“É a nossa luz e não as nossas trevas, aquilo que mais nos assusta.”

Esta frase não é minha (autoria de Marianne Williamson) mas tenho dado conta que a tenho dito várias vezes, nas mais variadas situações.

Na verdade, estou a senti-la agora, comigo, em mim. Há pouco, enquanto conversava com o Gonçalo sobre a minha vida profissional, as minhas escolhas, a minha organização e planeamento, as minhas ambições e o meu sucesso, perguntava-lhe se achava que devia fazer algo diferente.

Ele colocou-me questões, deu-me sugestões, ajudou-me a encontrar várias respostas em mim e despertou-me uma vontade imensa de fazer acontecer tudo aquilo que quero. E de começar HOJE.

Ao mesmo tempo que isto acontece, pergunto-me onde tem estado esta vontade tão clara. Eu sei que a tenho. É ela que me inspira e anima a caminhar todos os dias, neste caminho que escolhi, mas porque a estou a sentir tanto, tão forte, agora? Tenho estado adormecida de alguma forma? Anestesiada em alguns momentos?

E dei conta que sim! Dei conta que o medo da minha luz ainda existe. Que o meu ego, confortavelmente instalado em mim, ainda me quer travar, ainda deseja que não tenha tanto sucesso assim. Que exprimir completa e totalmente a minha alma e viver plenamente o meu propósito de vida, ainda é assustador para uma parte minha. Que a parte que cresceu acreditando que não é capaz, ainda, em alguns momentos, tem força. E isso justifica a preguiça ao acordar, justifica o impulso que tenho em comer doces, às vezes. Justifica o adiar de contactos importantes e que podem fazer diferença na divulgação do meu trabalho, simplesmente porque o sucesso ainda é assustador.

E isto acontece completamente mascarado no dia a dia. E acontece com tanta gente!

A nossa mente fica confortável com o que é conhecido e com o que já domina e, sempre que a alma quer expressar-se, avançar, ser quem ela é, a mente assusta-se e arranja formas de distracção. Arranja a tecnologia, arranja o sol que está tão convidativo, arranja tarefas, arranja os pensamentos negativos que nos deixam desmoralizados, arranja a comparação – “Mas a outra faz melhor do que eu…porque hei-de eu fazer?”, arranja desculpas e mais desculpas para a nossa luz continuar escondida, quietinha e sem grande expressão.

Por tudo isto, é tão importante para mim fazer yoga e meditar. Encontrar a minha força, conhecê-la, descobrir as minhas crenças limitadoras e disciplinar a mente. A meditação ajuda-me muito a limpar a mente! Ajuda-me a focar, ajuda a reduzir o ruído para a minha música interior poder ser ouvida. Ajuda-me a manter o compromisso comigo e a manter-me presente.

Como vi escrito algures, creio que no Manual de Professores de Kundalini Yoga, o Sadhana (que significa disciplina espiritual, podem ler mais sobre Sadhana aqui, por exemplo) é a oportunidade de dar à nossa mente, a companhia da nossa alma. E quão valioso isto é?

Lembro-me de, no início deste caminho valioso de auto-conhecimento, dizer a uma amiga “Tenho tanto medo de descobrir que sou horrível. Que sou uma pessoa horrível, com imensos defeitos….” E da resposta dela, exactamente como início deste post “O que mais nos assusta não é a nossa escuridão, mas a nossa luz!”

E para chegar à luz sabes o que é preciso? Limpar tudo aquilo que temos a esconder essa luz. E para isso o que é preciso? Ir ganhando consciência e estar disponível para esta viagem interior em que descobrimos tanta coisa boa, maravilhosa, e tanta coisa menos boa, desafiante. Faz parte. É mesmo assim que se cresce.

Primeiro ter noção do que fazemos que contribui para aumentar o “lixo”, ou as crenças limitadoras que temos, depois dar conta quando o fazemos e parar isso. Depois limpar o que já existe, que foi criado ao longo da vida. A nossa luz existe e já cá está. É preciso apenas limpar o que a tapa e deixá-la brilhar! Deixá-la SER essa luz <3

Ah, já agora, escrevi este post enquanto ouvia esta música! 😉