Líbido na Gravidez – que alterações existem?

Quando procuramos informação sobre a libido sexual na gravidez vemos descrito que:

  • 1º trimestre – diminuição do desejo sexual
    • pelos enjoos, pela sonolência, pela preocupação e ansiedade
  • 2º trimestre – aumento do desejo sexual
    • confirma-se que tudo está bem, os desconfortos do primeiro trimestre passaram, a mulher sente-se mais segura e até sensual, há aumento de circulação sanguínea na zona genital o que torna a mulher mais sensível e com níveis de excitação maiores
  • 3º trimestre – diminuição do desejo sexual
    • pelo aumento de tamanho da barriga, por dificuldade de encontrar posições, aumento de cansaço e desconforto físico

Agora vou contar-vos o que acho e, também, o que tenho vivido 🙂

Para mim é claro que a relação sexual não é prejudicial ao bebé. No entanto, há muitas mulheres e homens que acham que sim. O que só por si, diminui a vontade. Não estão descansados, não se entregam, não desfrutam.

No primeiro trimestre é tudo novo. Sabemos que o feto ainda é frágil e mesmo que não haja risco para o bebé (está lá tão longe :)), pode haver desconforto emocional associado. Depois claro, se houver desconfortos comuns de primeiro trimestre, menos vontade há. Quem quer fazer amor com enjoos?

No meu caso, mesmo sem qualquer desconforto físico, a vontade era praticamente nula.

No segundo trimestre há uma relaxamento geral. A gravidez já está assumida, os desconfortos, se existiram, diminuíram e há mais facilidade em entregarmo-nos ao namoro e o desejo se manifestar. No entanto, no meu caso, não notei alterações praticamente nenhumas. Libido lá em baixo mesmo. É verdade que o aumento de circulação sanguínea na zona pélvica torna tudo mais sensível e intenso e isso é bom, mas não é frequente e assumido o desejo sexual nesta fase.

Para além disto, depois do orgasmo, o útero tende a ficar contraído e pode não ser muito agradável imaginar que o bebé está a ser apertado :/.

Falo frequentemente com o meu marido sobre isto. Acho fundamental que a relação seja aberta e haja espaço para estas questões. Estamos sintonizados e há muito respeito pela vontade um do outro. Se não apetece não forçamos e sabemos que há muitos momentos de carinho, de afecto, de sensualidade que alimentam, também, a nossa relação.

Para mim, como mulher, é essencial ter o apoio do meu companheiro nisto. Acho que muitos casais podem viver a gravidez de uma forma tensa e angustiada por causa disto.

Casais que não tenham abertura nem à vontade para falar sobre a sua sexualidade podem mesmo sentir-se mal na relação. Podem achar que têm de estar disponíveis sexualmente quando física e emocionalmente não estão – seja mulher ou homem!

Depois de se perguntarem a vocês mesmas o que sentem, perguntem aos vossos companheiros se estão bem e o que sentem. A relação é responsabilidade dos dois e deve ser falada entre os dois. Se algum não está bem, se sente incompreendido ou desrespeitado, isso influencia a relação e a intimidade. E influencia também o bebé, claro. Se o ambiente familiar não é harmonioso e tranquilo, o bebé sabe. Se a mãe está tensa, o bebé sente.

Há várias formas de viver a relação amorosa e sexual e a gravidez também nos traz a oportunidade de nos inventarmos e de experimentarmos novas sensações, novas posições e novas formas de ter e dar prazer.

O que te digo é que vale a pena falar abertamente sobre este assunto. Seja com o teu companheiro (idealmente com ele!), seja com uma amiga ou com a tua doula. A gravidez é um evento sexual na vida da mulher e está tudo ligado. Quanto mais abertura tivermos em relação a estes temas, mais desconstruímos juntos tabus e preconceitos e mais felizes e plenos podemos ser, em todas as facetas da nossa vida.