Olá, eu sou a

Sou doula de coração e por vocação. Sempre me deslumbrei com a gravidez, a maternidade e os bebés e quanto mais relembro os conhecimentos e a sabedoria que trago em mim, mais apaixonada fico por esta fase da vida em que doamos a vida.

Posições para parir? Mas há mais do que uma?

Quando iniciei esta viagem pela vida de Doula tinha assistido unicamente a um parto, vaginal, hospitalar, intervencionado e em posição de litotomia. Quando percebi o que é, mesmo, a posição de litotomia, para que serve, quais os benefícios e as desvantagens, a minha percepção mudou completamente. Com que frequência vemos uma mulher a parir em posição de quatro, por exemplo? E porque não vemos mais?
Porque é sugerida a posição de litotomia à mulher?
> No hospital há procedimentos que são facilitados com esta posição – CTG contínuo, o toque vaginal, a exposição visual da vagina e a consequência comodidade do profissional de saúde…
> Esta posição está associada a um menor risco de hemorragia.

Vantagens para a mulher e bebé?
Sinceramente não sei.

Desvantagens para a mulher e bebé?
> Como se vê no vídeo o bebé tem de contrariar fortemente a gravidade para sair. Tem até de subir ligeiramente para contornar o osso sacro (cóccix). 
> A mulher tem de fazer mais força para expulsar o bebé uma vez que existe dificuldade na passagem do bebé.
> Maior risco de trauma do períneo – pela própria saída do bebé mas também pela força excessiva que a mulher faz
> Maior risco de episiotomia
> Exposição vaginal mulher – para muitas mulheres esta posição pode ser muito invasiva e isso tem implicações directas no decorrer do trabalho de parto
> Maior necessidade de analgesia
> Maior necessidade de instrumentalização do parto

Há vários artigos que defendem a importância da escolha da posição da mulher durante o trabalho de parto e a inadequação da posição de litotomia de forma rotineira.

Que vantagens existem na escolha de outras posições durante o trabalho de parto?
> Aumento da sensação de controlo e empoderamento por parte da mulher – esta sente-se activa durante o processo e capaz de decidir o que é melhor para si
> Aumento da confiança e satisfação no trabalho de parto
> Todo o processo de descida do bebé está facilitado uma vez que é a favor da lei da gravidade e o osso do sacro (cóccix) deixa também de ser um obstáculo à passagem do bebé
> Diminuição do risco de trauma do períneo
> Diminuição da percepção da dor já que a mulher é guiada pela própria dor a adoptar nova postura (imaginem: quando se magoam qual é o instinto? Batem com o dedo na porta, o que fazem? Apertam-no e encolhem-se? E uma dor de barriga? A tendência é para o corpo assumir a melhor posição na altura!)

Como vemos no vídeo há várias posições que a mulher pode adoptar durante o trabalho de parto – lateral, de cócoras, de gatas, reclinada ou sentada! É fundamental que a mulher tenha conhecimento disto, assim como os profissionais de saúde e todos aqueles que a estão a apoiar durante o parto. “A posição correcta a adoptar para o parto é subjectiva e variada de mulher para mulher. Ela influencia directa e indirectamente a sensação de dor, a capacidade de puxo, a oxigenação e o bem-estar materno-fetal; em suma a posição adoptada durante o parto influi nos resultados materno-fetais obtidos.” (TERRY, Richard, R. et all:2006).


(adaptado de http://www.ordemenfermeiros.pt/colegios/Documents/MaternidadeComQualidade/
INDICADOR_PosicaodeParto_ProjetoMaternidadeComQualidade.pdf, 

e dos artigos:
“Influence on birthing positions affects women’s sense of control in second stage of labour”,
“A review of evidence-based practices for management of the second stage of labor.”
“Nonpharmacologic approaches for pain management during labor compared with usual care: a meta-analysis.”)


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