Olá, eu sou a

Sou doula de coração e por vocação. Sempre me deslumbrei com a gravidez, a maternidade e os bebés e quanto mais relembro os conhecimentos e a sabedoria que trago em mim, mais apaixonada fico por esta fase da vida em que doamos a vida.

(Re) Conheces a tua “Contadora de Histórias”?

 

A primeira vez que ouvi falar sobre a “Contadora de Histórias” foi na formação de Guardiãs do Ventre e Sagrado Feminino com a querida Inês Gaya.
Antes disso, conhecia (de nome) o síndrome pré-menstrual, a tensão pré-menstrual, o humor pré-menstrual, mas nunca tinha ouvido falar sobre a “contadora de histórias” nem nunca a tinha sentido em mim.
Dias antes do meu primeiro ciclo menstrual pós-formação, sentia-me estranha. Uma insegurança desmedida, auto-crítica, exigência ao rubro. Enfim, estava mesmo desmoralizada. Quando, no grupo que se criou da formação, alguém disse “Chegou agora a minha contadora de histórias, vou ouvir o que tem para me dizer!” Siiiim. Aí deu-se o meu click.

Então, quem é a “contadora de histórias”?
Dias antes da menstruação aparecer, a mulher está na sua fase minguante (considerando a sua lua interior). Esta é uma altura em que há recolhimento, introspecção, reflexão. Onde há a oportunidade para ir fundo em nós próprias, onde nos podemos conhecer mais e melhor e olhar para as nossas sombras, para os nossos medos, para o que já não serve e que queremos deixar ir, para, na fase da menstruação (lua nova) limparmos e purificarmo-nos.
A “contadora de histórias” surge exactamente nesta altura, na fase pré-menstrual. E ela traz consigo uma grande oportunidade:
> trazer à superfície, à consciência, mensagens emocionais sobre as nossas necessidades mais profundas e inconscientes para que possamos cuidar de nós, crescermos e evoluirmos.
(E com isto, traz também histórias emocionais que parecem completamente verdadeiras. Grandes enredos que nos parecem reais.)
O sangue que perdemos na menstruação é sagrado. É o resultado da preparação do nosso corpo para acolher um bebé. É sinal de vivacidade do nosso útero e do nosso corpo. É o que nos liga a todas as mulheres do mundo. As que existem e às que existiram. Por isto, na menstruação a mulher fica mais sensível, mais disponível para esta sensação de ligação ao todo. É uma altura em que o corpo físico e emocional está mais vulnerável, em que precisa de ser cuidado, nutrido. É uma altura também, pela perda do sangue, em que há limpeza e purificação. O sangue produzido e acumulado durante esse mês, é agora liberto, para que sangue novo possa chegar. É o fechar e o iniciar de um novo ciclo.
Então, quando a “contadora de histórias” chega, o que te diz ela?
Que mensagens inconscientes te traz sobre ti própria? Que medos estão guardados durante todo o mês e vêm à tona nesses dias? O que precisa de ser olhado? O que precisa de ser amado?
Que parte tua precisa de ser vista?
Posso partilhar contigo que a minha contadora de histórias nestes dois últimos ciclos veio em força e nada amigável 🙂
Veio, de forma crua, mostrar-me o que ainda tenho que trabalhar. O foco das minhas fragilidades, das minhas crenças. De uma forma muito evidente, ela trouxe-me o que precisa de ser olhado para que possa ser transmutado. É bom saber que eu não sou os meus pensamentos. Que tu não és os teus pensamentos.
Quantas vezes nos agarramos a pensamentos, a crenças que criamos e assumimos como verdade?
E isso é tão injusto para o nosso todo! É tão limitado, na verdade.
Então, quando a “contadora de histórias” chega e tu dás conta dela, olha para ela, ouve o que tem para te dizer, não te identifiques em demasia porque dali a uns dias a menstruação vem, e a tua lua interior volta de novo a crescer. Voltas a estar mais disponível para o mundo exterior, com energia, projectos, sementes que precisam de ser plantadas na tua vida para que possa crescer saudável e puro o jardim que tu desejas.
Faz sentido para ti?
Já conheces a tua “contadora de histórias” ou vais estar atenta aos próximos ciclos?
O que podes fazer é escrever, anotar, o que ela te traz. O medo, a insegurança, a crítica, a sensibilidade, a reacção, a paz, a harmonia, o que seja! Escreve e vai vendo para onde te leva este conhecimento interior, inato que vive em cada uma de nós 🙂
Para mim tem sido uma descoberta incrível 😀
 
[imagem de http://yourpresenceheals.com/women-and-feminine-consciousness/]

 

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