Bom dia! Já vamos no post VI desta série. Há mesmo muita informação para partilhar acerca deste tema, o Parto. E estamos só a falar do parto hospitalar e dos procedimentos médicos 🙂 A maternidade é um mundo! Um mundo apaixonante :))

Continuam a seguir-nos nesta aventura? O bebé está quase a nascer…Já lá vão umas 5 horas em trabalho de parto. Voltamos a ver passo a passo o percurso da mulher:
  • A mulher ou companheiro/a dirige-se ao balcão do hospital para dar entrada onde são pedidos todos os seus dados pessoais
  • Depois é encaminhada para outra sala onde é feita uma consulta breve – quanto tempo de gestação, algum problema durante a gestação, há quanto tempo houve rompimento da bolsa, de quanto em quanto tempo sente as contracções, etc
  •  É pedido que tire a sua roupa e vista uma batavestido do hospital
  •  É realizada Tricotomia ou depilação púbica
  •  É realizado Clister ou Enema
  • A mulher está nesta fase deitada, com Soro IV a correr e administração de Oxitocina artificial
  • Está ligado o CTG contínuo e é feito o toque vaginal de hora a hora
  • É realizada Amniotomia para acelerar o trabalho de parto
Será que a mulher já não aguenta as dores? É lhe oferecida EPIDURAL. Afinal de contas não vale a pena sofrer assim, não é? E depois já pode ser tarde e não fazer efeito para o momento expulsivo. Bom, vamos lá então apaziguar as dores. A Epidural já foi falada aqui 🙂 É muito importante conhecer as vantagens e as desvantagens. As sensações depois da administração e os efeitos secundários. Conhecer o que vai acontecer com o corpo para que, mais uma vez, não haja ansiedade desnecessária. Se depois da Epidural a mulher sentir tonturas ou enjoos, é bom que saiba que é normal. Assim evita-se que se assuste e o medo atrapalhe o processo 🙂
Durante toda a fase de dilatação a mulher está em POSIÇÃO SUPINA. ou seja, está deitada de barriga para cima. Esta posição começou a ser instituída depois da descoberta dos Fórceps, no século XVII, uma vez que permitia ao médico um campo de visão totalmente limpo e de fácil intervenção. Antes disso, na maioria das imagens onde se vê mulheres a parir, estas estão em posições verticais ou neutras (deitadas de lado ou gatas) por serem favorecidas pela força da gravidade. No hospital esta posição é muito útil também porque mantém o CTG de forma contínua como também já foi falado aqui.
É importante saber que a posição supina pode diminuir a pressão arterial materna e reduzir o fluxo de sangue para o bebé devido ao peso que o útero exerce sobre as principais veias. 
Já passaram mais umas quantas horas e chegou o momento do expulsivo! A mulher é colocada em POSIÇÃO DE LITOTOMIA, ou seja, mantida de barriga para cima, com pernas abertas, dobradas em 90º e apoiadas em estribos, expondo totalmente o períneo. Esta posição é a menos recomendada, mas a mais usada! Isto porque, como o períneo está totalmente exposto, é fácil intervencionar (Episiotomia, Ventosas, Fórceps) caso seja necessário e o risco de hemorragia também é menor.
Esta posição não facilita o trabalho de parto já que o peso do bebé está concentrado nas costas da mãe e a comprimir os vasos sanguíneos em vez de pressionar o colo do útero para fazer a dilatação. Para além disto, a mãe tem de fazer muito mais força para expulsar o bebé uma vez que tem de contrariar a gravidade, o bebé tem de subir para nascer. Esta força excessiva vai esticar o períneo e aumentar muito a probabilidade de laceração. 
A forma simples que temos de evitar tudo isto é deixar a mulher escolher a posição em que se sente mais cómoda, confiante, confortável e em que haja progressão do trabalho de parto. Se for dada à mulher esta oportunidade, ela vai experimentando algumas posições até encontrar a que é a certa para si! Mais, ela vai até movimentando o corpo de forma a lidar melhor com a dor. Por exemplo, se a cabeça do bebé está a pressionar as costas e a ser muito doloroso, se a mãe mudar de posição para uma em que esta pressão nas costas não se verifique, vai beneficiar muito! 
Só para terem uma ideia da quantidade de posições que há: (WOOOW não é?)
Ao permitirmos que a mulher escolha a sua posição, estamos uma vez mais a empoderá-la, a dar-lhe o poder de decisão, a ajudá-la a ser responsável e consciente pelo momento :))
(adaptado do “Manual de Doulas” da Doula Maria Luísa Condeço e de 
http://adeledoula.blogspot.pt/2012/08/posicoes-de-parto.html
imagens de http://www.improvingbirth.org/2013/09/goodmothers/
http://www.bespokebirthing.co.uk/positions-for-labour-birth-2/
http://mygreenandnaturalpregnancy.blogspot.pt/2012/06/positions-for-labor-and-giving-birth.html
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