Olá, eu sou a

Sou doula de coração e por vocação. Sempre me deslumbrei com a gravidez, a maternidade e os bebés e quanto mais relembro os conhecimentos e a sabedoria que trago em mim, mais apaixonada fico por esta fase da vida em que doamos a vida.

Nascimento da Placenta

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É para muitas mulheres uma surpresa saber que depois do bebé nascer, ainda há outro nascimento – o da placenta.

A dequitadura da placenta (nome técnico para esta fase do parto) ainda pertence ao parto e considera-se o 3º e último estadio do trabalho de parto. Lembro que no Parto Vaginal o 1º estadio é o Encurtamento e Dilatação do cólo do útero, o 2º é o momento expulsivo, em que o bebé sai através da vagina e o 3º é então o nascimento da placenta.

Este é (mais) um tema pouco falado e muitas mulheres não sabem da sua existência até ao momento do parto, em que depois do bebé nascer continuam a sentir contracções (que podem ser dolorosas) e são apanhadas completmente desprevenidas e, muito possivelmente, com alguma confusão à mistura.

No outro dia, enquanto falava com um casal grávido sobre o seu plano de parto após visita à maternidade, surgiu a dúvida “Porque administram Oxitocina depois do bebé nascer?”

Depois do bebé nascer por parto vaginal e considerando que é pouco intervencionado, não há razão para ser necessário intervir de forma a que a placenta seja expulsa. Depois do bebé nascer, há um pico máximo de Oxitocina natural no corpo da mulher (o maior pico que as mulheres podem sentir durante toda a sua vida) que faz, para além de tantas outras coisas, que o útero continue a contrair de maneira a expulsar progressivamente a placenta das paredes do útero e também a fechar os vasos sanguíneos que estavam ligados à placenta.

 

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Quando o parto é intervencionado, principalmente com administração de Oxitocina Artificial para induzir ou acelerar o processo, é normal que o corpo fique baralhado hormonalmente e que seja necessário “ajuda” nesta fase final.

Já sabem que o parto é como pecinhas de dominó em cima umas das outras, certo? Mexendo numa, toda a cadeia do processo vai sofrer alguma alteração (mais ou menos visível ou grave).

O Dr. Michel Odent recomenda que depois do bebé nascer, este seja imediatamente colocado no peito da mãe e que a mãe permaneça tranquilamente em ambiente aquecido e seguro para que o útero continue a contrair e a placenta nasça de forma natural. E este processo de dequitadura pode ir até 1 hora.

A placenta é um orgão que muito tem para nos mostrar. E de facto a relação que existe entre o bebé e a placenta durante toda a gestação vai muito mais além do nosso entendimento racional. Mas, pelo que sabemos (e vemos), a placenta só pára de pulsar quando tem a certeza que o bebé está em segurança, isto é, já respira.

É incrível as histórias reais que existem sobre as placentas. Uma que ouvi o Verão passado, na formação da Naoli foi de uma que parou de pulsar mas continuou ligada ao bebé (parto de Lótus) e depois de respirar uns largos minutos o bebé parou de respirar porque tinha membrana da bolsa dentro da boca e estava engasgado, e a placenta voltou a pulsar. (WOW!)

Sabendo que a placenta só “deixa a sua função” quando a segurança do bebé está garantida, a principal forma que temos de manter o útero a pulsar e a placenta a soltar-se das suas paredes é colocar o bebé no peito da mãe assim que nasce e deixá-lo mamar. O bebé só é capaz de mamar se estiver a respirar. E isso é um sinal claro para a placenta de que tudo está bem.

Então, das principais coisas que podemos fazer para evitar hemorragias pós-parto é PELE COM PELE e AMAMENTAR assim que o bebé quiser!

Não é só importante para o bebé que assim seja, mas fazer isto, aumenta grandemente as probabilidades da mulher sobreviver! 😀

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