Olá, eu sou a

Sou doula de coração e por vocação. Sempre me deslumbrei com a gravidez, a maternidade e os bebés e quanto mais relembro os conhecimentos e a sabedoria que trago em mim, mais apaixonada fico por esta fase da vida em que doamos a vida.

Sobre a minha experiência em Ashram

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Quando, há uns anos, vi o fime “Comer, Orar e Amar” fiquei, tal como algumas pessoas, cheia de vontade de ir à Índia experimentar viver num Ashram.

Quando comecei a praticar Yoga estava longe de imaginar que existiam Ashrams em Portugal e muito menos a 20 minutos de minha casa. Em Janeiro do ano passado, iniciei formação de Professores de Kundalini Yoga e soube, nessa altura, que iria ter uma experiência de Ashram no final da formação. E isso aconteceu este fim de semana.

Foram 5 dias a viver num Ashram, ou seja, a viver numa comunidade, a experimentar o seu estilo de vida diário, a alimentar-me de forma consciente e totalmente saudável, a levantar-me às 5 da manhã para fazer Sadhana e a deitar-me às 21h30/22h, a fazer Seva (serviço) contribuindo assim com o meu trabalho para a manutenção da harmonia em geral, a praticar Yoga todos os dias e a aprender muito, muito!

Quando cheguei soube que Ashram Experience significa “Esforço espiritual” e que tudo o que acontecesse durante aqueles dias seria um confronto diário e constante com o meu ego. (E esta parte não é de todo novidade já que vivo diariamente sabendo que somos espelhos uns dos outros e por isso, qualquer coisa que me incomodasse durante aqueles dias seria uma lição para mim, para estar atenta às minhas emoções e reacções, da mesma forma que qualquer coisa que me extasiasse, seria também reflexo de mim).

O que aprendi foi tanto e tão profundo e ao mesmo tempo, tão simples, tão fácil, tão leve. Sei que há uma parte minha que conhece tudo aquilo, então tudo quanto aprendo é um relembrar do que, na verdade, existe em mim.

Cheguei super entusiasmada, motivada, curiosa e receptiva e saí de lá com o coração tão cheio, tão aberto, com o ego tão despido e quieto. Saí de lá mais humilde do que entrei e também mais poderosa, mais centrada e mais ligada à minha alma e à minha missão nesta vida.

Viver numa casa durante alguns dias com 40 pessoas pode não ser fácil. Mas quando tu sabes o que é esperado de ti (e neste caso a contribuição de cada um foi explicada logo no início: havia equipas de trabalho, uns para o pequeno almoço, outros almoço e outros jantar. Outros para limpeza das casas de banho, da sala de yoga e escadas e corredores), quando tu estás disposto a cumprir as regras do jogo, com humildade e obediência, quando tu estás disposto a dar o teu melhor, tu colocas-te numa posição de aprendiz e tudo é muito fluído. Quando as 40 pessoas se colocam nesta posição, então a harmonia reina e a experiência só pode ser maravilhosa!

Estive durante 5 dias a acordar às 5 da manhã, a fazer Sadhana das 5h30 às 8h00, a tomar o pequeno almoço entre as 08h e as 09h, a receber ensinamentos entre as 09h30 e as 11h30, a praticar yoga entre as 11h45 e as 13h, a almoçar entre as 13h e as 14h30, a receber ensinamentos entre as 14h30 e as 18h, a cantar Kirtana entre as 18h e as 18h30, a jantar entre as 18h30 e as 20h, a limpar a cozinha, lavar loiça e tachos, e depois a conviver, a ler, a tricotar, a rir, a partilhar, a recolher, a ouvir, a treinar….até querer ir dormir, e dormir por volta das 21h30/22h.

No Domingo fizemos uma grande caminhada depois do almoço e uma grande festa, com muita música e muita, TANTA dança depois do jantar. E eram 22h45, depois de acordar às 5h, 2 aulas de yoga, 3h de ensinamentos, 1h30 de caminhada, e 1h30 de dança e pulos e eu simplesmente não tinha sono. A energia era tanta e tão poderosa que podia ficar acordada o tempo que eu quisesse (e quem me conhece sabe quão fácil é adormecer! :p)

Às tantas, olhando para uma fotografia minha ali, naquele contexto, dei conta dessa vontade que senti ao ver o filme e dei conta da minha realidade naquele momento. De facto eu estava a viver uma experiência de Ashram e não precisei de sair do meu país, nem sequer da minha cidade!

E no final destes dias, sentia-me completamente em casa. E não só fisicamente em casa. Completamente, espiritualmente, em casa. Aquela é a linguagem que conheço e reconheço, aqueles são os valores que me regem e que me fazem sentido, aqueles são os alimentos que escolho, aquela é a paisagem que mais me faz sentir em paz. E quando termina a experiência o que fazes?

Abres os braços para o céu, agradeces todos os ensinamentos e todas as oportunidades, fechas aquele ciclo com o teu maior sorriso e deixas o coração bem aberto para o próximo. Waheguru! <3

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