinas e dinâmicas para aprender e integrar. Não vou colocar pressão extra com as fraldas. Se passado 15 dias já me sentir pró e quiser desafiar-me nisso, vamos lá!
  2. Por ser mais pequenino nesta altura (0-3 meses) as fraldas reutilizáveis a usar têm de ser tamanho adequado e isso requer mais investimento. Neste momento as que temos são tamanho único (excepto uma para recém nascido) e ficarão melhor ajustadas a partir dos 6kg.

Uma coisa que ficou ainda mais clara para mim é que não usaremos MESMO fraldas descartáveis convencionais mas sim biodegradáveis, tal como vos tinha dito. O exemplo que a Rita deu foi: “Coloquem a vossa mão dentro de um saco de plástico e fechem. Sintam passados uns minutos a transpiração da vossa mão e a ausência de respiração através do plástico.” – Pois, não quero isso para o rabinho do meu bebé 🙂

Bom, passando aos ensinamentos propriamente ditos:

Começando pelo início, as fraldas reutilizáveis são compostas por 2 partes:

  1. Absorvente – o que absorve o chichi e cócó e que está directamente em contacto com a pele do bebé
  2. Capa impermeável – que faz com que o que foi absorvido não passe para a roupa do bebé e por isso, é o que fica por fora

Existem então 3 tipos de fraldas:

  1. As que têm absorvente e capa juntas – uma peça só
  2. As que têm absorvente e capa com possibilidade de se juntarem – duas peças que se unem através de molas ou bolso
  3. As que o absorvente e a capa são completamente separados

E aqui há vantagens e desvantagens em cada uma delas:

  1. Vantagem: São as mais práticas – está tudo montado. É só pegar na fralda e colocar no bebé. Desvantagem: São mais densas e demoram mais tempo a secar.
  2. Vantagem: São práticas – é só montar antes de usar, unindo o absorvente à capa. É mais fácil de secar porque se separam as peças. Dá para usar a mesma capa e mudar apenas o absorvente. Desvantagem: Tem de se deixar o kit pronto para a hora da muda, se não, no momento, temos de montar. E para pais mais desajeitados, pode criar confusão.
  3. Vantagem: Dá para usar fraldas pré-dobradas com snappi a unir que são mais baratas, fáceis de secar e totalmente ajustáveis ao bebé. E podemos ter mais fraldas pré-dobradas do que capas. Dá para ter um pack de fraldas pré-dobradas do tamanho mais pequeno e usar logo nos primeiros meses e, quando deixar de servir, usar como absorventes em vez do investimento de comprar pack de fraldas recém-nascido e deixar de usar passados 3 meses. Desvantagem: É preciso saber fazer a dobra específica e formar a fralda. Para pais com pouca experiência pode ser mesmo desafiante.
  • Como sabemos que fralda escolher, então?

Primeiro precisamos olhar para estas vantagens e desvantagens e olhar para o nosso dia-a-dia. O que se encaixa melhor em nós?

Depois olhar para os materiais de que são feitas. Se os absorventes estão em contacto directo com a pele do bebé é importante que seja de fibras naturais. Aprendi uma coisa também sobre o poliéster. Tinha a impressão de que se visse poliéster escrito na descrição de uma fralda, devia instantaneamente colocar de parte. Mas não. Deve ser apenas uma parte da composição, claro. O facto de ter poliéster tem também vantagens. E quais são? Maior absorção e afastamento da humidade da pele do bebé. Imaginem duas camadas: a de cima que está em contacto com a pele de fibras naturais, a de baixo poliéster. Este composto consegue “puxar” para si a humidade e manter a pele do bebé mais seca. Por isso, para a noite em que precisamos de mais absorção, pode ser uma boa alternativa usar absorvente que tenha um bocadinho de poliéster.

  • Packs de fraldas? Sim ou Não?

Os packs que existem à venda têm a vantagem de ser mais baratos do que comprado avulso, claro. Por outro lado pode ser arriscado comprar um pack sem saber se aquele modelo se ajusta bem à fisionomia do bebé.

  • Quantas fraldas são necessárias?

Contando que um recém-nascido usa, em média, por dia 8/10 fraldas, para as lavarmos de 2 em 2 dias precisamos de 20. Se usarmos mais tarde e o bebé usar menos fraldas, é só fazer a conta para o dobro que usa normalmente diariamente.

  • O que significa quando temos fugas de chichi?

Pode significar que o absorvente está cheio e precisa de ser trocado. Ou que a fralda ficou mal ajustada nas perninhas ou na barriga – pela dobra no caso da pré-dobradas ou pelo tamanho da fralda que está desajustado ao bebé.

