São tantos os procedimentos hospitalares que a nossa série de posts sobre este assunto ainda nem deve ir a meio… Hoje vamos abordar dois procedimentos. Vamos então continuar a acompanhar a nossa mulher? 🙂
  • A mulher ou companheiro/a dirige-se ao balcão do hospital para dar entrada onde são pedidos todos os seus dados pessoais
  • Depois é encaminhada para outra sala onde é feita uma consulta breve – quanto tempo de gestação, algum problema durante a gestação, há quanto tempo houve rompimento da bolsa, de quanto em quanto tempo sente as contracções, etc
  •  É pedido que tire a sua roupa e vista uma batavestido do hospital
  •  É realizada Tricotomia ou depilação púbica
  •  É realizado Clister ou Enema
  • A mulher está nesta fase deitada, com Soro IV a correr e administração de Oxitocina artificial
A mulher é colocada de barriga para cima e é ligado o CTG.

O CTG (cardiotocógrafo) é um equipamento médico que regista os batimentos cardíacos fetais e as contracções maternas e é ligado à mãe através de um cinto à volta da barriga. O CTG é realmente importante para ir analisando os batimentos cardíacos fetais para detectar sofrimento fetal. No entanto, o registo contínuo do CTG inibe o movimento da mãe evitando que esta se coloque na posição mais confortável para si, caminhe durante as contracções, etc, e há inclusive um estudo científico feito por Thacker, Stroup e Chang que demonstra que o único efeito na utilização contínua do CTG durante a fase de dilatação é o aumento de taxa de cesarianas.
É fácil perceber porquê. Imaginem-se constantemente a ouvir o coração do bebé. E por alguma razão, este acelera, ou abranda, o que pensam? E se abranda “demasiado”? Estará tudo bem? Porque abrandou? Porque acelerou? A constante auscultação do batimento cardíaco do bebé provoca ansiedade à mãe, que consequentemente aumenta o batimento cardíaco do bebé. Há vários estudos sobre este tema que comparam o CTG contínuo com o intermitente 🙂
A alternativa é então que o CTG seja intermitente, apenas quando necessário. Assim evita-se esta fonte de ansiedade e a mãe mantém-se livre para caminhar, se sentir essa vontade, durante a fase de dilatação.
Então e como se avalia a dilatação? No hospital, através de outro procedimento médico: TOQUE VAGINAL. Este procedimento teve origem nas décadas de 70/80 através do protocolo de Dublin em que uma série de práticas foram introduzidas durante o trabalho de parto conseguindo diminuir as taxas de morbilidade e mortalidade perinatal. Um dado muito importante que não ficou registado foi que em todas equipas do estudo havia um cuidador que ficava sempre com a mulher (podem ler sobre os benefícios de ter um cuidador durante o trabalho de parto aqui).
O toque vaginal tem o objectivo de verificar a evolução do trabalho de parto, especialmente depois da ruptura da bolsa amniótica. O toque vaginal é normalmente feito de hora a hora e nem sempre é pela mesma pessoa. Aqui é muito importante referir que os profissionais de saúde que prestam cuidados no hospital não conhecem a história de vida daquela mulher, certo? E se se trata de uma mulher com história de abusos sexuais? Fazem ideia do trauma que pode ser a inserção de uma mão pela vagina? São realmente temas muito sensíveis e que variam muito de mulher para mulher! 
Quando feito, o toque vaginal deve ser realizado sempre pela mesma pessoa, com pedido de permissão antes (o corpo é nosso!) e com especial atenção ao risco de infecção, principalmente depois da ruptura da bolsa. 
Mais uma vez reforço que todos os procedimentos realizados à mulher durante o trabalho de parto devem ser feitos com a máxima humanização. É um momento único na vida da mulher e do bebé! É preciso ser respeitado e este respeito começa na mulher. Na mulher que se conhece, que se respeita e que defende as suas vontades. :))
(adaptado do “Manual de Doulas” da Doula Maria Luísa Condeço
imagem de http://www.evidentlycochrane.net/fetal-monitoring-in-labour-the-challenge-of-balancing-the-benefits-with-harms/ )

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