Olá, eu sou a

Sou doula de coração e por vocação. Sempre me deslumbrei com a gravidez, a maternidade e os bebés e quanto mais relembro os conhecimentos e a sabedoria que trago em mim, mais apaixonada fico por esta fase da vida em que doamos a vida.

Vinculação é AMOR

Bom diaaaa!
Um dos grandes objectivos deste novo ano é escrever posts de forma regular (não rígida!) de forma a estudar cada vez mais sobre estes assuntos que tanto me interessam e consequentemente partilhar convosco cada vez mais informação 🙂 
Só pelo facto de procurar uma fotografia que, para mim, represente o tema que trago já vale a pena. Descubro imagens TÃO TÃO bonitas! Já viram esta? É deliciosa! Que amor!
Então o que é a vinculação? É apenas materna? É paterna? Para que serve e o que interfere e contribui para haver vinculação entre a mãe ou pai e o bebé? É disso que hoje vamos falar 🙂

> O que é vinculação?
É a relação única, específica e duradoura que se cria entre a mãe (e o pai) e o bebé. Acontece de forma gradual desde os primeiros contactos mãe-bebé. E se se trata de uma relação e de uma ligação é claro que acontece entre a mãe e o bebé mas também entre o pai e o bebé! (Por isto mesmo, durante o post, quando falar mãe-bebé assumam também pai-bebé, sim? :))
> Que importância tem a vinculação? 
Toda! Ahah. A vinculação existe, a nível biológico, para garantir a protecção e sobrevivência do bebé. Para proteger a sua cria, o seu bebé, a mãe tem de o reconhecer como sendo seu e ligar-se afectivamente a ele. Para além da questão da sobrevivência, a vinculação influencia os cuidados parentais, o desenvolvimento da criança e o seu bem-estar.
> Quais os factores que interferem e contribuem para a vinculação?
São vários os factores! Existem factores de cariz biológico – hormonal, psicológico – forma como a mulher e o homem se sentem, apoio, intimidade, tipo de parto, dor, etc… e sócio-cultural – nível educacional, condições económicas, por exemplo.
Factos muito interessantes obtidos em investigações empíricas mostram-nos que um parto difícil ou doloroso é muito relevante na qualidade do envolvimento emocional da mãe com o bebé. A intensidade da dor no parto torna a mãe menos disponível para se ligar afectivamente ao bebé.
(É por isto que sou tão grata pelo caminho que escolho. Ajudar mães a parirem sem dor é mesmo um objectivo de vida para mim!! :))
A nível biológico temos todas as alterações hormonais que acontecem na gravidez, parto e pós-parto a influenciar muito a vinculação. Isto porque durante a gravidez há um aumento brutal nos níveis de estrogénio e progesterona e no pós-parto uma queda abrupta nestes valores. Para além disto, temos o aumento da oxitocina durante o parto e pós-parto e a produção de prolactina com a amamentação. Todas estas alterações hormonais ajudam a mãe, no pós-parto, a estar extremamente sensível e reactiva o que faz com que esta esteja capaz de proteger o seu bebé e garantir a sua sobrevivência. 
A nível psicológico, há estudos que mostram o impacto da relação conjugal no envolvimento afectivo. Mulheres com relações positivas e íntimas e que contam com o apoio do companheiro têm geralmente um envolvimento mais facilitado e favorável. (Curioso não é?) 
A gravidez e o parto têm uma influência enorme na vinculação, bem como nos cuidados prestados no pós-parto e no desenvolvimento da criança. Quanto mais a mulher participa activamente nas decisões do parto e nos cuidados a prestar no pós-parto, maior é a satisfação materna e o envolvimento com o bebé.
O parto especificamente é um momento privilegiado, não só para o estabelecimento da relação com o bebé como também para a evolução da relação entre ambos e subsequente desenvolvimento e bem estar da criança.
É importante perceber que a relação acontece em ambos os sentidos, isto é, não só a mãe/pai que tem capacidade para se ligar ao bebé, o bebé também tem esta capacidade! Logo após o parto (nas primeiras 24horas) o bebé está particularmente disponível para esta ligação. O bebé mantém-se em estado alerta calmo, consegue olhar directamente para o rosto da mãe e do pai e directamente nos olhos! 
Por isto mesmo é TÃO importante  o contacto durante a primeira hora. O contacto pele com pele permite a vinculação e aumenta também a competência e auto-confiança materna. Um estudo feito por Klaus e Kennel (1976) mostrou que as mães que estiverem em contacto com os seus bebés na primeira hora de vida tinham uma maior proximidade com estes passado um mês, tinham estratégias mais eficazes de apaziguamento passado 1 ano e existia uma maior estimulação verbal passado 2 anos, do que as mães que não tiveram este contacto.
Agora analisando um pouco o estado actual dos Partos em Portugal o que vemos? Este contacto é potenciado? Quando os bebés nascem para onde vão? Para o colo? Durante quanto tempo? 
Pois! É neste sentido que temos de ir. Potenciar o contacto corporal entre mãe e bebé nos instantes imediatos do pós-parto. Permitir que este reconhecimento aconteça, que o bebé toque a pele da mãe, sinta o seu cheiro, crie esta ligação visual, mame! Sabiam que quando os lábios do bebé tocam o mamilo na primeira hora de vida há uma tendência natural para que este contacto se mantenha durante mais tempo?  E que o grito de fome do bebé leva ao aumento da temperatura das mamas da mãe e promove a aproximação ao bebé? É LIIINDO! 
Mais uma vez deixemos a natureza actuar. É tão maravilhosa!
(adaptado de FIGUEIREDO, “Vinculação materna: Contributo para a compreensão das dimensões envolvidas noprocesso inicial de vinculação da mãe ao bebé”, 2003
fotografia de NHance-Photography, http://amazingbirthphotos.tumblr.com/)

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