Quando trabalhamos por conta própria, somos os chefes de nós mesmos. E, se por um lado pode ser mais fácil não ter ninguém a avaliar-nos, por outro é altamente desafiante. A avaliação é, ou deve ser, feita por nós mesmos e pelos nossos clientes directos.

No caso do meu trabalho como Doula, tenho pensado algumas vezes sobre isto. Que indicadores uso para me auto-avaliar? O feedback dos casais que acompanho é óbvio. A relação que se estabelece entre nós também. E mais?

Será que é útil usar como indicador o tipo de parto que cada mulher e bebé vivem? E se a maioria das mulheres que acompanho tiverem de recorrer a Cesariana? Até que ponto isso define o meu trabalho como Doula?

E se a taxa de intervenções for alta?

E se a taxa de amamentação for baixa?

E se a taxa de depressão pós-parto for alta?

Sempre que vejo e estou com um casal que acompanhei como doula, lembro-me de vir aqui escrever este post: “Hoje é o dia!”

Um indicador que uso, instintivamente, para me auto-avaliar é o grau de felicidade e de vínculo do casal e do bebé no pós-parto. Se eu vejo o casal unido (mais unido do que antes), feliz (mais feliz do que antes), com uma ligação emocional ao bebé forte e altamente vinculada, sinto que fiz um bom trabalho como Doula.

E não importa como foi o parto.

Importa-me como a mulher está resolvida com o parto que viveu. Porque isto sim faz a diferença!

Interessa-me muito ver uma mulher no pós-parto tranquila com a sua história, com as suas escolhas de amamentação, apoiada e respeitada pelo companheiro. Alerta, atenta e disponível para o seu bebé. Gentil consigo e com os que a rodeiam. Interessa-me ver bebés vinculados com os pais. Que olham apaixonados para as mães. Que se aconchegam nos seus colos. Que têm o colo do pai disponível tanto quanto o da mãe. Interessa-me ver pais activos no pós-parto, ver famílias organizadas que ajudam os recém-pais, amigos sensibilizados para a questão das visitas porque os pais falaram abertamente sobre este assunto. Interessa-me sentir ambientes tranquilos e calmos quando os visito no pós-parto e ver mulheres de pijama e despenteadas quando me recebem. Acima de tudo, que recém-mães me digam “estou tão feliz e tão cansada”

Tudo isto são indicadores que uso e que não são matemáticos. Não pretendo criar tabelas de avaliação apenas com tópicos como “parto vaginal”, “parto com fórceps/ventosas”, “cesariana”, “leite artifical”, “amamentação >6meses” ou “depressão pós-parto”. O meu trabalho é, sem dúvida, de educação na gravidez, para o parto e para o pós-parto, mas é, acima de tudo, um trabalho para a consciência, para o empoderamento, para o vínculo entre mãe/pai e bebé, para a comunicação eficaz, para o relacionamento saudável e feliz, para a saúde emocional e mental das novas famílias e das novas gerações. E isso não se mede com tabelas nem a curto prazo.