Este fim de semana assisti a um concerto intimista e arrepiante de NBC e fiquei de lágrimas nos olhos. Aliás, chegaram mesmo a escorrer-me pela cara 🙂

Conheci o NBC e as suas músicas porque o Gonçalo é um super-fã e me apresentou. As letras dele são honestas, capazes de nos abanar e de nos voltar a colocar no caminho. No caminho da nossa vida. Pelo menos é isso que faz comigo.

Vê-lo ao vivo, ouvir as suas palavras directamente do coração e da alma, tocou a minha. Com a minha alma desperta, é-me relativamente fácil identificar outras almas despertas. E isso, actualmente, chega para me emocionar. Mas ele vai mais longe. Ele escreve letras que têm capacidade de despertar outras almas. Por exemplo: “Não deixes passar uma vida toda, Para teres certezas daquilo que te incomoda, Então acorda já! Então acorda já!”

Às tantas cantou uma música. Eu nunca tinha prestado muito atenção à letra e, naquele momento, ressoou cá dentro: “Procura a tua verdade, a que te der liberdade. Descobre a tua vontade, a que te der liberdade”. E esta frase tem ecoado dentro de mim durante o dia de hoje.

Acordei sem pressas, tomei o pequeno almoço e fui para o café da praia. Hoje, escolhi aquele para ser o meu escritório.
Estive a preparar aulas, a criar imagens e a divulgar os novos horários. Voltei para casa, pelo pinhal e, dei por mim a pensar como adoro o sítio onde vivo e como sou tão grata pela escolha que fiz.

Sou feliz. Sou mesmo feliz!
Vejo tantas pessoas presas na sua vida. Presas no trânsito, presas no escritório, presas nas tarefas que têm que fazer e não gostam, presas no tempo, na falta de tempo.

Não estou imune a isto! Também faço listas ao início do dia e vejo o tempo fugir-me por entre os dedos muitas vezes. Também fico presa no trânsito e às vezes desespero nas filas. Mas sou tão livre. Sou imensamente livre.
Vivo a vida que quero, que escolho diariamente. Vivo os dias com tranquilidade, paz e confiança. Estou com quem quero estar e sou agradavelmente surpreendida com novas pessoas que chegam.

Há uns meses deparei-me com a dúvida se teria feito a escolha certa. Se não estaria num beco sem saída, a sonhar demasiado alto. Talvez não fosse possível trabalhar só como Doula e como Professora de Yoga. Se calhar tinha feito um disparate em deixar Cardiopneumologia. Talvez tivesse mesmo de ter integrado tudo em vez de eliminar parte. Assustei-me com esta dúvida. Assustei-me com a hipótese de ter confiado na minha intuição e, afinal, não ser exactamente isto. Percebi que só fazia coisas que gostava, e que me davam imenso prazer, mas o retorno não era proporcional ao que estava a dar. Sentia-me desgastada. Desmotivada. Tive de reencontrar a força da minha alma e do meu propósito de vida e fazer alguns ajustes.

Agosto trouxe-me algumas semanas com trabalho das 09h às 20h e alguns dias, das 09h às 22h. Confirmei que trabalhar a full-time é demais para mim. Enquanto puder, escolho ter tempo para cuidar de nós, para cozinhar com calma, para estudar, para escrever, para ler, para praticar yoga, para conversar, para partilhar e para aproveitar os meus e a vida.

Se há coisa que tenho experimentado nos últimos meses é que é possível trabalhar a fazer o que se gosta, com motivação, prazer, alegria e entusiasmo e equilibrar perfeitamente com o resto da vida.
Ainda temos formatado em nós a ideia de quantas mais horas de trabalho, mais eficientes, mais profissionais. Ainda é novidade pensar que os ingredientes para a eficiência, são entusiasmo, amor e gratidão pelo que se faz.

Cada vez conheço mais pessoas que arriscaram e se dedicam inteiramente ao que as faz feliz. E são tão bem sucedidas! É bom reforçar as escolhas, alinhá-las com o propósito maior e escutar o interior. Sou feliz assim? Sinto-me livre? É esta a vontade da minha alma?

E seguir, com o coração a transbordar.

 

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