Na semana passada tive uns dias em que me senti triste. Agora reconheço a emoção que foi mas na altura, no meio do “caos emocional”, não sabia o que se passava. Seria hormonal, isso sem dúvida. Mas, para mim, isso não justificava tudo.

Primeiro veio uma sensação “estranha”, uma espécie de apatia junto com pouca disposição, confusão mental e sensibilidade extra. E, enquanto estava sozinha, era fácil lidar. Respirava fundo, entoava mantras, focava-me nas coisas boas….mas, quando o G. chegava a casa e me perguntava o que se passava, eu era realmente confrontada com o que estava a sentir. E a verdade naquele momento é que eu não sabia. Não sabia identificar, não sabia justificar, sentia e pronto.

Dizia-lhe que “não tinha nada”, que “não se passava nada”, mas a verdade é que não me sentia bem nem feliz e não encontrava nenhuma razão para isso. Deixei passar um dia, deixei passar dois e ao terceiro acordei com um sonho e com a tristeza completamente clara em mim. “Ok, estou triste.”

Escolhi ir para o sol, sentei-me na relva, senti o meu bebé e fiz meditação ali. As lágrimas chegavam e eu deixava-as ir. Olhava para a minha barriga e só pensava “Como é que isto é possível? Estou a viver o meu sonho, tenho o meu filho dentro de mim, não tarda nada ele nasce, e eu estou triste?”

Senti na pele algo que reconheço como “blues”, alterações hormonais tão fortes que alteram todo o campo emocional, de facto. Depois veio a Culpa. “Como é que podes estar triste com esta felicidade toda?” Mas estava.

Chorei tudo quanto me apeteceu e depois dei um mergulho na piscina. E dois e três.

Nesse momento percebi que a tristeza me estava a trazer uma oportunidade de aceitar o fim da gravidez, o fechar deste ciclo e preparar-me para a nova fase – o parto, o pós-parto e toda a maternidade extra-uterina, pela vida fora.

No dia seguinte, acordei com nova disposição e pensei “Yeah, já passou a nuvem negra! Voltei a sentir-me eu.” Era fim de semana e saí com o G. Já nem vos sei dizer o que aconteceu, o que ele disse, onde ele “me provocou” mas voltei a sentir toooooooda a tristeza, mais forte do que nunca! (Como não podia deixar de ser).

Fomos passear à praia e no meio do abraço disse-lhe que estava triste, que era hormonal mas também para me despedir da gravidez, da barriga e desta fase. Que estava com o pavio tão tão curto e imprevisível que andava há dias a fugir dele para evitar explodir. A sensação que eu tinha era mesmo esta – as minhas reacções estavam tão imprevisíveis que eu podia virar uma Rottweiler em menos de 5 segundos sem conseguir reverter tão rapidamente assim.

Pedi-lhe algo que considero fundamental (não só para agora mas principalmente para o Pós-Parto): Não deixes que me afaste!

Quando me sinto assim tenho como defesa natural afastar-me. Não quero ser injusta com ninguém, sei que ninguém é responsável pelo que estou a sentir, então recolho-me ao máximo. E acho que isso é benéfico. Mas quando é demasiado tempo ou quando estamos a falar de um casamento e com um recém-nascido pelo meio, a distância criada pode ser tanta que depois dá muito trabalho e esforço voltar a aproximar.

Então pedi-lhe humildemente esta atenção e presença. Mesmo que eu barafuste, mesmo que eu me isole fisica e emocionalmente, mesmo que eu seja chata e irritante: “NÃO DEIXES QUE ME AFASTE”.

Esta conversa foi importantíssima para mim. Tive oportunidade de clarificar o que sentia, consegui verbalizar e exteriorizar e, mais importante, partilhar com o G.

Depois disto senti-me muito melhor e voltei ao meu estado habitual. Depois disto sinto também que houve um ponto de viragem na minha gravidez. Comecei a despedir-me dela. Aos poucos. Sem pressa. Mas a usufruir dos momentos sabendo que são os últimos e que o nascimento do nosso bebé está, realmente, para breve.

A tristeza ajuda-nos a aceitar e eu precisei deste empurrãozinho para aceitar e dar as boas vindas ao final desta viagem maravilhosa!