Quando falo em 40 dias Pós-Parto são muitas pessoas que me perguntam “Porquê 40?” e “Porque são importantes?”. Resolvi hoje, no dia em que o Vasco faz 40 dias de vida e nós juntos fazemos 40 dias de Pós-Parto, escrever sobre isso para que mais mães (e famílias) saibam a importância desta quarentena e a possam respeitar, honrar e viver.

Começo por contextualizar os 40 dias e a sua importância

Através das tradições antigas e saberes ancestrais, sabemos que os primeiros 40 dias após o parto são de extrema importância para a mãe e para o bebé. Nestes dias, a privacidade da família deve ser protegida e este é o tempo para descansar, rejuvenescer e para permitir a vinculação da mãe, do bebé, do pai e das outras crianças.

Durante esta fase, a mãe deve estar totalmente disponível e focada no bebé, deve escolher bem os alimentos que ingere e que ajudam na recuperação do útero e deve ter ajuda de familiares e/ou amigos que possam assegurar a comida, loiça, roupa e organização da casa.

Neste tempo o campo electromagnético entre a mãe e o bebé define-se e os valores mais profundos de segurança são transmitidos ao bebé. Convém relembrar que o bebé esteve durante 9 meses dentro do corpo da mãe e, por isso, a aura (e os restantes 7 corpos espirituais) era partilhada entre mãe e bebé. É importante fazer a passagem dos bebés do meio intra-uterino para extra-uterino de uma forma suave e tranquila.

Por isso, é importante que a mãe e bebé não estejam afastados mais do que 3 metros para solidificar a aura e fortalecer a ligação/vínculo entre eles.

Algumas de nós podem sentir medo de se render a este processo com medo de perder a sua independência e identidade como pessoa, passando a ser apenas mãe. Mas estes 40 dias são lindos, necessários e vitais para o bebé desenvolver a segurança em si mesmo. Este amor vivido nesta fase vai moldar o resto da vida dos nossos bebés. E a forma como os bebés, em adultos, vão procurar companheiros, casar e criar família é muito influenciado pela experiência destes 40 dias.

É uma fase importante para a nossa própria recuperação e para a transição da nossa família que agora passa a ter mais um elemento.

Este “tempo sagrado” é único e nunca mais se volta a repetir. Precisamos de o honrar, de o proteger e de o celebrar.

 

E deixo agora como partilha, escrito para o Vasco, a nossa quarentena e o 40º dia de vida

Estes 40 dias passaram a voar. Parece menos tempo porque 40 ainda é um número grande, ainda que estejas presente nas nossas vidas como se sempre tivesse sido assim.

Desde que soube da importância desta quarentena que o que mais retive foi “Não me afastar mais do que 3 metros do meu bebé”. Tenho que te confessar que isso aconteceu algumas vezes cá em casa (porque o quarto está afastado da cozinha mais do que isso) mas não mais do que alguns minutos.

Fora de casa aconteceu 3 vezes. A primeira, tinhas tu 3 dias, quando ficaste no carro com o papá enquanto fui à farmácia comprar pomada para as maminhas. Fui muito rápido e, só quando estava a voltar para o carro me lembrei “Ahhhh, 3 metros”. Quando cheguei estavas ao colo do pai porque começaste a chorar mal eu saí do carro. (Lamento o choque meu amor. Ainda por cima, estavas tão bem a dormir que nem te expliquei o que ia acontecer).

De resto estamos praticamente sempre colados um ao outro. Sei da importância desta proximidade, do colo e da nossa pele junta e tenho todo o prazer em oferecer-te esta segurança. E comprovo-o na qualidade dos teus sonos. Quando dormes ao colo ou no pano, tens um sono muito mais profundo, longo e descansado do que quando estás deitado na alcofa (mesmo que a 15 cm de mim). Às vezes não é fácil…porque quero preparar comida ou tomar banho ou vestir-me e não dá para estar contigo ao colo. Dou o meu melhor, já sabes!

De resto, és alimentado sempre que queres e pedes, nunca choraste sozinho mais do que 1 minuto e quando choras ao nosso colo dizemos-te sempre que “Estamos aqui para ti”, que te “Amamos” e que “és perfeito tal como és”.

Todos os dias te digo “Amo-te” três vezes, todos os dias canto para ti e adoro ser o teu porto seguro onde te acalmas, onde adormeces, onde resmungas e onde sorris.

Que estes teus primeiros 40 dias são o alicerce mais bem montado de todos. Que possas sentir a segurança, a paz e o amor desta fase e que sejam essas as bases da tua vida inteira. Estamos a dar o nosso melhor e estou muito orgulhosa do nosso trabalho de equipa. Meu amor querido!

P.S. Vamos fazer um jantar especial cá em casa hoje para celebrar este teu (nosso) dia!

P.S.S. Não vou, a partir de amanhã, deixar-te longe! Não penses que esta regra da proximidade era válida apenas até hoje. Até hoje era fundamental, a partir de amanhã é uma escolha baseada no que eu sinto como tua mãe e no que tu expressas como meu filho.

 

Termino com este texto de Yogi Bhajan, para que todas honremos o colo de mãe

No colo da Mãe

A mãe é a única que pode ensinar à sua criança sobre ternura e compaixão. É o contacto com o colo gentil da mãe nos primeiros sete anos de vida da criança que  a ensina a ser um homem justo, tolerante e compassivo no contacto com os outros ….

Todo o sistema nervoso e, consequentemente, toda a capacidade de auto-controlo é determinado pelo toque da mãe. Todo o carácter humano que tem essa gentileza da qual a humanidade se orgulha, vem do toque gentil de uma mulher.

Os nossos valores de aceitação dos outros, hospitalidade, compaixão, dor pelos outros, pensamento nos outros, sacrifício, acolhimento, – tudo isso é aprendido no colo da mãe.

Nas escrituras diz: “Qualquer bem que exista no homem é aprendido no colo da mãe”. É importante da instituição da mulher como mãe na nossa sociedade.”