No caso se haver fugas à noite podemos aumentar a absorção colocando mais absorventes, diminuir a ingestão de liquídos pela hora de jantar e depois disso e usar capa de lã merino – que mantém o bebé sempre seco porque elimina a humidade através da respiração da própria lã.

  • Lavagem e limpeza das Fraldas

Acho que este é o ponto que cria mais dúvidas. Será que conseguimos dar resposta na lavagem? Temos de lavar todos os dias? Que programa usamos na máquina? Que detergente? As fraldas ficam manchadas? etc, etc

Segundo o que a Rita partilhou connosco, é mais fácil do que parece. E aqui também depende da forma como cada família lida com isto. Há famílias para quem os cócós e chichis fazem mais confusão, e outras que não.

Vamos então por fases:

  1. Quando vamos mudar a fralda ao bebé podemos ter 3 cenários: chichi, cócó mole ou cócó duro. Este último é mais fácil principalmente se usarmos liners – que são folhas biodegradáveis do tipo “papel de cozinha”. Basta sacudir o cócó para a sanita e pôr o liner para lavar (aguenta até 3 lavagens e depois vai para o lixo). Se for chichi ou cócó mole tiramos a fralda toda ou só o absorvente e colocamos no cesto das fraldas sujas.
  2. O cesto das fraldas sujas, dependendo do tamanho e da quantidade de fraldas que temos, pode servir até 2/3 dias. Devemos colocar umas gotinhas de óleo essencial Tea Tree no cesto para não haver proliferação de bactérias e não causar cheiro excessivo.
  3. As fraldas devem ser pré-lavadas a frio para as nódoas não ficarem presas nas fibras e depois lavadas num programa normal a quente. Imaginar sempre que estamos a lavar roupa muito suja. Podem ser 40º ou 60º (se muuuuuuito sujas).
  4. O detergente pode ser um normal que usemos no dia a dia, desde que não seja “Enzimático” – que são os típidos detergentes convencionais para nódoas muito difíceis. Esses detergentes têm enzimas que comem as nódoas e vão comer também as fibras naturais das fraldas. Um qualquer detergente de roupa ecológico serve ou até as nozes de saponária. Amaciadores de roupa estão fora de questão porque vão inibir a absorção da fralda!
  5. O sol é o melhor amigo anti-nódoas. Há também quem use na pré-lavagem a frio vinagre ou bicarbonato de sódio para branquear naturalmente. E também há sabonetes ecológicos específicos para tirar nódoas que podem ser usados directamente nas manchas mais difíceis.
  • E quando a fralda cheira a chichi sem ser usada?

Quando se sente cheiro de chichi da fralda antes de ser usada significa que as fibras estão entupidas. É preciso lavar novamente e de preferência à mão para massajar as fibras e deixar secar bem.

  • Quanto custam as fraldas reutilizáveis?

Há vários preços. Depende se compramos novas ou em segunda mão (há grupos no facebook só de venda de fraldas reutilizáveis), se compramos com promoções ou não. Se compramos logo pack ou vamos comprando. De qualquer das formas, os cálculos que existem mostram que há uma poupança por criança de 1500€. Quando se fala de segundos e terceiros filhos – já que as fraldas reutilizáveis bem tratadas duram mesmo este tempo, nem se compara a poupança.

No meu caso pessoal, considerando que vou usar nos primeiros 2/3 meses fraldas descartáveis e, em média, 30 fraldas custam 6,50€, por mês temos um gasto de 65€ (65 x 2 ou 3). Só para terem noção, o pack de fraldas recém-nascido (10 absorventes + 6 capas) custa 56€ (precisaria de 2 packs: 56 x 2). Mas no caso de usar fraldas pré-dobradas + capas a poupança é MUITO maior. E estou só a falar dos primeiros meses. Considerando que uma criança usa fraldas durante 2/3 anos…. enfim!

  • Então posso comprar as fraldas e estão prontas a usar?

Prontas a usar estão mas não estão optimizadas. Devem ser lavadas 3 vezes antes de usar para aumentar a sua capacidade de absorção. À semelhança das toalhas turcas que usamos no banho, quanto mais usadas mais absorventes e fofinhas.

Bom, assim na teoria parece-me realmente fácil e apenas e puramente uma questão de rotina e hábito. Vamos ver!

Deixo-vos aqui uma espécie de “Glossário” com imagens para ser mais fácil acompanhar os termos e nomes. Quase um dicionário de imagens sobre Fraldas Reutilizáveis para Totós, ahah.

Deviam ter-me visto no workshop, a tentar acompanhar os nomes e respectivas utilizações 😉

Glossário Fraldas

Glossário Fraldas2

[fotografia retirada de https://www.bambooty.com.au/]