Olá, eu sou a

Sou doula de coração e por vocação. Sempre me deslumbrei com a gravidez, a maternidade e os bebés e quanto mais relembro os conhecimentos e a sabedoria que trago em mim, mais apaixonada fico por esta fase da vida em que doamos a vida.

Relações conscientes – quem as tem?

À primeira vista, o que vos quero falar hoje, pouco tem a ver com Gravidez e Parto e Maternidade. Mas a verdade, é que Relações Conscientes são uma base importantíssima para a Saúde e Felicidade de todas as crianças (e de toda a sociedade, claro).
Quanto mais estudo Kundalini Yoga e quanto mais mergulho nos ensinamentos que estão integrados nesta Filosofia, mais a minha vida se simplifica e clarifica, e é por isso que sinto tanta vontade em partilhar convosco, com a certeza que também vocês podem, aos bocadinhos, ir ganhando uma nova perspectiva :).
Ao contrário do que se ouve tantas vezes, o Homem e a Mulher não são iguais. Fisiológica, mental e emocionalmente não são e energeticamente também não.
De uma forma muito resumida, a energia do Homem é uma energia vertical, uma energia de acção, de foco. Enquanto que a energia da Mulher é uma energia circular, horizontal, uma energia atractiva e fluída.

Numa relação de Homem e Mulher, o Homem é o pilar da família e por isso a sua aura, o seu campo electromagnético, deve ser forte e estável para que toda a família se sinta bem, protegida e feliz. Por outro lado, a Mulher é, naturalmente, a cuidadora. É ela que cuida de si, do Homem e de toda a família.
É a energia do Homem, vertical, estruturada, que apoia a energia da Mulher para que se mantenha flutuante, com movimento circulatório. Na prática e de uma forma fácil de entender, esta troca energética acontece quando o Homem transmite segurança e estrutura à Mulher e quando a Mulher apoia e suporta emocionalmente o Homem. Quando isto acontece, a relação mantém-se fluída, leve, feliz e o amor é alimentado e fortalecido a cada dia.
O que vemos algumas vezes nas relações amorosas entre homem e mulher é que o homem não se sente apoiado pela mulher e isso deixa-o com dúvidas sobre si próprio, sobre o seu valor, sobre o seu contributo para a família, sobre a sua capacidade de paternidade, etc, e isso faz com que a mulher se sinta desprotegida, porque não sentindo o seu parceiro forte e estável, ela própria se sente insegura, instável e com medo. E assim, não está disponível para apoiar o seu parceiro que por sua vez se sente desapoiado e o ciclo continua.
Exemplos práticos do dia-a-dia:
O homem tem algum problema no trabalho, alguma chatice, qualquer coisa que queira desabafar, chega a casa e partilha com a sua companheira (à espera de conforto, de apoio, de uma ouvinte) e a mulher, que por qualquer razão não está disponível para ser esse conforto e apoio, desvaloriza totalmente. “Lá estás tu. Sempre a queixar-te. Deixa lá isso. Amanhã é melhor…”
O homem para além de não se sentir ouvido, ainda se sente criticado e isso faz com que, gradualmente, perca a vontade para partilhar com a companheira as suas chatices, os seus problemas. Mais dia menos dia, a mulher percebe que o homem não partilha com ela coisas do dia-a-dia e vai sentir-se insegura. “Porque não fala ele comigo? Será que não confia em mim? Já não nos sinto tão próximos quanto antes….”
Então a falta de apoio, leva a insegurança. Assim como o contrário. Conseguem perceber isto? E conseguem ver algumas situações das vossas relações em que sintam isto?
Coisas simples como “exigir que arrume a cozinha” – se eu estou a exigir, ele sente que está em falta. Se está em falta então não é suficiente. Se não é suficiente vais transparecer isso e eu vou sentir-me insegura com um homem “não suficiente” ao meu lado. E então vou exigir mais porque não quero sentir-me insegura. E a bola de neve começa.
Quando a relação tem mais de carência do que de expansão, as coisas tornam-se difíceis e nada saudáveis nem felizes. Nesses casos estamos a exigir do outro em vez de usufruirmos do que tem para nos dar. Agarramos no outro e queremos à força que preencha o nosso vazio. Isso não só é injusto como não passa de uma estratégia provisória.
O medo e o amor são inversamente proporcionais. Quando eu estou com o outro por medo (de estar sozinha, de não ser amada, de não ter companhia, de não ser mãe, de não ser aceite, de não ser auto-sustentável, etc), o que o outro me dá não me acrescenta nada, apenas finge preencher o que me falta. Porque o que me falta, falta-ME. Se eu não procuro preencher-me, completar-me, curar-me, conhecer-me, e espero somente pelo outro, eu nunca vou conhecer a minha plenitude.
O outro existe para me mostrar partes de mim, para me ajudar a crescer, para me apoiar no meu crescimento, para me mostrar as minhas fragilidades para que eu as possa tornar em fortalezas.
Se eu escolho o outro por amor, então eu escolho por expansão. Eu escolho que o outro esteja comigo para me acrescentar o que ele tem para me acrescentar. Eu escolho o outro para que eu possa evoluir, para que possa fazer o caminho com companhia sabendo que é igualmente possível fazê-lo sozinha. Mas eu escolho, por amor, partilhá-lo com ele. Isto é totalmente diferente.
Quantos de nós vivemos relações conscientes? Quantos de nós tem consciência de si próprio? E quantos de nós tem consciência da pessoa que tem ao seu lado? O que tu queres dessa relação? Como tu queres contribuir para essa relação? Queres acrescentar valor a essa relação com quem tu és? Queres usufruir do privilégio que é teres alguém ao teu lado a acrescentar valor à vossa relação?
As relações conscientes são aquelas em que as duas pessoas estão juntas porque querem, e não porque precisam. Em que as duas pessoas reconhecem o Eu e o Tu e o Nós. E reconhecem também que nas dificuldades é o Tu que desempata. Reconhecem que quando algo falta na relação, está na altura de colocar o que falta. Reconhecem que se o outro está bem, então eu estou bem. E que se o outro está mal, então eu estou menos bem. Porque se eu estou na relação para acrescentar o que for, não é por eu estar mal que retiro o que for. Se eu estou mal, o outro mantém-se ao meu lado para que eu me possa reerguer. Não é por eu estar mal que o outro vem ao fundo comigo. Na verdade, eu preciso que o outro esteja bem para que, se eu estiver mal, me possa apoiar nele. E vice-versa. Entendem isto? As relações conscientes baseiam-se em trabalho de equipa, em cooperação. Com o mesmo objectivo, as duas pessoas, lado a lado, fazem a sua parte. Cada uma com o que é, cada uma com o que tem para dar.
A dois meses de me casar com o amor e homem da minha vida, faz sentido reflectir sobre isto 🙂
[imagem de http://www.integratedhealing.com.au/#!product/prd2/3800934991/conscious-relationship-coaching-1hr]

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