Olá, eu sou a

Sou doula de coração e por vocação. Sempre me deslumbrei com a gravidez, a maternidade e os bebés e quanto mais relembro os conhecimentos e a sabedoria que trago em mim, mais apaixonada fico por esta fase da vida em que doamos a vida.

Primeira consulta da grávida e o efeito “nocebo” das idas ao médico

Conhecemos a palavra “placebo” certo? Algo que tomamos ou é administrado sem qualquer efeito ou risco.
E “nocebo”? Exatamente o contrário. Algo que causa danos, riscos e neste caso aumenta a ansiedade da mamã.
Quantas vezes as grávidas vão à consulta de rotina e vêm de lá preocupadas e assustadas com tantos termos novos que ouvem, com a tensão arterial demasiado alta ou demasiado baixo, com o peso demasiado acima ou demasiado abaixo, com a prescrição do ácido fólico e ferro para tomar, preocupadas com os gatos que têm em casa e que vão ter de pôr fora por causa da toxoplasmose? Heiih, calma!
Vamos por partes, desmistificar cada um destes temas e serenar 🙂

– Tensão arterial
A tensão arterial é medida frequentemente para diagnosticar pré-eclâmpsia. É normal que a tensão arterial aumente no final da gravidez, desde que não seja acompanhada de proteína na urina (que aí sim, há mesmo pré-eclâmpsia).
De uma forma holística e olhando para a grávida como um todo, é interessante também saber que a tensão arterial alta representa tensão na sua vida, ansiedade ou preocupação.
– Peso da grávida
O aumento de peso durante a gravidez deve situar-se entre os 9 e os 12 kg. Desde que a grávida se sinta bem, não há razão para ansiedade. Mais importante do que aferir se tem peso a mais ou a menos, é haver aconselhamento nutricional de forma a possibilitar soluções.
De forma holística mais uma vez, é importante perceber se a grávida está a comer de forma exagerada ou não e porquê. Muitas vezes isto pode acontecer de forma inconsciente de forma a compensar falta de afectos ou atenção, para combater a ansiedade ou o medo.
– Nutrição
Neste aspecto é importante saber que o cérebro humano é constituído por cerca de 60% de ácidos gordos, e o cérebro do bebé está em formação. Os ácidos gordos não são produzidos pelo nosso organismo e por isso é fundamental que haja ingestão destes ácidos. Conseguimos encontrá-los em peixes de mar pequenos como a sardinha, cavala e salmão. E aqui a importância de serem pequenos é para reduzir a quantidade de metais pesados cada vez mais presentes no peixe.
Alguns óleos de peixe podem ser um bom complemento à alimentação da grávida, no entanto, óleo de fígado de peixe não deve ser ingerido pela quantidade de vitamina A presente (a vitamina A é teratogénica e pode causar mal formações fetais). Os óleos de canola, soja, sementes de sálvia, chia e linhaça são óptima ideia!
-Toxoplasmose
Esta é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii presente nas fezes de gatos, carnes cruas ou mal passadas e saladas mal lavadas que pode passar através da barreira placentária e provocar lesões no feto. Desde que sejam tomadas algumas medidas de prevenção, não há necessidade de criar ansiedade nem mudar hábitos drasticamente. As sugestões são: evitar saladas mal lavadas, evitar enchidos, evitar camarão e limpar a areia dos gatos com luvas ou pedir a alguém que o faça durante os primeiros 4 meses. Depois dessa altura o bebé já está formado 🙂
– Ácido Fólico
O ideal é que todas as mulheres no seu período fértil e sexualmente activas tomassem ácido fólico como complemento e de forma a prevenir mal formações fetais. Muitas vezes, quando as mulheres descobrem que estão grávidas, o primeiro desenvolvimento fetal já aconteceu. Em mulheres que planeiam engravidar, aconselha-se que tomem ácido fólico nos 3 meses anteriores à concepção. A ingestão de ácido fólico evita espinha bífida, lábio leporino e mal formações no tubo neural.
-Hemoglobina
