Passo a passo aproxima-se o momento do expulsivo! A mulher está quase a conhecer o seu bebé e a senti-lo nos braços. Como decorrerá o resto do trabalho de parto? Será tudo como ela imaginou? Ou será que imaginou tudo pelo qual está a passar? Teve informação antecipada dos procedimentos? 🙂 O meu grande objectivo é mesmo dar a conhecer a todas as famílias, especialmente às mulheres, tudo pelo qual podem passar e tudo aquilo que podem escolher. 
Continuando…
  • A mulher ou companheiro/a dirige-se ao balcão do hospital para dar entrada onde são pedidos todos os seus dados pessoais
  • Depois é encaminhada para outra sala onde é feita uma consulta breve – quanto tempo de gestação, algum problema durante a gestação, há quanto tempo houve rompimento da bolsa, de quanto em quanto tempo sente as contracções, etc
  •  É pedido que tire a sua roupa e vista uma batavestido do hospital
  •  É realizada Tricotomia ou depilação púbica
  •  É realizado Clister ou Enema
  • A mulher está nesta fase deitada, com Soro IV a correr e administração de Oxitocina artificial
  • Está ligado o CTG contínuo e é feito o toque vaginal de hora a hora
Bom, ainda não tinha sido referido mas a mulher deu entrada na maternidade pela frequência das contracções. Não tinha qualquer sinal de ruptura da bolsa, nem perca do rolhão mucoso por isso as membranas amnióticas continuam intactas. O que fazer para acelerar o processo? Romper artificialmente. Este procedimento médico chama-se AMNIOTOMIA, é muito comum nos hospital portugueses e é feito normalmente durante o toque vaginal.
É feito pela crença de que diminui o tempo de trabalho de parto, no entanto, as evidências não apoiam este procedimento em mulheres em trabalho de parto espontâneo. Há ainda 15 estudos que envolveram 5583 mulheres em que se registou um aumento do número de cesarianas e nenhuma diminuição da primeira fase do trabalho de parto (dilatação).

Este procedimento aumenta:
  • risco de infecção para bebé e mãe,
  • risco de sofrimento fetal (sem o líquido amniótico, o bebé sente muito mais as contracções uterinas numa fase que provavelmente será precose. Se a ruptura da bolsa não foi espontânea, por alguma razão é, não? :))
  • risco de prolapso do cordão
  • desconforto para mãe (contracções mais dolorosas para a mãe)
É importante fazer amniotomia em casos específicos em que é necessário ver a cor do líquido uma vez que isso determina a saúde, ou não, do bebé, não de forma rotineira como acontece nos dias de hoje.
Mais, há bebés que nascem dentro da bolsa amniótica e pode ser até uma forma de serem protegidos contra infecções da mãe. Ao estarmos a proceder de forma artificial estamos mais uma vez a alterar a cadeia e a potenciar consequências não desejadas.
Deixo-vos imagens LINDAS de bebés que nasceram dentro da bolsa 🙂 Deliciem-se e acreditem que é possível!
(adaptado do “Manual de Doulas” da Doula Maria Luísa Condeço
imagens de http://maternityleaf.com/artificial-rupture-of-membranes/
http://empoweredbirthdoulas.tumblr.com/
http://www.babygaga.com/t-2387627/babies-born-still-in-sac.html)
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