Falar de algo que ainda não existe, às vezes, pode ser considerado mau agoiro, não é? Pois bem, seja o que for que o destino me reserva, eu estou de facto a preparar-me para engravidar e, por isso, vou partilhá-lo convosco 🙂

Desde que me conheço que quero ser mãe. Sinto nas profundezas do meu ser que nasci para ser mãe e, quanto mais perto vou ficando dessa possibilidade/realidade, mais sinto vontade de me preparar o melhor possível.

Já disse aqui que a formação de Doulas foi um passo gigante na minha vida. Foi, aliás, o ponto de viragem da minha vida. Virei-me para dentro 😉 Reencontrei-me. Esse foi o primeiro grande passo para esta preparação.
Depois disso, muitas coisas têm sido importantes neste processo!

O facto do Gonçalo ter os pés mais assentes na terra do que eu (no que toca a este assunto :p), tem-me confrontado com várias coisas. Uma das quais a “espera”. Se por um lado esperar pode ser altamente desafiante, por outro, tem aspectos muito positivos. Esta “espera” tem-me ajudado em vários níveis. Tem-me ajudado a confiar ainda mais num propósito maior.

“Quem sou eu para saber qual é o momento certo?” “Porque estou eu certa e o G. errado?” “Quem me diz que não é mesmo para eu aprender a esperar? A aproveitar o processo? A desfrutar do presente abrindo mão do meu futuro idealizado?”

A minha mente positiva é barra a ver oportunidades nos desafios. Por isso, em vez de ficar impaciente e frustrada, eu tenho aproveitado este tempo Pré-Concepção para dar o meu melhor. E isso significa o quê na prática? É exactamente isso que quero partilhar contigo, hoje.

Desde que casámos, em Outubro passado, que achei ser o momento ideal para termos um bebé. Eu tinha acabado de me despedir da minha profissão até ao momento, tinha virado completamente o meu rumo profissional e, no meu caso, a gravidez não me afasta de todo da “carreira”, bem pelo contrário. ahah. Claro que quero ser uma mãe presente e totalmente dedicada, mas durante a gravidez posso acompanhar mulheres, posso dar aulas de Kundalini Yoga, posso cuidar de crianças e posso costurar, por isso tudo óptimo! E o depois, logo se vê 🙂
Por outro lado, a instabilidade de estar a começar do zero estava a deixar-me um bocadinho ansiosa. Percebi assim que não queria viver a gravidez com essa ansiedade e medo. Por isso, ainda bem que não tínhamos já um bebé e que me podia dar ao luxo de experimentar não ter um ordenado.

A nível físico, resolvi fazer uma consulta de Naturopatia e saber como estava o meu corpo. Sentia-me bem, com vitalidade e energia, mas a um nível mais profundo, não sabia como estava. Fiz a consulta e percebi várias coisas. Alguns dos meus orgãos estavam preguiçosos, nomeadamente o pâncreas (Insulina), e que o açúcar tinha MESMO de ser reduzido. Percebi, também, que tinha o PH das mucosidades ácido e que isso podia ser suficiente para alterar a minha fertilidade. Percebi que tinha falta de zinco, que é um factor de crescimento importantíssimo para o feto. Deixei o ácido fólico que estava a tomar como suplemento porque podia estar a eliminar o meu zinco. Aprendi que estas vitaminas devem ser tomadas juntas, em complexo vitamínico, e não isoladas.

Assim aproveitei a consulta para alterar o que achava necessário. Fiz homeopatia, alterei alguns hábitos (café, açúcar), iniciei actividade física 3 a 4 vezes por semana e fui fazer nova avaliação há 2 semanas. Melhorei MUITO e isso deixou-me mesmo feliz!

No ginásio, sabendo deste meu plano, deram-me uma série de exercícios específica para melhorar e fortalecer a zona abdominal, já que vai ser tão requisitada durante a gravidez.

Tenho aproveitado também os últimos ciclos para medir a temperatura basal do meu corpo, observar o muco vaginal e o cólo do útero e aprender ainda mais sobre mim. No último ciclo, senti a ovulação e isso foi inédito!

Tenho estado mais perto da minha comunidade, criando relações fortes e estruturadas e sei que isso, naturalmente, vai ajudar-nos muito também no Pós-Parto.

Estou super desperta para o meu corpo, para as minhas flutuações hormonais e de humor.  Estou atenta ao que como, à variedade e qualidade, para me manter saudável e equilibrada.

Estou super conectada com o Gonçalo e disponível para a sua intuição e decisão. Ainda que me custe esperar, acredito profundamente na sabedoria dele, e não quero que a minha gravidez seja uma questão de ego. Não quero que seja apenas vontade minha. Quero que esta vontade seja partilhada, que o Gonçalo sinta que é altura para abrirmos esse espaço e permitir que o/a nosso/a filho/a venha.

A Pré-Concepção vai muito mais além do plano de engravidar. Para mim faz sentido cuidar do corpo, comprometermo-nos com a vontade de acolher um ser e com isso mudar o que for necessário. Mudar hábitos, criar novos.

A nível emocional, cada ferida sarada, cada desafio ultrapassado, deixa-nos mais fortes, mais conscientes e mais puras. Quanto mais consciência tivermos, melhores mães seremos.

Eu não tenho dúvidas que estou a dar o meu melhor para ser o ninho mais perfeito possível, em todos os sentidos 😀

P.S. Esta fotografia foi pedida por mim no último ciclo menstrual em que tive um “atraso” de 10 dias e achei que podia estar grávida. Virei-me para minha talentosa cunhada Maria e disse-lhe “Tira-me uma fotografia assim, se estiver grávida, este é o primeiro registo!” Ahah