Olá, eu sou a

Sou doula de coração e por vocação. Sempre me deslumbrei com a gravidez, a maternidade e os bebés e quanto mais relembro os conhecimentos e a sabedoria que trago em mim, mais apaixonada fico por esta fase da vida em que doamos a vida.

Todo o parto é traumático para o bebé. Como podemos minimizar isto?

 

 

Voltei a ler o artigo de Karlton Terry sobre “O primeiro trauma do bebé” na “Pais de Filhos” e quero mesmo partilhar isto:
“Apesar de referir que todos os partos são traumáticos para o bebé, Karlton Terry considera que o trauma pode ser reduzido se a gravidez e o parto forem vividos com tranquilidade e naturalidade: “Se um bebé for desejado, do sexo desejado, se se desenvolve numa gravidez serena e saudável, com início do trabalho de parto espontâneo, se durante o parto a mãe aceitar abrir-se para o bebé, se confiar no seu corpo e deixar as hormonas atuarem, se não existirem interferências exteriores, se quando o bebé nascer for colocado imediatamente no colo da mãe, se o cordão umbilical só for cortado depois de pulsar até ao final, se o bebé tiver oportunidade de mamar o mais rápido possível, se isto tudo acontecer, ele vai pensar: ‘Uau! A vida pode ser boa!’”

“As caraterísticas básicas do ser humano são formadas nas poucas horas antes, durante e depois do parto, que é quando o cérebro faz o maior número de neuroconexões e à maior velocidade: mais de dois milhões de conexões por segundo. As mais recentes investigações em neurofisiologia e trauma confirmam as premissas da psicologia pré e perinatal: mais do que qualquer outra experiência, o nascimento molda a personalidade do indivíduo, as decisões que toma, o modo de sentir a vida e o modo como segue em frente na vida”, lê-se no site do IPPE. São muitos os especialistas que têm chamado a atenção para a importância que o modo de nascer tem sobre a vida de uma pessoa. O psicanalista e psicólogo austríaco Otto Rank (1884-1939) terá sido o primeiro a dar importância a este assunto, tendo inclusive escrito um livro chamado “Trauma do nascimento”. Ao contrário de Freud, que valorizava o complexo de Édipo, Rank considerava que as ansiedades neuróticas tinham origem no nascimento, que seria vivido como um choque profundo para o recém-nascido quer a nível físico quer a nível psicológico. Mais tarde, outros especialistas alertaram para os traumas do nascimento, mas devido às intervenções médicas. Foi o caso do obstetra francês Frederick Leboyer, autor do livro “Parto sem violência”, publicado em 1975, no qual descreve as necessidades emocionais do recém-nascido e defende, entre outras coisas, a colocação imediata do bebé no colo da mãe após o parto como forma de diminuir o trauma da separação materna. Na década de 80, o psicoterapeuta William Emerson estudou também os efeitos do nascimento no bebé e concluiu que muitos distúrbios de comportamento e problemas físicos são provocados por partos complicados, com muitas intervenções médicas. Recentemente, o médico francês Michel Odent tem sido um dos maiores críticos à excessiva medicalização do parto. Nos seus livros e palestras, explica que a saúde de cada indivíduo é formada durante a sua vida intrauterina, mas a sua capacidade de amar é determinada no momento do nascimento. E é por isso que afirma: “Para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer”.
 
Será que temos consciência disto? Assim, desta forma?
[fotografia de  Kim Harms]

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