Olá, eu sou a

Sou doula de coração e por vocação. Sempre me deslumbrei com a gravidez, a maternidade e os bebés e quanto mais relembro os conhecimentos e a sabedoria que trago em mim, mais apaixonada fico por esta fase da vida em que doamos a vida.

Para ti, Salvador

“Adoro o teu cheiro e a tua pele. Adoro o teu nariz. Adoro o desenho das tuas orelhas. Adoro os reflexos dos teus cabelos. Adoro quando abres os olhinhos, para nos espreitar. Adoro quando me deixas dar-te beijos sem resmungares. Adoro que o meu colo te acalme. Adoro-te até quando fazes caretas feias. Adoro as tuas unhas. Adoro as tuas bochechas rosadas.
Estive contigo 2 horas durante toda a tua vida, e já te amo mais que muito.
Quero-te aqui, pertinho. Já tenho saudades tuas Salvador.” – Esta foi a primeira vez que escrevi para ti depois de nasceres.
Hoje escrevo-te para te felicitar, para comemorar os teus 5 anos de vida, para te AGRADECER! Sinto tanta tanta gratidão por ser tua tia meu amor.
Há 5 anos fui acordada pela primeira vez a meio da noite com o alerta “REBENTARAM AS ÁGUAS”. Eram 4h e pouco da manhã, comecei aos saltos pela casa, do quarto à cozinha aos gritos “é agora, é agora, é agora. WIIIII, YEAAAAHHH”. A avó teve de me lembrar as horas que eram e que vivíamos num prédio para dosear a expressão de tal euforia! Fomos todos para a maternidade, a avó ia fazendo Reiki à mamã para aliviar um pouco as dores das contracções. Quando chegamos à maternidade soubemos que era possível a mamã ficar acompanhada por uma pessoa. O papá não quis ficar, a avó também não e eu fui apanhada completamente de surpresa! Perguntei à mamã se queria que eu ficasse (sem fazer ideia na verdade para o que ia). Disse-me que sim – “Oh meu deus! Ok!” 
Fiquei ao lado da mamã e não sabia o que fazer. Respirava com ela provavelmente. Observa-a. Apenas isso. Observava. Ouvia uma mulher do quarto ao lado a gritar, a vocalizar com as contracções e a mamã respirava, sentia-te. Sentia-se. Lembro-me que fiquei pasmada com a concentração dela. Com a tranquilidade. UAU! 
CTG, Soro, a boca seca da mamã e não havia água, a fome da mamã e não havia comida, ok, era assim e a mim não me competia fazer nada. Dava-lhe festinhas. Sim! Lembro-me agora que lhe dava festinhas e beijinhos nos braços :’) Dava-lhe festinhas na barriga e falava contigo também – meu feijãozinho desde sempre! 
As pausas que fazia eram obrigadas pelas enfermeiras que de vez em quando pediam para sair. Aproveitava e vinha comer. Não tinha fome, nem sede, nem sono e já seriam umas 15h/16h… Sei que nesse dia o meu único alimento foi um gelado. Eu estava completamente envolvida no processo. Estava atenta e ansiosa. Não sabia que o trabalho de parto demorava tanto tempo. Não fazia a mínima ideia!!
Perto das 17h fui com a mamã e as parteiras para a sala de parto. Eu agarrava a mão da mãe e dava-lhe festinhas na testa, na cara, beijinhos e tudo quanto mais me apetecesse fazer, desde que do peito para cima. A mamã já estava cansada de tanta força, as parteiras davam-lhe indicações, chamaram um médico para ajudar ” a empurrar-te”, ouvia falar em fórceps, intencionalmente canalizava toda a minha força para a mamã, para aqueles últimos momentos e de repente tu chegaste. Foste posto na barriga da mamã. Eu vi-te e chorei tanto, tanto. Que alegria tão grande! Disse à mamã: “Já está, já está. Está aqui. Está aqui!!” A mamã chorou também, sorriu muito e levaram-te para limpar e pesar e afins. Trouxeram-te de novo para mamares e ficaste junto à mamã. Que lindo tu eras meu amor. Que lindo tu és!!
Contigo eu descobri quem eu sou. E descubro todos os dias das nossas vidas. Mostras-me tanto de mim. Mostras-me a essência do amor. O amor incondicional. Ensinas-me tanto. E eu sou-te tão grata por isso meu bem. 
Foste o primeiro parto a que assisti. Foste o primeiro bebé que eu vi nascer. Foste a primeira gravidez que acompanhei de tão perto. Foste o primeiro. O meu primeiro sobrinho. Meu primeiro grande, grande amor!
Parabéns Salvador! Pelos teus 5 anos de vida! 😀

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