A técnica de embrulhar os bebés existe desde há milhares de anos em vários lugares do mundo. Porque era tão usada? Porque deixou de ser? Porque está lentamente a voltar a ser usada? Como embrulhar bem o meu bebé? Que vantagens tem? Não é desconfortável para ele? Um post adaptado do livro que me acompanha neste momento e que tanto admiro! Vamos ajudar a que todos os bebés sejam “O bebé mais feliz do pedaço” 🙂


Principalmente nos locais frios, as mães agasalhavam firmemente os seus bebés para os manterem quentes e vivos. Nos países mais quentes, o agasalho não era importante, mas as mães carregavam os seus bebés no colo ou amarrados quase 24 horas por dia. E porquê?
  1. É mais seguro – diminui a probabilidade dos bebés caírem ou escorregarem do colo;
  2. É fácil – os bebés podem ser presos às costas ou cintura e as mães continuam de mãos livres e activas
  3. Acalma – os bebés ficam menos irritados porque estão permanentemente aconchegados.



Como deixamos de lado esta prática tão primitiva e tão útil?

Antes de 1700, os bebés eram embrulhados já que podiam ser transportados com facilidade, mantidos aquecidos e calmos. Para além disto, havia a crença de que, se os bebés tivessem as mãos soltas, podiam arrancar os próprios olhos ou deslocar os braços.
Foi por esta altura que surgiram duas ideias revolucionárias que alteraram o uso desta técnica:
  1. No século XVIII os cientistas provaram que as crianças que não eram embrulhadas nunca arrancavam os olhos nem deslocavam os braços.
  2. Nos anos que precederam a Independência americana, os pais queriam que os seus filhos experimentassem a liberdade e o embrulhá-los ia contra isso.


Então, as pressões conjuntas da ciência e da democracia convenceram os pais do mundo ocidental a parar de embrulhar os filhos. É certo que os bebés não se magoavam por não estar embrulhados, mas o objectivo de embrulhar não era esse. Era, e é, acalmar o bebé, transmitir-lhe segurança, conforto e aconchego.
E adivinhem, quando os pais abandonaram esta técnica, o número de crianças com choro incontrolável aumentou!! Foi por esta altura que os cientistas associaram o choro dos bebés às dores abdominais (cólicas) e começaram a recomendar o uso dos dois anestésicos mais comuns da época- gim e ópio. (Que horror! Já imaginaram isto??)


Actualmente, na sociedade ocidental, voltou o uso da técnica e vamos já perceber porquê. 


Quais as vantagens de embrulhar o bebé?

  • CONTACTO SUAVE: a pele é o maior órgão do nosso corpo e o toque é o sentido que mais acalma. Envolver todo o corpo do bebé é como fazer uma carícia contínua. Sabiam que os bebés sem toque de pele não sobrevivem? O toque é tão essencial para o bebé como o alimento. É importante lembrar que estar embrulhado numa manta não é tão bom para o bebé como estar no colo dos pais, mas esta é uma boa opção para quando o bebé não pode estar nos nossos braços
  • EVITA QUE O BEBÉ FIQUE DESCONTROLADO: no útero o bebé é limitado pelas paredes e mantém os braços encolhidos. Depois de nascer essa limitação não existe e muitas vezes o bebé tem movimentos involuntários que rapidamente activam o reflexo de Moro (reflexo da queda)
  • AJUDA O BEBÉ A PRESTAR ATENÇÃO: quando o bebé está a chorar sem controlo, cada movimento ou sobressalto é um novo estimulo. E perante este caos, o bebé nem percebe que já estamos perto dele par o ajudar a acalmar. O bebé precisa que alguém assuma o controlo, já que ele não está a ser capaz. Quando o embrulhamos, evitamos os movimentos involuntários e ajudamos o bebé a focar-se, a prestar atenção de que estamos ali!





Então e como se faz?



  1.  Dobramos uma das pontas da manta ao nível dos ombros do bebé
  2. Enrolamos uma parte ligeiramente para baixo para formar o V do decote e prendemos por baixo do braço oposto do bebé
  3. Levamos a ponta de baixo até ao ombro do bebé e prendemos por baixo do corpo
  4. Dobramos ligeiramente a ponta da direita de forma a criar o V do decote
  5. Enrolamos o resto da manta que ficou em forma de “tira”
  6. Se possível damos um volta inteira para que o embrulho não abra


Alguns dos erros comuns:
  • o embrulho ficar folgado – cobertores frouxos podem sufocar o bebé
  • embrulhar a criança com os braços dobrados – a fácil o bebé libertar-se com os braços dobrados
  • deixar o cobertor tocar a bochecha do bebé – se o bebé está com fome, chuchar o cobertor pode confundi-lo e fazê-lo chorar de confusão e frustração. Se deixar o decote em V, está óptimo
  • permitir que o embrulho volte a abrir – se voltar a abrir há o risco de tapar a carinha. O ideal é que a manta seja grande o suficiente para dar a volta a todo o corpo do bebé


Algumas crenças dos pais em relação ao embrulho:
  • embrulhar é primitivo e antiquado – sim, é uma técnica pré-histórica, mas realmente importante e útilo bebé fica desconfortável com os braços esticados – deixar os braços livres intensifica o choro devido aos movimentos involuntários
  • a criança pode sentir-se aprisionada  – recém nascidos adoram estar confinados e quando se sentem soltos acabam por chorar
  • os bebés ficam mimados ou dependentes disso – no ventre da mãe o bebé estava rodeado 24 horas por dia. Mesmo que passe 12 horas por dia embrulhado ou ao colo, já estamos a retirar-lhe 12 horas de aconchego J quando o bebé completar 4 meses já descobre as mãos, mexe-as, leva-as à boca e nessa altura já não será necessário embrulhar, a menos que ajude a prolongar o sono e o bebé fique mesmo tranquilo
  • embrulhar deixa a criança frustrada porque não pode chuchar o dedo – são necessários 3 a 4 meses para que o bebé consiga coordenar a mão, o braço, a língua, os lábios ao mesmo tempo de forma a chuchar. Em vez de acalmar, normalmente piora porque a mão escapa da boca e o bebé acaba por ficar frustrado
  • embrulhar pode interferir com a capacidade do bebé aprender sobre o que o rodeia – é importante que o bebé tenha as mãos livres durante algum tempo para ir experimentando e sentido. No entanto, quando o bebé chora, é importante acalmá-lo e não ensiná-lo
(Adaptado do livro “O bebé mais feliz do pedaço” Dr. Harvey Karp)