A anemia da gravidez não se trata verdadeiramente de anemia. Os valores de Hb são mais baixos porque há uma diluição o sangue pelo aumento de líquidos que a gravidez comporta. O estudo realizado por Steer P e Alam MA com 150 000 mulheres avaliou a relação entre os níveis de Hb, o risco de prematuridade e peso à nascença em bebés de termo. Conclui-se que a tava de Hb que corresponde a melhores pesos à nascença se situa entre 8,5 e 9,5g/dl. Quando a Hb se encontra acima de 10,5g/dl há aumento do risco do bebé nascer prematuro e quando a Hb se encontra abaixo de 8,5g/dl é aconselhada a toma de ferro.
-Ferro
A ingestão de ferro é necessária quando há anemia na mulher anterior à gravidez ou quando a hemoglobina baixa muito durante a gravidez (<8,5g/dl). A toma de ferro sem estas indicações é desaconselhada uma vez que provoca obstipação e/ou diarreia e azia à grávida, compromete o crescimento fetal uma vez que diminui a absorção de zinco (factor de crescimento fetal), aumenta o risco de pré-eclâmpsia porque tem propriedade oxidantes que levam à libertação de radicais livres. Para as mulheres que tem anemia anterior à gravidez, ou em que a Hb baixa muito durante a gravidez, há alimentos ricos em ferro que ajudam a aumentar os níveis de Hb, são eles:
  • beterraba
  • raminho de salsa/dia
  • agriões
  • couve
  • favas
  • lentilhas
  • ervilhas
  • grãos
  • caju
  • nozes
Também é importante saber que a ingestão de vitamina C – presente nos citrinos, por exemplo, juntamente com o ferro aumenta a sua absorção. Pelo contrário, a ingestão de cálcio – presente no leite, por exemplo, juntamente com ferro impede a sua absorção. O café, chá e chocolate também diminui a absorção do ferro pelo que deve ser evitada. 
– Diabetes gestacional
A diabetes gestacional acontece durante a gestação e não deve ser confundida com a diabetes crónica. É diagnosticada através da análise de glicose no sangue após a ingestão de um concentrado doce (75g de glicose dissolvida em 300ml de água). A menos que haja factores de risco para esta doença, é preferível fornecer à grávida informação nutricional e exercício físico, do que estar a fazer a análise uma vez que não será administrada insulina pelo risco aumentado de baixo peso do bebé à nascença. 
Os factores de risco para a diabetes gestacional são:
  • obesidade
  • ganho de peso excessivo
  • história familiar de diabetes
  • baixa estatura da mãe (<1,50m)
  • crescimento fetal excessivo
  • hipertensão arterial
  • antecendentes de morte fetal/neonatal
  • bebés anteriores com macrossomia (>4kg)
  • glicose na urina
A nível nutricional e de exercício, a grávida deve preferir fruta inteiro, pão escuro e fazer exercício diário (caminhada por exemplo). É importante evitar açúcares simples como refrigerantes, bolos, pão branco e sedentarismo. Tendo em atenção esta informação e cumprindo durante a gravidez, pode-se evitar o teste da glicémia se a grávida assim o entender.
– Ecografias
As ecografias são cada vez mais pedidas para ver o tamanho, o sexo, o peso, a placenta, o útero, as feições do bebé, a posição do bebé, etc.
A verdade é que a ecografia é uma técnica da medicina relativamente recente e ainda não há estudos em humanos conclusivos sobre as desvantagens ou perigos destas para os bebés. Assim, é importante saber que há 3 ecografias fundamentais durante toda a gestação:
  • 12 semanas – para saber a data prevista do parto (mulheres com ciclos regulares podem facilmente calcular a data prevista do parto, evitando esta ecografia)
  • 16 semanas – para detectar malformações
  • 32 semanas – para diagnosticar placenta prévia
Como vêem há vários aspectos a avaliar durante as consultas gestacionais. 
É importante conhecer cada um deles para que, na altura de os ouvirmos pela boca do médico, não sejam assustadores nem uma fonte de ansiedade para a grávida. Escutando o corpo e o seu bebé, serenando e conhecendo, a futura mamã saberá quando algo não está bem consigo e quando será mesmo preciso recorrer ao médico 🙂
(adaptado do “Manual de Doulas” da Doula Maria Luísa Condeço)

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