Olá, eu sou a

Sou doula de coração e por vocação. Sempre me deslumbrei com a gravidez, a maternidade e os bebés e quanto mais relembro os conhecimentos e a sabedoria que trago em mim, mais apaixonada fico por esta fase da vida em que doamos a vida.

VBAC – Vaginal birth after cesarian

Começo este post com este vídeo e com esta partilha. O blog “Do seu pai” foi descoberto por mim há uns meses e é das leituras mais ternurentas e mais emocionantes que tive o prazer de assistir. O rol de emoções que este senhor desperta em mim é surreal e eu transformo-me com as suas palavras, com as suas homenagens constantes à vida que escolheu, à mulher com quem partilha essa vida e aos filhos que a preenchem. Vale muito muito a pena! Vejam 🙂

O que é VBAC? 

As siglas são de Vaginal Birth After Cesarian. O parto vaginal depois de cesariana. Foi em 1916 que surgiu um artigo (“Uma vez cesariana, sempre cesariana”) cujo título condicionou as nossas ideias sobre a possibilidade que existe de ter um parto vaginal após ter sido feita cesariana. Nesta altura a incisão era feita verticalmente e o risco de ruptura uterina era grande. Actualmente, com a incisão baixa segmentar a ruptura é reduzida.
O sucesso de VBAC é cerca de 60 a 70% e é mais alta em situações em que a cesariana anterior foi feita por: 
– falha na evolução do trabalho de parto
– desproporção cefalopélvica – uma vez que isto tem a ver com o tamanho da cabeça do bebé e a forma como se encaixa na pélvis durante o trabalho de parto
– “cesariana anterior” – isto porque há variadíssimas indicações para cesariana que nem sempre correspondem à necessidade real.
Se a mulher tiver entrado em trabalho de parto na cesariana anterior é uma grande mais valia para o sucesso do VBAC uma vez que o corpo da mulher já se preparou para o parto com receptores de oxitocina.

Porque há risco de ruptura uterina no VBAC? E qual é o risco?

Já que foi feito um corte no útero, houve cicatrização e fibrose, pode haver ruptura nessa zona durante as contracções uterinas. 
No entanto, o risco de ruptura se o parto NÃO FOR INDUZIDO é de 0,5%. Se o parto for induzido o risco aumenta 15 vezes, para 7,5% já que a oxitocina sintética leva a contracções mais fortes do útero e irregulares. 
É importante também saber que quando há ruptura uterina, esta acontece por pequenos rasgões e não por ruptura completa. Estudos indicam que a relação risco/benefício é positiva.
Outro factor importante a ter em conta é o NÃO USO de anestesia durante o VBAC. A mulher precisa de estar conectada com o seu corpo e totalmente sensibilizada. É preciso estar atenta à dor durante todo o trabalho de parto e saber se é descontinuada – contracções uterinas, normais ou continuada – ruptura.
Há alguns factores de risco para VBAC que é preciso ter em consideração: indução por oxitocina artificial, a idade da mulher, infecção após cesariana anterior e o uso de epidural ou outro tipo de analgesia.


Na minha opinião a mulher deve estar totalmente informada de todo o processo VBAC, riscos associados, benefícios de ter um parto vaginal e estar confiante no processo. Ir a medo para um VBAC não me faz sentido. Por isso a mulher deve procurar apoio informativo e emocional para se preparar para este tipo de parto. Colocar questões a si própria como, por exemplo:
– como eu nasci? 
– acredito que é possível o meu bebé nascer de parto vaginal?
– acredito que sou capaz de ter um parto vaginal?
– sinto medo de….


Podem ler mais aqui e aqui  e aqui. 🙂


E uma vez mais este post arrepia-me. É dos mais comoventes que já li. Eu, que nasci de cesariana porque as minhas irmãs mais velhas nasceram de cesariana. Eu que posso dizer a mim própria “Catarina, eles não fizeram por mal”.

“eles não fizeram por mal.
O médico que disse à sua mãe, em julho, quando ela estava com apenas quatorze semanas de gestação, que deveria “marcar logo o parto para o dia 1º de janeiro de 2014”. A vizinha que, no elevador, afirmou que “no caso da sua mãe era pior”. O casal que perguntou, todos os dias: “para quando é?”. A moça do laboratório que insistiu, três vezes seguidas, queria saber se era isso mesmo, se havia entendido certo que “sua mãe vinha de duas cesáreas e agora decidiu por um parto normal”. Todas as médicas plantonistas do Hospital São Luiz que, no último domingo, fizeram questão de demonstrar sua “preocupação” pelo “histórico” dos últimos partos da sua mãe. Nenhum deles fez por mal, filha.

Chegamos no hospital às 8h e enfrentamos uma legião de caretas, resmungos, cochichos e, por fim, má vontade. Mas aí, filha, já era. Você tinha decidido nascer. E sua mãe tinha decidido ter um parto natural. O momento DELA.
Apenas a sua mãe, naquela sala, poderia fazer o que fez. E fez.
Nasceu você.
O seu nascimento, filha, é a morte da descrença, do medo, da inércia, do pessimismo. Você nasceu para a gente se despedir do controle. Parir é perder o controle. Perder o controle é viver em paz. Sua mãe nos deu você, você nos deu a paz. Obrigado, filha.”

[Obrigada Pedro, por este texto MARAVILHOSO. Parabéns pela escolha, parabéns pela coragem, parabéns pela confiança, parabéns pelo AMOR.]

[adaptado do “Manual de Doulas” da Doula Maria Luísa Condeço
texto e vídeo retirado de http://www.pedrinhofonseca.com/]

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