O início desta semana foi marcado pelo acompanhamento de um parto domiciliar, intenso, desafiante e poderoso.

Para além disso, foi o primeiro que acompanhei estando grávida e, nesta gravidez, o último.

Várias coisas surgiram com este acompanhamento e o objectivo deste post não é entrar em detalhes do parto em si mas sim a grande aprendizagem que me trouxe. Como Doula, como Mulher e como Mãe.

“Não há partos perfeitos.” Não sei se esta frase feita existe e se tornou banal mas, com esta experiência, integrei isso mesmo. Não há!

Enquanto parturientes podemos escolher o melhor local – casa, casa de parto, hospital; podemos escolher a melhor equipa – se for em casa escolhemos as parteiras, doula e quem mais acharmos relevante, se for no hospital escolhemos o obstetra que nos acompanhará; podemos escolher as músicas que queremos ouvir nesse momento; podemos escolher as formas de alívio de dor que queremos ter à disposição – pode ser piscina de parto, banheira, aromaterapia, epidural, etc.; na hora H, tudo pode mudar. Quem escolhe como quer nascer é o bebé e a mãe (mesmo que inconscientemente).

Digo-te isto porque vi um parto domiciliar, humanizado, respeitado e empoderado, com tudo para ser “perfeito” (e entenda-se que foi perfeito tal como foi!) a ser traumático para o bebé e muito desafiante para a mãe.

É fundamental que conheças as necessidades da mulher em trabalho de parto e possas, antecipadamente, definir em que local e com que apoio te sentes segura. Esse é o primeiro passo para o parto acontecer. Depois disso, é confiar. Confiar porque não controlamos nada! Confiar na sabedoria do nosso corpo para parir e na sabedoria do bebé para escolher como quer/precisa de nascer.

Sim, devemos informar-nos. Sim, devemos conhecer o processo e fisiologia porque só assim estamos no comando de nós mesmas e da nossa experiência. Mas estar no comando não é controlar. O parto é muito maior do que isso. O parto é um milagre da vida e é das experiências mais poderosas e transformadoras a que podemos assistir e fazer parte.

E agora, desdizendo o título que dei a este post, quero dizer-te que: O PARTO PERFEITO EXISTE E É SOMENTE AQUELE QUE É ACEITE TAL COMO É.

P.S. Bem-vindo bebé L. e muito grata pela aprendizagem que me trouxeste.