Olá, eu sou a

Sou doula de coração e por vocação. Sempre me deslumbrei com a gravidez, a maternidade e os bebés e quanto mais relembro os conhecimentos e a sabedoria que trago em mim, mais apaixonada fico por esta fase da vida em que doamos a vida.

Parto hospitalar – conhecendo os procedimentos médicos (parte VII)

E o bebé está quase quase a nascer!!! Será que chegou o último post da nossa série de procedimentos hospitalares?! 🙂
Revendo passo a passo e integrando cada fase do processo:
  • A mulher ou companheiro/a dirige-se ao balcão do hospital para dar entrada onde são pedidos todos os seus dados pessoais
  • Depois é encaminhada para outra sala onde é feita uma consulta breve – quanto tempo de gestação, algum problema durante a gestação, há quanto tempo houve rompimento da bolsa, de quanto em quanto tempo sente as contracções, etc
  •  É pedido que tire a sua roupa e vista uma batavestido do hospital
  •  É realizada Tricotomia ou depilação púbica
  •  É realizado Clister ou Enema
  • A mulher está nesta fase deitada, com Soro IV a correr e administração de Oxitocina artificial
  • Está ligado o CTG contínuo e é feito o toque vaginal de hora a hora
  • É realizada Amniotomia para acelerar o trabalho de parto
  • É administrada Anestesia Epidural
  • A mulher mantém-se em posição supina como durante toda a fase de dilatação
  • A mulher é colocada em posição de litotomia para o momento expulsivo
E agora? Está tudo pronto para que o bebé nasça! 
A mulher sente as contracções, estas são detectadas pelo CTG e ouve-se indicações para fazer força. “Agora, força!” As indicações que vêm do profissional de saúde para que a mulher faça força durante a contracção, ou seja, faça MANOBRA DE VALSALVA, são dadas através do registo do CTG. A contracção aparece no ecrã e o profissional dá a indicação. Mas há um desfazamento entre a contracção sentida pela mulher e a contracção registada. Então há sérios riscos da mulher aplicar força numa altura em que não é indicada. Isto aumenta o risco de agravar problemas oculares na mulher caso existam, aumenta o risco de rasgar ou lacerar o períneo e aumenta a exaustão na mulher.
A mulher deve ser encorajada a fazer força apenas quando sentir as contracções e não para além disso. Entre cada contracção há tempo para respirar e descansar. É muito importante que a mulher esteja conectada com o seu corpo e sinta as necessidades que este vai mostrando. O bebé está a passar o canal vaginal, o corpo vai pedir invariavelmente que haja abertura para isso 🙂
Outra manobra que por vezes ainda é feita no hospital e está proibido em alguns países devido ao risco de morte do bebé por esmagamento ou ruptura do útero é a MANOBRA DE KRISTELLER. Esta manobra consiste na força aplicada pelo profissional de saúde sobre o abdómen da mãe com o intuito de expulsar o bebé. Às vezes é feita com o braço ou com todo o peso do corpo do profissional de saúde sobre a mãe :s Fazem ideia do que isto é? 
Pode e deve ser feita reclamação no hospital quando isto acontece! Não é de todo seguro! É um procedimento muito violento e com sérios riscos!!!
Por último, quando o bebé está a quase quase a sair pode ser feita EPISIOTOMIA que consiste numa pequena incisão feita na zona muscular entre a vagina e o ânus com o objectivo de alargar o canal e ajudar na saída do bebé. É dada uma anestesia local e o corte pode ser central ou lateral. Este procedimento é decidido na hora pela equipa médica caso vejam necessidade disto acontecer.
No entanto, as taxas de Episiotomia em Portugal ronda os 90% ao contrário de outros países como a Suécia, por exemplo, em que a taxa é de 6%. E porque há esta diferença tão grande?
Vendo o exemplo desta mulher especificamente, que temos estado a seguir, ela manteve-se deitada todo o tempo. Durante o expulsivo esteve em posição de litotomia e já vimos como essa posição dificulta a saída do bebé uma vez que contraria a gravidade. 
Para além disso, há exercícios que se podem fazer durante a gravidez e massagem ao períneo de forma a prepará-lo para a distensão a que vai ser sujeito durante o expulsivo.
A episiotomia pode ser muito desconfortável no pós-parto uma vez que existem pontos e há sempre risco de infecção e dor.
As mulheres que não querem ser cortadas durante o seu parto podem começar já a exercitar o períneo preparando-o e podem informar a equipa médica da sua vontade e da preparação que já fizeram 🙂
Associado a isto, se a mulher escolher uma posição mais verticalizada e força aplicada somente na altura das contracções há dimuição do risco de laceração e de necessidade de episiotomia.
(adaptado do “Manual de Doulas” da Doula Maria Luísa Condeço e  
http://www.maemequer.pt/estou-gravida/parto/trabalho-de-parto/episiotomia-o-que-e-como-recuperar-e-aliviar-o-desconforto
imagens de http://amazingbirthphotos.tumblr.com/ e 
http://www.doereport.com/generateexhibit.php?ID=10601

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