Este foi um dos temas que mais me espantou durante a formação de Doula. Como sabem ainda não sou mãe. Nenhuma das minhas amigas é. Por isso, se não fosse o parto do meu sobrinho ao qual assisti em 2010, não fazia nenhuma ideia pelo que uma mulher passa em trabalho de parto, especificamente no hospital.

Como é fácil compreender há uma tríade cíclica presente durante o trabalho de parto (e em qualquer outra situação da nossa vida, diria eu) –“medo-tensão-dor”, descrita inicialmente pelo Dr. Grantly Dick-Read no seu livro “Childbirth Without Fear” na década de 40.
Basta pensarmos numa ida ao médico ou na realização de um exame médico pela primeira vez. Ouvimos um nome técnico que não conhecemos ou vemos uma expressão facial menos simpática. O que sentimos?
Agora imaginem isto durante o trabalho de parto que só por si é um momento muito intenso, com grandes alterações hormonais a acontecer, muitas vezes com histórias ouvidas e apreendidas, sem apoio…
Bom, esta série de posts (são tantos que precisamos de um post para cada procedimento) serve essencialmente para informar e desmistificar muitos dos procedimentos que acontecem no parto hospitalar. Acredito que conhecendo o processo pelo qual vamos passar e sabendo o que pode acontecer em cada fase será mais fácil descontrair e confiar, evitando assim que o medo, gere tensão e dor, aproveitando e vivendo este momento da forma mais consciente e feliz possível! 🙂
Então, vamos seguir uma mulher desde que entra na maternidade em início do trabalho de parto:
  • A mulher ou companheiro/a dirige-se ao balcão do hospital para dar entrada onde são pedidos todos os seus dados pessoais
  • Depois é encaminhada para outra sala onde é feita uma consulta breve – quanto tempo de gestação, algum problema durante a gestação, há quanto tempo houve rompimento da bolsa, de quanto em quanto tempo sente as contracções, etc
  • É pedido que tire a sua roupa e vista uma batavestido do hospital
E normalmente é a partir daqui que se iniciam os procedimentos mais comuns. O que vamos explicar hoje é a TRICOTOMIA.
Tricotomia ou depilação púbica é muitas vezes feita com a justificação de que é mais higiénico para a mãe e bebé. No hospital fazem-na também para que a zona fique mais visível no caso de ser necessária Episiotomia (outro procedimento que explico noutro post).
Aqui surge uma questão: Para que servem os pêlos? Porque temos pêlos nas sobrancelhas? E nas axilas? Para nos proteger no caso dos olhos e do cabelo, e por questões de higiente, no caso das axilas e da zona púbica uma vez que mantém as toxinas expelidas longe da pele.
No hospital, a depilação é feita com corte o que pode provocar microcortes na pele. A probabilidade de arder, fazer comichão e infectar é elevada. Por isso, se já há o hábito de fazer depilação na zona púbica, a mulher pode continuar a fazer e preparar-se para a altura do parto. Se não, é bom aparar os pêlos antes de entrar no hospital e pode sempre dizer que não quer que lhe façam Tricotomia.
Temos este direito. Em tudo 🙂
(adaptado do “Manual de Doulas” da Doula Maria Luísa Condeço)
imagem de http://albrightcreativeimagery.com/birth/hospital%20birth%2009.109.0038.php)