No ano passado, logo após ter deixado a minha profissão de Cardiopneumologista, encontrei um livro chamado “Tu consegues!” da Coach Joana Areias. Olhei para aquela capa e para aquela frase e algo ecoou em mim.

Eu precisava mesmo de acreditar, naquela fase, que conseguia. Estava a lançar-me oficialmente como Doula e a terminar a formação de Professores de Kundalini Yoga.

Já tinha tido uma óptima experiência com a leitura de um livro de Coaching no passado e estas ferramentas funcionam muito bem comigo. Comprei de imediato. Li, fiz os exercícios, alinhei intenções, objectivos e tarefas e cá estou eu.

Lembro-me, por alto, de um exercício que a autora sugere:

> fazer uma lista das actividades que faço no meu dia a dia e que sentimentos provocam em mim

Depois, ver que actividades faço que me façam sentir entusiasmada, inspirada, em que não sinta o tempo passar nem o cansaço.

Muitas vezes, enquanto faço qualquer coisa, lembro-me deste exercício. Páro uns segundos e observo: O que isto me faz sentir? Porque o estou a fazer? Que motivação está por trás desta tarefa?

É muito claro para mim, hoje em dia, que actividades faço e com as quais sinto os olhos brilharem tanto. Onde me sinto completamente una entre aquilo que sou e aquilo que faço. É uma sensação maravilhosa!

Ao falar nisto, recordo-me também do início do ano passado, antes de ter tomado esta decisão, da inquietude em que estava. Havia tantas coisas que fazia no meu dia a dia que não representavam aquilo em que acredito, o que me faz sentido e a minha forma de viver e de ver o mundo. Sabia que o passo estava prestes a ser dado e, talvez por isso, não sentisse grande angústia. Mas era evidente o que me fazia sentir. O desconforto. O dilema.

Actualmente os meus dias são preenchidos por momentos, actividades e pessoas que me dizem muito. Que me fazem sentido. Que dão ainda mais significado à minha vida.

Quando estou com um casal ou grávida a falar, a ouvir, a partilhar, a abraçar, a passar informação, a fazer trabalho emocional, toda eu vibro. Os meus olhos abrem-se mais do que o costume. O meu sorriso mantém-se presente. E, no final, saio com uma sensação de missão cumprida. Com uma energia contagiante que me alimenta e me mantém.

Enquanto dou aulas de Kundalini Yoga a mulheres, sabendo que se preparam para conceber e que este olhar para dentro começa ainda antes do bebé chegar, fico emocionada. E sinto-me privilegiada por poder contribuir de alguma forma para a sua chegada mais consciente.

Nas aulas para Grávidas é evidente. Saber que os bebés usufruem da tranquilidade das mães e que, naquela hora, eles são os mais importantes. Que aquelas mulheres estão ali por si mas também por eles e para eles.

Nas aulas de Pós-Parto, o efeito pode nem sempre ser visível. A mãe às vezes nem consegue fazer os exercícios. Às vezes os bebés não querem estar longe do colo e das maminhas e a parte física da aula é comprometida. Ainda assim, as mães vão às aulas, mantém-se comprometidas consigo mesmas e este auto-cuidado materno, influencia o bem estar do bebé. Tenho a certeza. E sinto-me grata por poder facilitar estes momentos.

No babysitting ou lovesitting, como gosto de o chamar, sinto-me materna. Tenho contacto com a mãe que existe em mim. Sinto o colo que lhes dou e que recebo ao mesmo tempo. Permito-me apenas estar, brincar, olhar para o mundo como eles olham. E mantenho-me atenta ao que me ensinam. À pureza que trazem e que me inspira tanto a ser melhor, sempre.

A costura e os trabalhos criativos são uma forma de canalizar a minha criatividade e de materializar as minhas ideias. Fazem-me sentir capaz e orgulhosa do que consigo fazer. Desafiam-me e aumentam a minha paciência, permitem-me experimentar a auto-crítica e a gentileza comigo mesma e ao mesmo tempo.

Sou estas várias vertentes e manifesto-as desta forma. Depois de excluir o que não me fazia sentido, aprendi a incluir aquilo que faz. Sou feliz a fazer tudo isto porque eu sou tudo isto. Sou Doula, Professora de Kundalini Yoga para Mulheres em Pré-Concepção, Grávidas e Pós-Parto, sou criadora e costureira no Vermelho Morango e criadora de ferramentas didácticas para o período Perinatal e sou Babysitter.

E claro, vou perguntar-te agora, e tu? O que te faz vibrar? O que fazes que está alinhado com aquilo que acreditas? Com a tua forma de viver? Que actividade tens ou gostarias de ter que levaria a desfrutar do tempo como quando eras criança? Sem horas, nem pressa? Só vontade de ficar e fazer mais e mais?