Olá, eu sou a

Sou doula de coração e por vocação. Sempre me deslumbrei com a gravidez, a maternidade e os bebés e quanto mais relembro os conhecimentos e a sabedoria que trago em mim, mais apaixonada fico por esta fase da vida em que doamos a vida.

Sobre ser mulher

IMG_100Sobre ser mulher.

Eu descobri que era menina muito cedo. Sou uma de 3 irmãs e por isso em minha casa o feminino predominava. Brincava sempre com bonecos e barbies e acho que nunca trepei uma árvore.

Eu sabia que era menina quando vestia saias ou vestidos, quando me diziam que eu era vaidosa, quando, no meio das brincadeiras com os meus primos rapazes, me sentia a sua protegida e quando começava a chorar quando o meu tio brincava comigo de uma forma mais bruta porque não estava habituado à delicadeza das meninas.

Dos 5 aos 9 anos eu andei num colégio só de raparigas e isso moldou, não a minha visão de mim mesma, mas a minha visão do masculino. Quando cheguei ao 5º ano, todos os rapazes me pareciam selvagens, brutos, gozões, maus… E demorei algum tempo até confiar neles. E mais tempo ainda demorei a admirá-los.

Sempre fui muito “certinha” e isso era muito chato para os rapazes. Porque eu não alinhava em quase nenhuma brincadeira, porque havia sempre uma grande dose de responsabilidade em tudo o que fazia, porque não achava a mínima piada quando começavam a apalpar e tocar no corpo das raparigas só porque sim e, por isso, até ao secundário, a minha relação com o masculino foi sempre muito rígida.

No secundário encontrei rapazes anjos que me ajudaram a pacificar esta relação. Comecei a sentir-me altamente confortável com a sua presença, completamente aberta para falar de tudo, muito cuidada e respeitada e foi aí que comecei a descobrir a minha essência. Nessa altura o meu grupo de amigos, o núcleo, era pequenino mas forte como tudo. Erámos 2 raparigas e 2 rapazes. 2 rapazes sensíveis, altamente sensíveis.

Fui conhecendo cada vez mais a minha parte mãe, o meu lado cuidador, amoroso e sensível e equilibrando o meu lado assertivo, rígido e bruto. Creio que foi aí, agora olhando para trás, que comecei a sentir na pele o que é ser mulher, ainda sem o saber.

Quando iniciei a formação de Doulas, com 24 anos, era uma menina. E a minha transformação para mulher aconteceu, sem dúvida, a partir desse momento. E o que é ser mulher, para mim?

É saber, em primeiro lugar, que é diferente de ser homem.

É ser delicada, materna, cuidadora e sustentadora e também assertiva, protectora, determinada e poderosa.

É ser criativa por natureza. Poder contribuir para a criação e responsável e abençoada com a gestação de um ser no meu corpo.

É ser cíclica como a lua. Menstruar todos os meses relembrando-me a minha fertilidade, a minha sabedoria ancestral e a minha ligação e semelhança com todas as mulheres.

É ser emocional e fluída. É permitir-me ir neste fluxo e usufruir dele.

É estar em roda com mulheres e sentir a conexão que existe entre e com o feminino.

É usar saias compridas e trança no cabelo.

É olhar para a minha menina pequenina e dar-lhe colo quando ela precisa. Lembrando-me que agora existe uma mulher que pode cuidar dela, sempre.

É dizer que não com o maior sorriso que possa ter.

É olhar-me ao espelho, ver e sentir as minhas curvas de mulher e agradecê-las. É dançar com as mãos no meu útero, sentir o seu pulsar e conectar-me com a sensualidade feminina, com a fluidez e o movimento.

É abrir os braços para quem quer que seja e dar colo. Esta compaixão inerente a ser mulher.

É ser altamente intuitiva.

É ser multi-tasker e conseguir fazer várias coisas ao mesmo tempo.

É desafiante ser mulher na nossa sociedade. Eu sei disso.Mas eu sei disso porque o vejo à minha volta. Não posso dizer que o sinto. De todo. Quando eu menstruei pela primeira vez, o meu pai quis abrir uma garrafa de champanhe para comemorar! Os homens que eu tive à minha volta, durante a minha vida, sempre me respeitaram e admiraram como menina e mulher. Hoje,eu sinto-me altamente respeitada como mulher, sinto-me valorizada como mulher, sinto-me amada e desejada como mulher.

E isto acontece porque eu me respeito como mulher. Porque eu me amo como mulher , porque me admiro e sou grata por esta experiência que é ser mulher e porque tenho ao meu lado um homem MARAVILHOSO.

E relembro que todos os seres humanos nascem de mulheres. É uma enorme responsabilidade e também uma grande oportunidade de gerar e criar novos e melhores seres humanos. Mais conscientes das diferenças que existem entre homens e mulheres mas também das suas semelhanças. Somos igualmente valiosos!

Cada polaridade tem as suas características e os seus desafios. Que possamos cuidar de nós primeiro em direcção ao amor próprio, a aceitação e à gratidão para depois podermos olhar em volta e ser agente de mudança!

 

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