Olá, eu sou a

Sou doula de coração e por vocação. Sempre me deslumbrei com a gravidez, a maternidade e os bebés e quanto mais relembro os conhecimentos e a sabedoria que trago em mim, mais apaixonada fico por esta fase da vida em que doamos a vida.

Seva

Este fim de semana que passou trouxe-me dois lembretes que me estão a acompanhar bastante neste início de dia e que partilho convosco.
Primeiro, este fim de semana foi o primeiro do Curso de Instrutores de Kundalini Yoga e eu não podia estar mais contente e mais orgulhosa e mais grata e mais encantada. “Não podia estar melhor” realmente.
As várias práticas que fiz durante o fim de semana, as várias meditações, a presença constante no momento, o Seva, o compromisso, a vontade. Tantas tantas coisas boas que aconteceram neste fim de semana que realmente, hoje, me fazem sentir viva, alegre e grata.

Então o que quero escrever aqui hoje tem a ver com a minha fase de transição profissional, em que ainda sou Técnica de Cardiopneumologia e ainda exerço estas funções, em que sou Doula e sinto que preciso de tempo e dedicação para crescer e para me assumir livre de inseguranças e medos, em que sou praticante de Yoga e agora estudante de Yoga para dentro de pouco tempo me assumir como Professora, e em que quero tempo para costurar, para divulgar o meu trabalho com o Vermelho Morango, para divulgar os benefícios do Babywearing e a produção de panos porta-bebés.
Até agora, eu sinto esta fase de transição e por momentos quero acelerá-la. Quase como se, a única forma de ficar em paz, fosse despedir-me de Cardiopneumologia e das minhas funções. Sinto vontade, não nego. Mas para já, é muito confortável continuar aqui. Por isso, é preciso coragem para assumir esta minha vontade e enquanto não sinto ser o momento certo, é preciso paz e alegria para continuar. (Porque sem alegria então não me vale mesmo a pena :))
No fim de semana, enquanto partilhava tudo isto com um colega, ele disse-me “Mas já viste que se não fosse através desse lugar onde trabalhas, provavelmente não tinhas oportunidade de tocar essas pessoas. De dar o teu contributo.” Pensei “Sim, é verdade. Mas quero tocar tantas outras fora deste contexto.” – A minha resistência a falar 😉
Paralelamente a isto, durante o fim de semana, fizemos Seva. Que é simplesmente Serviço, Dádiva. Cada um de nós ficou destacado numa equipa – Pequeno-Almoço, Almoço, Jantar, Limpeza e Manutenção da Cozinha, e assumia assim várias tarefas voluntárias, gratuitas, despegadas de consequência, para o bem estar geral do grupo. Sobre Seva li qualquer coisa como: Sentirás tanto prazer na oferta que fazes, que te sentirás privilegiado e honrado por fazê-lo. 
E esta ideia foi integrada e realmente sentida. Enquanto servia o almoço, senti um privilégio tal por estar a servir aquela pessoa. Quando estava a lavar a loiça, não havia ponta de queixa em mim. Sentia-me útil e contributiva. Sentia que o meu trabalho, não precisava de ser reconhecido por ninguém para valer por si só. 
Pensei: “Como posso eu levar esta sensação comigo, todos os dias? Para o meu trabalho?”
Hoje, tendo isto presente em mim, atendi os utentes que me chegaram com uma perspectiva completamente diferente. “O que posso eu fazer agora contigo que te cruzaste comigo?”
Então, como por magia, as conversas vão acontecendo. Eu sinto-me aberta e permeável para dar de mim. Falamos sobre Doulas, sobre Yoga, sobre como o nosso corpo nos indica que o que estamos a fazer não é saudável (neste caso específico era fumar), ou sobre como o estômago está ferido e quando o senhor não lhe liga, ele causa mal estar para o avisar do que não deve comer (especificamente Úlcera), ou como o chá de gengibre pode ajudar e como o leite de vaca e o café são tão prejudiciais. De repente, veio o meu tio, com quem não falava há meses e meses, fazer um exame comigo. WOW!
Realmente tudo muda no exterior quando mudamos o interior. Quando a perspectiva que trago é “Que grata sou por te servir” tudo muda! Não há queixa, não há peso, não há querer que o relógio avance para ir fazer outras coisas…não há, simplesmente. Há o momento presente e há o melhor de mim neste momento, ao serviço do outro (que na verdade é parte de mim ;)).
Muito grata! 😀 Alegria para todos!

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